Podem ser anotações casuais de um passante, porque quando começamos nossa jornada, não distinguimos bem a paisagem. Ela sempre nos surpreende. Desconhecemos aonde nos pode levar o caminho. Não o escolhemos... Perambular é o próprio caminho. Uma narrativa do destino que desenhamos inconscientemente. O que pretendo? Tecer algumas considerações fora da mesmice, e pinçar alguns textos curiosos que despertem a paixão...
segunda-feira, 10 de março de 2025
O DIA DA MULHER...
O DIA DA MULHER...
Não simpatizo com efemérides. Dia da Mulher, da criança, da mãe, do pai... Não encontro uma razão suficiente para essas comemorações com data e hora marcadas.
Todos os dias, são dias da mulher!
Pilar fundamental da família, útero da civilização, da existência da espécie humana, fonte das mais ricas emoções que alimentam o Amor, e em sua escala mais nobre, a maternidade, essa mulher alcançou a maturidade, libertou-se de estereótipos de gênero, libertando-se dos preconceitos de falsas características.
Ela está aí, impávida, poderosa, ou empoderada, com uma nova feição!
Já escrevi em algum momento, que nas primeiras organizações sociais, quando a humanidade abandonou o nomadismo, foi a observação da mulher, que permanecia no grupamento para os afazeres da organização tribal, para os cuidados da prole, que percebeu a germinação da semente, que caia das sobras dos alimentos.
Naquele momento, nascia a agricultura, que fixaria de vez o homem a terra, inaugurando um novo ciclo na história da humanidade.
Assinalo aqui, que o inicio da civilização foi a cândida observação de uma mulher, que despretensiosamente, dava origem ao inicio de um novo momento da inteligência humana, com todos os desdobramentos que no futuro se desenvolveram.
Não sei, mas penso que não há o "Dia do Homem"... Não conheço registro dessa data! Mas também não simpatizaria com esse evento, talvez porque seja uma efemeridade, coisas de um tempo, que certamente, em algum momento da História, seria esquecido.
E não seria tão importante, como o dia Dia da Mulher!
Guerreiros não são construtores de civilização! São conquistadores dos frutos alheios! Não fundaram, repito, civilizações, mas expandiram seus reinos em guerras de conquistas.
Mesmo não simpatizando com essas datações, não nego que seja importante assinalar, para os desprevenidos, que se deem conta da importância do feminino na nossa organização social.
Num tempo de violência, que vem marcando a mulher como vítima da brutalidade, criando-se mesmo um novo termo que expressa a consciência dessa truculência, o "feminicídio", ainda assim, não basta esse neologismo identificar esse crime, ele exige que a justiça aprimore leis que punam severamente o criminoso.
Os tempos são chegados para uma nova humanidade, para uma nova civilização, em que certamente, novos parâmetros aportados por novas tecnologias, transformarão em passado, qualquer ato de violência contra a Vida.
Permitam-me ser contraditório, e aplaudir o esplendor do DIA DA MULHER!
10 de março de 2025
prof. mario moura
SOBRE O ENVELHECER...
SOBRE O ENVELHECER...
Somos retóricos, quando tratamos de problemas existenciais, isto é, quando falamos da vida real e dos males que, naturalmente, nos acometem.
Hoje, um tema dominante é o envelhecer.
Abordagens sob vários olhares, como disse retóricos, buscam associar o envelhecer, a estágios da existência, habitualmente ligados a um patrimômio de sabedoria, de experiência de vida, de memórias relevantes, de momentos memoráveis e outras condições excepcionais, que enaltecem esse ciclo biológico, inevitável.
Para tanto, recorre-se a arte, principalmente a literária, com destaque para a poética, onde o tema raramente é olhado sob o prisma da fatalidade de seu verdadeiro significado, que expressa a decadência das funções vitais, quando não, cognitivas.
Realismo, ou pessimismo?
Realismo, a medida que não podemos negar o tempo, que atua contra a vida desde o seu nascimento. A observação criteriosa nos aponta a adversidade que o corpo enfrenta, com o decorrer dessa etapa.
Sem paixões, olho o envelhecimento como o momento em que iniciamos um profundo mergulho no silêncio das memórias, que representaram as diretrizes, as linhas mais importantes que nos conduziram durante a vida.
É o momento de autocrítica, em que procuramos organizar com serenidade, quem fomos, o que fizemos, o que representamos para os que viveram próximos de nós.
Pessimismo, quando despertamos para a realidade de que não há grandeza gratuita, apenas porque envelhecemos. Envelhecer não é um ato inteligente, mas biológico. Nada se acrescenta, simplesmente porque envelhecemos, a não ser a perda da energia que nos impulsionou durante alguns momentos da existência.
Se nada edificamos, envelheceremos apegados a preconceitos, ao senso comum, aos saberes do cotidiano, a hábitos, crenças, como meros passantes na paisagem humana.
Se nada edificamos, nada perceberemos do encanto da vida, do seu mistério, da sua espiritualidade. Passaremos como sombras, e como tal nos dissolveremos, sem deixar pegadas ou alguma grata memória nos que privaram da nossa intimidade.
Seremos um retrato na parede, ou em algum album de fotografias.
Com o tempo implacável, desbotaremos, e nada ficará que lembre o momento memorável em que existimos.
08 de março de 2025
prof. mario moura







