quarta-feira, 20 de novembro de 2024

CÉU DE SANTO AMARO (FLÁVIO VENTURINI). PARTICIPAÇÃO DE CAETANO VELOSO

 

Flavio Venturini - Céu De Santo Amaro - (Part. Caetano Veloso)
YouTube Flávio Venturini Oficial
14 de mai. de 2024

OLHARES DE UMA JANELA...

Acredito que todos somos acometidos, em determinados momentos, de um certo vago sentimento, que chega do nada, e começa a nos cutucar, quase como cócegas, e nos provoca uma certa inquietude. Aí, do nada também, iniciamos um monólogo, enquanto olhamos da janela, a agitação dos homens, o movimento incessante com aquele aspecto de urgência, que hoje assola-nos de todos os lados. 
E o que penso eu, do alto de um quinto andar, olhando a vida corrida, lá embaixo? Penso na inexatidão dos acontecimentos, e como eles ocorrem, assim, tão repentinamente, alterando tudo ao nosso derredor. 
Estava tudo em seus lugares, silenciosamente posto, dando-nos a impressão de que nos observam, ou nos vigiam, ao tempo em que participam dessa ordem invisível, só percebida quando algo se quebra, e que somos nós, na realidade, que a criamos, a ordem. 
Nada parece merecer ser levada a sério. Tudo fica com cara de efêmero, de que está sempre acabando de passar... 
E vamos de roldão nesses vagos pensamentos, desordenadamente organizados, mas que estão colados, pensamentos após pensamentos, como se buscassem a impossível unidade nesse caldeirão de efemeridades! 
Somos passageiros de um planeta, mergulhado na imensidão cósmica! 
E foi num lance maluco de Carl Sagan, que ao virar a câmera do voyager, tirou aquela foto que poeticamente chamou de "pálido ponto azul", que parece suspenso num raio de luz"... 
Uma vez vista a foto, já não podemos mais ser os mesmos! Tudo se modifica, tudo ganha um novo sentido, tudo se ajusta a uma nova proporção. 
Percebemos, instantaneamente, a misericórdia de nossas vidas. 

Para que não fique muito obscuro, o que quis dizer com "misericórdia de nossas vidas", recorro a etimologia: miserícórdia "é a junção de duas palavras em latim: miseratio(miséria)+cordis(coração). 
Assim pode-se se entender literalmente, como "o coração que se debruça sobre a miséria (humana)", ou "coração compadecido", ou "compadecimento". 
E daí, a metáfora desafia a poética do coração de cada um... 

 prof.mario moura
18 de novembro de 2024

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

TEXTOS LONGOS, ADEUS LEITORES...

 TEXTOS LONGOS, ADEUS LEITORES... 

Ouço sempre essa ladainha, "que textos longos, não têm leitores..."

Ninguém está disposto a perder tempo”, com leituras que exijam mais do que um ou dois minutos. 

O tempo urge, e o leão ruge! As pessoas não estão mais disponíveis para demoradas leituras, afinal devemos ser pragmáticos, pois o tempo nos exige para outros afazeres! Para ganhar a vida (ou perdê-la?) na azáfama das correrias, pois o tempo é o senhor! 

A vida ganhou uma aceleração, que se justifica com a urgência de obrigações maiores, do que simplesmente “perder o tempo” com textos que nos passam apenas uma ou duas informações, geralmente de pouco interesse, pois voltadas para essa exigência de refletir, amadurecer o entendimento em torno de “conceitos” abstratos, que não irão decidir as ações imediatas do dia e do momento.  

Textos longos, nos obrigam a parada no relógio das aflições, que marcam a ilusão de que devemos nos apressar para chegar o mais rápido possível no futuro.  

Não podemos “perder a hora” com abstracionismos que não contribuem para nossas ações, que devem ser práticas, tanto quanto possível! 

Aquela condição de disponibilidade para a reflexão, para conjeturas, para o convívio, faz parte de um passado, quando a vida tinha um tom de calmaria, de cadeiras na calçada, sem relógio, o tempo medido pelos tons do escurecer do céu, do fim da tarde, quando a palavra poente era voz corrente para falar de entardecer. 

Alguma coisa humana se perdeu no decorrer desse tempo! Suponho que tenha sido a própria humanidade, no seu impulso de conquistar o efêmero, triunfando sobre nada!  

E o que fazer? E aí refiro-me aos antigos, àqueles seres que o tempo não conseguiu engolir, dada a reação quase furiosa de resistir ao comezinho de uma vida insossa, sem sabor, de resistir à banalidade que engole a condição de seres inteligentes, cujo potencial desce pelo ralo das rotinas do trivial, da vulgarização. 

Mas não creio nessa conversa de que textos longos, não têm leitores! Não acredito nessa balela! Cheira-me a sabotagem! 

Penso que nada é mais desconfortável para o Sistema, do que uma sociedade pensante! Um grande incômodo, que foge ao controle, que escapa da mudez e reage criticamente as intolerâncias que administram o silêncio das pessoas, fazendo-as crer em “normas” que organizam o “melhor dos mundos possíveis!”. 

As editoras continuam a produzir livros, as livrarias criam espaços gourmets e cafeterias, modernizando o conforto e o acesso à leitura em confortáveis poltronas e o acesso aos livros. 

O livro está acima de qualquer convenção, e continua sendo à criação mais inteligente que produzimos: dos pergaminhos e papiros, às mais luxuosas edições!! 

Conhecimentos, emoções, memórias... sentimentos e afetos que se transferem, e que o tempo conserva como o nosso melhor patrimônio. Vidas e imagens que o mesmo tempo engoliu, mas guarda em seu ventre para os vindouros. 

08 de novembro de 2024 

Prof. mario moura