sexta-feira, 1 de novembro de 2019

INVERDADES SOBRE A INQUISIÇÃO

De todos os temas discutidos em dois mil anos de Cristianismo, este provavelmente é o mais polêmico, e consequentemente fruto de maior especulação. Também é nele o grande nascedouro de inúmeros equívocos e inverdades – sejam eles intencionais ou não. Estou a falar do tribunal da Santa Inquisição.

Os idiotas pós-modernos adoram o tema. É o preferido deles. Palpitar sobre a Inquisição é uma maravilha, afinal, quem vai perder a chance de ouro de difamar a maior instituição da civilização que dia e noite eles querem derrubar? Com isso, cercam o assunto de chavões vazios e caretas fingidas de indignação, sempre a apontar o dedo para uma Igreja manchada de sangue.

Se o leitor acredita nisso e acha puro fanatismo discordar dessa narrativa, pode pular de coluna. Mas caso a intenção seja buscar a verdade dos fatos e ir na fonte para chegar a uma conclusão ao menos parcial e sensata, podemos continuar. Meu objetivo é aqui eliminar as maiores mentiras contadas sobre a Inquisição com o objetivo de manchar o nome da Igreja Católica.

A primeira coisa a se pensar é que a Santa Inquisição surgiu no combate a uma heresia chamada catarismo, datada do século XI. Essa heresia acredita na existência de dois deuses – não mais no Deus cristão – e no caráter duplo dele: o Deus bom fez o espírito bom, o Deus mal fez o corpo e matéria más. Portanto, tudo o que fosse material teria de ser extinto; alimentos de origem reprodutiva (carnes, ovos e leite) não poderiam ser consumidos. Mulheres grávidas abortavam, caso contrário os próprios cátaros assassinavam as coitadas das gestantes.

O catarismo surgiu no seio do próprio Cristianismo, e ameaçava não só a vida da população e a ordem, mas como também a própria unidade cristã. Ao tratar-se de um crime contra a fé, a heresia era também um crime contra o Estado, pois na época não havia secularismo. Crimes contra o Estado eram tratados como crime de lesa-majestade, e a pena capital era a fogueira. Por isso muitos cátaros foram mortos pelos reis cristãos – quando não faziam isso, o próprio povo revoltado o fazia.

Pressionada de todos os lados, a Igreja resolveu agir. Em 1184, o Papa Lúcio III organizou uma assembleia com príncipes e prelados na busca pelos hereges. Era o nascimento da Inquisição, que oficialmente passou a existir em 1233 no papado de Gregório IX. Percebam que a Igreja não criou um tribunal por puro esporte a caçar aqueles que dela discordassem. O que aconteceu foi que hereges no seio da própria Igreja começaram a jogar no lixo os dogmas obrigatórios a todo fiel católico – fato que explica o porquê da Inquisição ter jurisdição apenas sobre cristãos.

Daqui outro mito cai por terra: a da Igreja perseguidora de judeus e islâmicos. A Inquisição só se ocupou dos chamados ‘’cristãos-novos’’, judeus convertidos à força ou por interesses econômicos, mas que professavam sua fé em segredo. Batizados então, eram considerados cristãos e estavam sujeitos aos tribunais inquisitórios.

Quanto aos inquisidores, estes teriam de ter mais de 40 anos, ser especialista em teologia, direito comum e direito canônico. Deveria ter reputação ilibada e não possuir desavenças com o processado. Tão justa e bondosa era a Inquisição que, não aceitando os procedimentos do inquisidor e entendendo que ele estava agindo de forma errada, o réu poderia apelar ao Papa. Se não pudesse pagar pela sua defesa, o acusado teria direito à defesa gratuita. Que Inquisição sanguinária é essa onde o acusado teria tantas opções em seu favor?

Vale lembrar também que uma condenação de morte não era certeza de sua execução. Para ser condenado à pena capital, o acusado deveria confessar a heresia e depois de um ano continuar com tal heresia. Com isso, ele faria parte da categoria de acusados chamados relapsos. Porém, mesmo condenado à morte, o relapso poderia se arrepender no instante mesmo da execução da pena capital, escapando da fogueira. Tais casos foram inúmeros na história da Santa Inquisição.

A Inquisição católica só passou a ser criticada e difamada com o advento do iluminismo, resultado de um longo processo de secularização da cultura e da vida intelectual – principalmente na França. Críticos da tradição e dos costumes ocidentais, os intitulados ‘’enciclopedistas’’ procuravam organizar uma nova sociedade, um novo homem, sem as ‘’amarras’’ do Cristianismo de outrora. Com generosa ajuda do protestantismo e da maçonaria, eles foram os grandes responsáveis pelas mentiras sobre a Inquisição.

Há muito a falar sobre o tema. Por exemplo, as inquisições espanhola e portuguesa foram seculares, instrumentos utilizados pelos reis, e não pela Igreja. O tema é vasto e complexo, e este humilde artigo visa apenas a lançar luz sobre as principais inverdades sobre a inquisição católica. Longe das mentiras repetidas por adolescentes imbecis e jovens de 68, ela é sim mais um dos exemplos de coragem da Santa Igreja Católica na defesa da fé.
Referências:

1.https://www.youtube.com/watch?v=8PfYvytaEAA

2.https://padrepauloricardo.org/aulas/a-inquisicao-em-seu-contexto

3.https://medium.com/@marinafancello/santa-inquisi%C3%A7%C3%A3o-e-a-cortina-de-mentiras-criada-em-torno-da-igreja-cat%C3%B3lica-5672dea734b8


01 de novembro de 2019
Carlos Junior

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