Um paradigma seria, digamos, uma espécie de teoria, guardadas, porém, as diferenças.
Darwin por exemplo: a teoria da “evolução” procura explicar como as espécies se modificam para se adaptarem as novas condições do ambiente. Como teoria, ela fica sujeita a ter que ser provada, testada, contestada ou aceita. Fica exposta a experimentação e a reflexão.
E o paradigma? Bem, o paradigma seria um conjunto de premissas implícitas, essencialmente inconscientes, e que por isso, dispensam qualquer interesse em demonstrar a sua veracidade. É o modus operandi que carregamos para decidir as diversas maneiras de agir no mundo e de pensá-lo.
Não questionamos um paradigma, simplesmente porque não o colocamos na ordem das nossas reflexões.
É uma realidade, a lente pela qual decodificamos o mundo, a vida. Não costumamos contestar a realidade se ela não nos incomoda. A lente nos protege e nos proporciona um acordo pleno com as nossas percepções. Percebemos dentro de certas molduras, certas referências.
Podemos definir o paradigma de uma outra maneira: como um sistema de crenças. Você já experimentou alguma vez definir o seu sistema de crenças? Por que você acredita nisso ou naquilo? Por que você valoriza isso ou aquilo? Se alguma vez você pensou em fazer isso, com certeza desistiu, ante a dificuldade de pensar uma crença.
Você pode acreditar na importância da amizade, da religião, da família, de praticar um esporte, uma dieta... Pode acreditar que a sua visão política seja sensata... Centenas, com certeza, de convicções que operam no nosso inconsciente, e que jamais questionamos, dirigem a nossa vida. Convicções sedimentadas desde a infância, e que organizam e determinam a nossa relação com a vida.
Retornando a definição possível de um paradigma, poderíamos então enunciar que seria um sistema inconsciente de crenças, próprias de uma cultura.
Ao buscar entender as ações que produzem o meu modo de ser e de me relacionar com o mundo, talvez fosse possível perceber como criei determinadas situações na minha vida.
Não damos muita importância a certos clarões que nos ofuscam, chamados insights, e que muitas vezes revelam os subterrâneos do inconsciente. Não damos atenção, porque podem provocar um terremoto e desacomodar camadas confortáveis da nossa personalidade.
Se estamos acomodados no berço do nosso paradigma, por que reclamar da grade que nos protege do tombo no abismo?
M. AMERICO
Podem ser anotações casuais de um passante, porque quando começamos nossa jornada, não distinguimos bem a paisagem. Ela sempre nos surpreende. Desconhecemos aonde nos pode levar o caminho. Não o escolhemos... Perambular é o próprio caminho. Uma narrativa do destino que desenhamos inconscientemente. O que pretendo? Tecer algumas considerações fora da mesmice, e pinçar alguns textos curiosos que despertem a paixão...
quinta-feira, 29 de abril de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
EMOÇÕES: UM FENÔMENO BIOQUÍMICO?
O que seriam propriamente as emoções? Alguma propriedade especial, espiritual, imponderável, ou algo que estaria no plano mais concreto do corpo, mais tangível? Segundo Joe Dispenza, as emoções são a química para reforçar neurologicamente as experiências.
Recordamos das coisas mais destacadas e mais emocionais e é dessa forma que deve ser.
Segundo algumas experiências, quando já se imaginava que as células tinham 'receptores' em torno da parede celular externa, nos quais os compostos químicos estacionavam, levou a Dra. Candace Pert, após um acidente, a pesquisar o efeito que as drogas produziam e que estava experimentando, após ser medicada com morfina, para evitar a dor. Ainda segundo a teoria, a estrutura química da droga permitia-lhe encaixar-se nesses receptores, mas que ainda não haviam sido encontrados. A Dra. Pert encontrou os receptores opióides que revestem a parede celular. Essa descoberta mudou a biologia.
Bem, depois de uns três anos uma equipe de pesquisadores escocesa, descobriu que o cérebro produz 'neuropeptídeos' chamados endorfinas.
Papo meio cansativo esse, né? Mas tenhamos paciência para suportar, já que na vida suportamos coisas muito piores...
Quem já não ouviu falar em endorfinas? Também conhecidas como o 'barato' da corrida? Elas são os nossos opiáceos naturais. Mais pesquisas aconteceram e os peptídeos começaram a surgir em toda a parte.
Diz a Dra. Pert: "Em meu laboratório comecei a mapear receptores para todos os peptídeos descobertos em qualquer sistema biológico. E sempre que procurava esses receptores, encontrava-os [...] Fizemos muitos mapeamentos detalhados de receptores e verificamos que havia não somente receptores opióides, mas também para todos esses outros peptídeos nas partes do cérebro tidas como mediadoras da emoção."
Depois dessa descoberta, "começamos a pensar nesses neuropeptídeos e seus receptores como moléculas de emoção".
Conclusão: o que sentimos produz um composto químico ou uma coleção de compostos químicos específicos. São cadeias de aminoácidos, feitos de proteínas e fabricados no hipotálamo, uma minúscula fábrica de compostos químicos, correspondentes a determinadas emoções que experimentamos. Significa que a absorção deles pelas células do nosso corpo, dá origem ao sentimento daquela emoção.
Para que a nossa vaidade não fique muito abalada, vou acrescentar que as tais moléculas de emoção, os pesquisadores as encontraram até em criaturas unicelulares.
O que podemos concluir? Que as emoções são preservadas ao longo da evolução. As endorfinas estão nas leveduras, organismos unicelulares simples; portanto, o prazer é básico.
E fomos projetados para funcionar com base nele. Somos dependentes do prazer, e nosso cérebro e programado para buscá-lo. Encontrar o prazer e evitar a dor, é o que direciona a evolução humana.
Apesar do longo caminho percorrido pela evolução, entre a ameba em busca de alimento e as rendas francesas, as emoções tinham que se estruturar no corpo de forma irresistível.
Qual é a boa notícia? Para começar a sobrevivência. As emoções nos ajudam a sobreviver, "dando-nos uma referência relâmpago que resolve o quebra-cabeça antes que ao menos conheçamos as peças".
Viver a vida com emoções, nos dá a experiência genuína de estar vivo, sentir, amar, odiar... Sem esses sentimentos a vida seria chata. Elas são o tempero da sopa quântica, a cor do pôr-do-sol.
Muito mais do que a mera sobrivência, que já seria algo extremamente importante para a espécie, elas nos levam a permanente evolução.
Joe Dispenza diz:
"Eu não tenho uma definição científica para alma, mas diria que ela é um registro de todas as experiências de que tomamos posse emocionalmente. As coisas de que não tomamos posse emocionalmente, tornamos a experimentar nessa realidade, em todas as outras realidades, nessa vida, em todas as outras vidas. Portanto, não conseguimos evoluir. Se continuarmos a experimentar a mesma emoção e nunca a aposentarmos, tornando-a sabedoria, não evoluiremos. Não seremos pessoas inspiradas. Não teremos a ambição de ser nada senão o mero produto dos compostos químicos no corpo, que nos mantém presos no círculo em que vivemos nosso destino genético."
Uma pessoa nobre supera o destino genético, a realimentação que vem do corpo, o meio ambiente, as próprias tendências emocionais. Pense nisso. Se você deseja evoluir como pessoa, escolha uma limitação, que você sabe que tem, e aja conscientemente para alterá-la. Você vai ganhar alguma coisa: SABEDORIA.
Nossa evolução completa está estruturada sobre emoções. Elas são inevitáveis.
Paixão, amor divino, sentimento de unidade com o todo, bem-aventurança e experiências místicas são emoções - elas geram aqueles neuropeptídeos que inundam o corpo e alteram a própria consciência.
"Rantha freqüentemente pergunta a seus alunos quando foi a última vez que eles experimentaram um êxtase, um orgasmo, no sétimo selo [um chakra ou centro de energia sutil. Os chakras são pontos de convergência de energia não-física no corpo. Eles estão alinhados com as glândulas encócrinas do corpo físico e são vistos como uma chave para alcançar dimensões mais elevadas.]
Todo mundo conhece êxtases relacionados a sexo [primeiro selo], sobrevivência [segundo selo], poder [terceiro selo], mas e essas experiências nos centros mais elevados? Um êxtase no sexto selo, é uma compreensão nova e profunda. A experiência de consciência cósmica, a conexão suprema e íntima com Deus, é um orgasmo no sétimo selo. O amor completo e incondicional é um dos aspectos do quarto selo."
De acordo com esse ensinamento, nunca alcançamos aquelas dimensões porque a maior parte do tempo a humanidade está presa aos três primeiros elos: sexo, sobrevivência e poder. E o caminho para sair do "porão da humanidade" é tomar posse das emoções dos selos inferiores na forma de SABEDORIA.
Ou, como a ostra, lidar com o elemento irritante até ele se transformar numa pérola.
M. AMERICO
Recordamos das coisas mais destacadas e mais emocionais e é dessa forma que deve ser.
Segundo algumas experiências, quando já se imaginava que as células tinham 'receptores' em torno da parede celular externa, nos quais os compostos químicos estacionavam, levou a Dra. Candace Pert, após um acidente, a pesquisar o efeito que as drogas produziam e que estava experimentando, após ser medicada com morfina, para evitar a dor. Ainda segundo a teoria, a estrutura química da droga permitia-lhe encaixar-se nesses receptores, mas que ainda não haviam sido encontrados. A Dra. Pert encontrou os receptores opióides que revestem a parede celular. Essa descoberta mudou a biologia.
Bem, depois de uns três anos uma equipe de pesquisadores escocesa, descobriu que o cérebro produz 'neuropeptídeos' chamados endorfinas.
Papo meio cansativo esse, né? Mas tenhamos paciência para suportar, já que na vida suportamos coisas muito piores...
Quem já não ouviu falar em endorfinas? Também conhecidas como o 'barato' da corrida? Elas são os nossos opiáceos naturais. Mais pesquisas aconteceram e os peptídeos começaram a surgir em toda a parte.
Diz a Dra. Pert: "Em meu laboratório comecei a mapear receptores para todos os peptídeos descobertos em qualquer sistema biológico. E sempre que procurava esses receptores, encontrava-os [...] Fizemos muitos mapeamentos detalhados de receptores e verificamos que havia não somente receptores opióides, mas também para todos esses outros peptídeos nas partes do cérebro tidas como mediadoras da emoção."
Depois dessa descoberta, "começamos a pensar nesses neuropeptídeos e seus receptores como moléculas de emoção".
Conclusão: o que sentimos produz um composto químico ou uma coleção de compostos químicos específicos. São cadeias de aminoácidos, feitos de proteínas e fabricados no hipotálamo, uma minúscula fábrica de compostos químicos, correspondentes a determinadas emoções que experimentamos. Significa que a absorção deles pelas células do nosso corpo, dá origem ao sentimento daquela emoção.
Para que a nossa vaidade não fique muito abalada, vou acrescentar que as tais moléculas de emoção, os pesquisadores as encontraram até em criaturas unicelulares.
O que podemos concluir? Que as emoções são preservadas ao longo da evolução. As endorfinas estão nas leveduras, organismos unicelulares simples; portanto, o prazer é básico.
E fomos projetados para funcionar com base nele. Somos dependentes do prazer, e nosso cérebro e programado para buscá-lo. Encontrar o prazer e evitar a dor, é o que direciona a evolução humana.
Apesar do longo caminho percorrido pela evolução, entre a ameba em busca de alimento e as rendas francesas, as emoções tinham que se estruturar no corpo de forma irresistível.
Qual é a boa notícia? Para começar a sobrevivência. As emoções nos ajudam a sobreviver, "dando-nos uma referência relâmpago que resolve o quebra-cabeça antes que ao menos conheçamos as peças".
Viver a vida com emoções, nos dá a experiência genuína de estar vivo, sentir, amar, odiar... Sem esses sentimentos a vida seria chata. Elas são o tempero da sopa quântica, a cor do pôr-do-sol.
Muito mais do que a mera sobrivência, que já seria algo extremamente importante para a espécie, elas nos levam a permanente evolução.
Joe Dispenza diz:
"Eu não tenho uma definição científica para alma, mas diria que ela é um registro de todas as experiências de que tomamos posse emocionalmente. As coisas de que não tomamos posse emocionalmente, tornamos a experimentar nessa realidade, em todas as outras realidades, nessa vida, em todas as outras vidas. Portanto, não conseguimos evoluir. Se continuarmos a experimentar a mesma emoção e nunca a aposentarmos, tornando-a sabedoria, não evoluiremos. Não seremos pessoas inspiradas. Não teremos a ambição de ser nada senão o mero produto dos compostos químicos no corpo, que nos mantém presos no círculo em que vivemos nosso destino genético."
Uma pessoa nobre supera o destino genético, a realimentação que vem do corpo, o meio ambiente, as próprias tendências emocionais. Pense nisso. Se você deseja evoluir como pessoa, escolha uma limitação, que você sabe que tem, e aja conscientemente para alterá-la. Você vai ganhar alguma coisa: SABEDORIA.
Nossa evolução completa está estruturada sobre emoções. Elas são inevitáveis.
Paixão, amor divino, sentimento de unidade com o todo, bem-aventurança e experiências místicas são emoções - elas geram aqueles neuropeptídeos que inundam o corpo e alteram a própria consciência.
"Rantha freqüentemente pergunta a seus alunos quando foi a última vez que eles experimentaram um êxtase, um orgasmo, no sétimo selo [um chakra ou centro de energia sutil. Os chakras são pontos de convergência de energia não-física no corpo. Eles estão alinhados com as glândulas encócrinas do corpo físico e são vistos como uma chave para alcançar dimensões mais elevadas.]
Todo mundo conhece êxtases relacionados a sexo [primeiro selo], sobrevivência [segundo selo], poder [terceiro selo], mas e essas experiências nos centros mais elevados? Um êxtase no sexto selo, é uma compreensão nova e profunda. A experiência de consciência cósmica, a conexão suprema e íntima com Deus, é um orgasmo no sétimo selo. O amor completo e incondicional é um dos aspectos do quarto selo."
De acordo com esse ensinamento, nunca alcançamos aquelas dimensões porque a maior parte do tempo a humanidade está presa aos três primeiros elos: sexo, sobrevivência e poder. E o caminho para sair do "porão da humanidade" é tomar posse das emoções dos selos inferiores na forma de SABEDORIA.
Ou, como a ostra, lidar com o elemento irritante até ele se transformar numa pérola.
M. AMERICO
segunda-feira, 26 de abril de 2010
LIVRE ARBÍTRIO OU DETERMINISMO TRÁGICO?
Verdade verdadeira é que carregamos uma propensão natural, uma índole, que se manifesta em todas as circunstâncias da vida, mesmo quando contraria o bom senso. Não está na esfera da nossa decisão conter o impulso que revela a nossa natureza.
Significa afirmar que carregamos na existência um caráter imutável, que sempre nos predisporia a reações automáticas diante de circunstâncias determinadas. Estaríamos, assim, condenados a repetir atitudes como respostas aos eventos significativos na nossa vida? Macarrão não acredita nisso, denominando essa imutabilidade um “determinismo trágico” da existência. Já Alfinete, tecendo considerações sobre a criminalidade, ou seja, sobre as psicopatias que determinam atitudes involuntárias e inconseqüentes, acredita que alguns grupos de pessoas carregam esse caráter imutável. Restringe, no entanto, na sua exposição, que a imutabilidade é um traço distintivo que não abrange a totalidade do grupo humano.
Ouvi as ponderações do Macarrão e do Alfinete. Pautavam por colocar, dentro do problema do possível determinismo do caráter humano, posições opostas: Macarrão não concebia a inexistência do “livre arbítrio”; Alfinete restringia o determinismo às psicopatias, sem negar, por conseqüência, a liberdade de decisão, de escolha, aos demais agrupamentos humanos. Ressalvava, ainda, que o repertório das psicopatias era amplo, o que delongava as diversas esferas do determinismo.
Uma discussão e tanto, que me levou a lembrança de um pequeno conto, eu diria uma fábula, cuja alegoria trata exatamente desta questão. Seríamos vítimas de um determinismo inelutável?
“Era uma vez um escorpião que estava na beira de um rio, quando a vegetação da margem começou a queimar. Ele ficou desesperado, pois, se pulasse na água, morreria afogado e, se permanecesse onde estava, morreria queimado. Nisso, viu um sapo que estava preparando-se para saltar no rio e, assim, livrar-se do fogo. Pediu-lhe, então, que o transportasse nas costas para o outro lado. O sapo respondeu-lhe que não faria de jeito nenhum o que ele estava solicitando, porque ele poderia dar-lhe uma ferroada, levando-o à morte por envenenamento. O escorpião retrucou que o sapo precisaria guiar-se pela lógica; ele não poderia dar-lhe uma ferroada, pois, se o sapo morresse, ele também morreria, porque se afogaria. O sapo disse que o escorpião estava certo e concordou em levá-lo até a outra margem. No meio do rio o escorpião pica o sapo. Este, sentindo a ação do veneno, vira-se para aquele e diz que só gostaria de entender os motivos que fizeram que ele o picasse, já que o ato era prejudicial também ao escorpião. Este, então, reponde que simplesmente não podia negar a sua natureza.”
O que nos conta essa fábula? O óbvio ululante: a imutabilidade da índole do ser humano.
M. AMERICO
Significa afirmar que carregamos na existência um caráter imutável, que sempre nos predisporia a reações automáticas diante de circunstâncias determinadas. Estaríamos, assim, condenados a repetir atitudes como respostas aos eventos significativos na nossa vida? Macarrão não acredita nisso, denominando essa imutabilidade um “determinismo trágico” da existência. Já Alfinete, tecendo considerações sobre a criminalidade, ou seja, sobre as psicopatias que determinam atitudes involuntárias e inconseqüentes, acredita que alguns grupos de pessoas carregam esse caráter imutável. Restringe, no entanto, na sua exposição, que a imutabilidade é um traço distintivo que não abrange a totalidade do grupo humano.
Ouvi as ponderações do Macarrão e do Alfinete. Pautavam por colocar, dentro do problema do possível determinismo do caráter humano, posições opostas: Macarrão não concebia a inexistência do “livre arbítrio”; Alfinete restringia o determinismo às psicopatias, sem negar, por conseqüência, a liberdade de decisão, de escolha, aos demais agrupamentos humanos. Ressalvava, ainda, que o repertório das psicopatias era amplo, o que delongava as diversas esferas do determinismo.
Uma discussão e tanto, que me levou a lembrança de um pequeno conto, eu diria uma fábula, cuja alegoria trata exatamente desta questão. Seríamos vítimas de um determinismo inelutável?
“Era uma vez um escorpião que estava na beira de um rio, quando a vegetação da margem começou a queimar. Ele ficou desesperado, pois, se pulasse na água, morreria afogado e, se permanecesse onde estava, morreria queimado. Nisso, viu um sapo que estava preparando-se para saltar no rio e, assim, livrar-se do fogo. Pediu-lhe, então, que o transportasse nas costas para o outro lado. O sapo respondeu-lhe que não faria de jeito nenhum o que ele estava solicitando, porque ele poderia dar-lhe uma ferroada, levando-o à morte por envenenamento. O escorpião retrucou que o sapo precisaria guiar-se pela lógica; ele não poderia dar-lhe uma ferroada, pois, se o sapo morresse, ele também morreria, porque se afogaria. O sapo disse que o escorpião estava certo e concordou em levá-lo até a outra margem. No meio do rio o escorpião pica o sapo. Este, sentindo a ação do veneno, vira-se para aquele e diz que só gostaria de entender os motivos que fizeram que ele o picasse, já que o ato era prejudicial também ao escorpião. Este, então, reponde que simplesmente não podia negar a sua natureza.”
O que nos conta essa fábula? O óbvio ululante: a imutabilidade da índole do ser humano.
M. AMERICO
sábado, 24 de abril de 2010
VAIDADE DE VAIDADES!
Dos livros bíblicos do Velho Testamento, há dois que consagro especialmente como uma leitura diária: "O livro de Jó" e "O Livro do Eclesiastes ou Pregador". Do Novo Testamento, os Evangelhos, evidentemente, Atos, Romanos e Coríntios (I e II). Não vai nessa indicação qualquer restrição aos demais livros. Como não admirar o Livro dos Salmos? Os Provérbios de Salomão? Mas como disse e repito, voltando ao Velho Testamento, especialmente ao Eclesiastes, vou citar alguns versículos, que calam fundo em mim e sempre me levam a reflexão:
"01. Palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém:
2. Vaidade de vaidades! Diz o pregador, vaidade de vaidades! é tudo vaidade.
M. AMERICO
3. Que vantagem tem o homem, de todo o seu trabalho, que ele faz debaixo do sol?
4. Uma geração vai, e outra geração vem, mas a terra para sempre permanece.
5. E nasce o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar donde nasceu.
6. O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos.
...................................................
9. O que foi, isso é o que há de ser, e o que se fez , isso se tornará a fazer; de modo que nada há novo debaixo do sol.
10. Há alguma coisa de que se possa dizer: vê, isso é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.
11. Já não há lembrança das coisas que precederam; e das coisas que hão de ser também delas não haverá lembrança, nos que hão de vir depois."
Mas por que trago eu palavras bíblicas para um lugar, senão profano, ao menos pequeno demais para acoitá-las?
Para emprestar uma verdade, às observações do nosso cotidiano. Não cansa o homem de repetir nos seus atos, o lugar comum da vaidade, do orgulho, da arrogância. E para mostrar, pelas palavras de Gil Vicente, no seu AUTO DA LUSITÂNIA, o que vemos hoje, incrivelmente, repetir-se.
Gil Vicente é um homem nascido no reinado de D.Afonso V, alguns anos antes ou alguns anos depois de 1465 e falecido entre 1536 e 1540, testemunha, portanto, das lutas políticas do reinado de D.João II, a descoberta da costa africana, a chegada de Vasco da Gama à India, as conquistas de Afonso de Albuquerque, a transformação de Lisboa no cais mundial da pimenta, o fausto do reinado de D.Manuel, a construção dos Jerônimos, do Convento de Tomar e de outros monumentos, as perseguições sangrentas aos cristãos-novos e, finalmente, os começos da crise do reinado de D.João III, que trouxe a Inquisição, a Companhia de Jesus e o ambiente simultaneamente austero e hipócrita que ele próprio personifica na figura de Frei Paço, e que Camões definirá como uma "austera, apagada e vil tristeza". Viveu na época do poder absoluto.
Ignora-se a profissão e a condição social de Gil Vicente. Importa que viveu na corte palaciana e observou criticamente os diversos vícios sociais, especialmente os relativos à nobreza e ao clero.
O teatro vicentino é uma criação a partir de elementos tradicionais mais dispersos legados pela Idade Média. O Auto da Lusitânia é uma fantasia alegórica, em parte proveniente dos momos. O teatro de Gil Vicente é uma criação original e ímpar, de um prodigioso poder de invenção.
Vamos ao Auto, que é o que interessa...
TODO MUNDO e NINGUÉM
(1532) Excerto do AUTO DA LUSITÂNIA
Figuras: Ninguém, Todo o Mundo, Berzebu e Dinato.
[Estão em cena dois diabos, Berzebu e Dinato, este preparado para escrever].
=================
Entra TODO O MUNDO, rico mercador, e faz que anda buscando alguma coisa que lhe perdeu; e logo após ele, um homem, vestido como pobre. Este se chama NINGUÉM, e diz:
Ninguém: Que andas tu i buscando?
Todo o Mundo: Mil cousas ando a buscar: delas não posso achar, porém, ando porfiando, por quão bom é porfiar.
Ninguém: Como hás nome cavaleiro?
Todo o Mundo: Eu hei nome Todo o Mundo, e meu tempo todo inteiro sempre é buscar dinheiro e sempre nisto me fundo.
Ninguém: E eu hei nome Ninguém, e busco a consciência.
[Berzebu para Dinato]
Berzebu: Esta é boa experiência! Dinato, escreve isto bem.
Dinato: Que escreverei, companheiro?
Berzebu: Que Ninguém busca consciência, e Todo o Mundo dinheiro.
[Ninguém para Todo o Mundo].
Ninguém: E agora que buscas lá?
Todo o Mundo: Busco honra muito grande.
Ninguém: E eu virtude, que Deuos mande que tope co'ela já.
[Berzebu para Dinato]
Berzebu: Outra adição nos acude: escreve logo i a fundo, que busca honra Todo o Mundo, e Ninguém busca a virtude.
Ninguém: Buscas outro mor bem qu'esse?
Todo o Mundo: Busco mais quem me louvasse tudo quanto eu fezese.
Ninguém: E eu quem me reprendesse em cada cousa que errasse.
[Berzebu para Dinato]
Berzebu: Escreve mais.
Dinato: Que tens sabido?
Berezebu: Que quer em extremo grado Todo o Mundo ser louvado e Ninguém ser repreendido.
[Ninguém para Todo o Mundo]
Ninguém: Buscas mais,amigo meu?
Todo o Mundo: Busco a vida e quem ma dê.
Ninguém: A vida não sei que é, a morte conheço eu.
[Berzebu para Dinato]
Berzebu: Escreve lá outra sorte.
Dinato: Que sorte?
Berzebu: Muito garrida: Todo o Mundo busca a vida, e Ninguém conhece a morte.
[Todo o Mundo para Ninguém]
Todo o Mundo: E mais queria o Paraíso, sem mo ninguém estrovar.
Ninguém: E eu ponho-me a pagar quanto devo pera isso.
[Berzebu para Dinato]
Berzebu: Escreve com muito aviso.
Dinato: Que escreverei?
Berzebu: Escreve que Todo o Mundo quer paraíso, e Ninguém paga o que deve.
[Todo o Mundo pra Ninguém]
Todo o Mundo: Folgo muito d'enganar, e mentir naceo comigo.
Ninguém: Eu sempre a verdade digo, sem nunca me desviar.
[Berzebu para Dinato]
Berzebu: Ora escreve lá, compadre, não sejas tu preguiçoso!
Dinato: Quê?
Berzebu: Que Todo o Mundo é mentiroso, e Ninguém diz a verdade.
[Ninguém para Todo o Mundo]
Ninguém: Que mais buscas?
Todo o Mundo: Lisonjar.
Ninguém: Eu som todo desengano.
[Berzebu para Dinato]
Berzebu: Escreve, ande la mano!
Dinato: Que me mandas assentar?
Berzebu: Põe aí mui declarado, não fique no tinteiro: Todo o Mundo é lisonjeiro, e Ninguém desenganado.
"01. Palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém:
2. Vaidade de vaidades! Diz o pregador, vaidade de vaidades! é tudo vaidade.
M. AMERICO
3. Que vantagem tem o homem, de todo o seu trabalho, que ele faz debaixo do sol?
4. Uma geração vai, e outra geração vem, mas a terra para sempre permanece.
5. E nasce o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar donde nasceu.
6. O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos.
...................................................
9. O que foi, isso é o que há de ser, e o que se fez , isso se tornará a fazer; de modo que nada há novo debaixo do sol.
10. Há alguma coisa de que se possa dizer: vê, isso é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.
11. Já não há lembrança das coisas que precederam; e das coisas que hão de ser também delas não haverá lembrança, nos que hão de vir depois."
Mas por que trago eu palavras bíblicas para um lugar, senão profano, ao menos pequeno demais para acoitá-las?
Para emprestar uma verdade, às observações do nosso cotidiano. Não cansa o homem de repetir nos seus atos, o lugar comum da vaidade, do orgulho, da arrogância. E para mostrar, pelas palavras de Gil Vicente, no seu AUTO DA LUSITÂNIA, o que vemos hoje, incrivelmente, repetir-se.
Gil Vicente é um homem nascido no reinado de D.Afonso V, alguns anos antes ou alguns anos depois de 1465 e falecido entre 1536 e 1540, testemunha, portanto, das lutas políticas do reinado de D.João II, a descoberta da costa africana, a chegada de Vasco da Gama à India, as conquistas de Afonso de Albuquerque, a transformação de Lisboa no cais mundial da pimenta, o fausto do reinado de D.Manuel, a construção dos Jerônimos, do Convento de Tomar e de outros monumentos, as perseguições sangrentas aos cristãos-novos e, finalmente, os começos da crise do reinado de D.João III, que trouxe a Inquisição, a Companhia de Jesus e o ambiente simultaneamente austero e hipócrita que ele próprio personifica na figura de Frei Paço, e que Camões definirá como uma "austera, apagada e vil tristeza". Viveu na época do poder absoluto.
Ignora-se a profissão e a condição social de Gil Vicente. Importa que viveu na corte palaciana e observou criticamente os diversos vícios sociais, especialmente os relativos à nobreza e ao clero.
O teatro vicentino é uma criação a partir de elementos tradicionais mais dispersos legados pela Idade Média. O Auto da Lusitânia é uma fantasia alegórica, em parte proveniente dos momos. O teatro de Gil Vicente é uma criação original e ímpar, de um prodigioso poder de invenção.
Vamos ao Auto, que é o que interessa...
TODO MUNDO e NINGUÉM
(1532) Excerto do AUTO DA LUSITÂNIA
Figuras: Ninguém, Todo o Mundo, Berzebu e Dinato.
[Estão em cena dois diabos, Berzebu e Dinato, este preparado para escrever].
=================
Entra TODO O MUNDO, rico mercador, e faz que anda buscando alguma coisa que lhe perdeu; e logo após ele, um homem, vestido como pobre. Este se chama NINGUÉM, e diz:
Ninguém: Que andas tu i buscando?
Todo o Mundo: Mil cousas ando a buscar: delas não posso achar, porém, ando porfiando, por quão bom é porfiar.
Ninguém: Como hás nome cavaleiro?
Todo o Mundo: Eu hei nome Todo o Mundo, e meu tempo todo inteiro sempre é buscar dinheiro e sempre nisto me fundo.
Ninguém: E eu hei nome Ninguém, e busco a consciência.
[Berzebu para Dinato]
Berzebu: Esta é boa experiência! Dinato, escreve isto bem.
Dinato: Que escreverei, companheiro?
Berzebu: Que Ninguém busca consciência, e Todo o Mundo dinheiro.
[Ninguém para Todo o Mundo].
Ninguém: E agora que buscas lá?
Todo o Mundo: Busco honra muito grande.
Ninguém: E eu virtude, que Deuos mande que tope co'ela já.
[Berzebu para Dinato]
Berzebu: Outra adição nos acude: escreve logo i a fundo, que busca honra Todo o Mundo, e Ninguém busca a virtude.
Ninguém: Buscas outro mor bem qu'esse?
Todo o Mundo: Busco mais quem me louvasse tudo quanto eu fezese.
Ninguém: E eu quem me reprendesse em cada cousa que errasse.
[Berzebu para Dinato]
Berzebu: Escreve mais.
Dinato: Que tens sabido?
Berezebu: Que quer em extremo grado Todo o Mundo ser louvado e Ninguém ser repreendido.
[Ninguém para Todo o Mundo]
Ninguém: Buscas mais,amigo meu?
Todo o Mundo: Busco a vida e quem ma dê.
Ninguém: A vida não sei que é, a morte conheço eu.
[Berzebu para Dinato]
Berzebu: Escreve lá outra sorte.
Dinato: Que sorte?
Berzebu: Muito garrida: Todo o Mundo busca a vida, e Ninguém conhece a morte.
[Todo o Mundo para Ninguém]
Todo o Mundo: E mais queria o Paraíso, sem mo ninguém estrovar.
Ninguém: E eu ponho-me a pagar quanto devo pera isso.
[Berzebu para Dinato]
Berzebu: Escreve com muito aviso.
Dinato: Que escreverei?
Berzebu: Escreve que Todo o Mundo quer paraíso, e Ninguém paga o que deve.
[Todo o Mundo pra Ninguém]
Todo o Mundo: Folgo muito d'enganar, e mentir naceo comigo.
Ninguém: Eu sempre a verdade digo, sem nunca me desviar.
[Berzebu para Dinato]
Berzebu: Ora escreve lá, compadre, não sejas tu preguiçoso!
Dinato: Quê?
Berzebu: Que Todo o Mundo é mentiroso, e Ninguém diz a verdade.
[Ninguém para Todo o Mundo]
Ninguém: Que mais buscas?
Todo o Mundo: Lisonjar.
Ninguém: Eu som todo desengano.
[Berzebu para Dinato]
Berzebu: Escreve, ande la mano!
Dinato: Que me mandas assentar?
Berzebu: Põe aí mui declarado, não fique no tinteiro: Todo o Mundo é lisonjeiro, e Ninguém desenganado.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
COISA SIMPLES
Eu já falei da poesia de Adélia Prado. E da poesia da Cora Coralina. Elas têm uma identificação: o jeito especial de olhar a vida. Porque a descoberta da banalidade, que afinal de contas é o que constrói a nossa vida do dia-a-dia, a descoberta da beleza que há na banalidade, é que nos permite desvendar os mistérios da poesia que encharca os arredores da vida, e pode nos encantar para sempre.
Uma vez encantados, seremos como os pintores que percebem matizes de cores, onde apenas percebemos o cinza...
Descubro o mistério da simplicidade poética, no jeito como Adélia Prado recorta a realidade. A gente apenas olha para a poesia da Adélia. Sentir é só uma conseqüência...
SOLAR
M. AMERICO
Minha mãe cozinhava exatamente:
arroz, feijão roxinho, molho de batatinhas.
Mas cantava.
DIA
As galinhas com susto abrem o bico
e param daquele jeito imóvel
- ia dizer imoral -
as barbelas e as cristas envermelhadas,
só as artérias palpitando no pescoço.
Uma mulher espantada com sexo:
mas gostando muito.
Encontro em Rubem Alves as palavras que escreveria, e que se tornaram desnecessárias pela escritura que ele derrama. Assim, dou a palavra ao professor e contador de histórias.
"A poesia gosta mesmo é de coisas simples. Basta uma imagem banal. A Adélia Prado é especialista em fazer poesias com insignificâncias. Quiabo 'chifre de veado'. ora-pro-nobis, tanajuras, galinhas, ovos, escamação de peixes, galinhas de bico aberto, a mãe cantando enquanto cozinhava extamente arroz, feijão roxinho e molho de batatinhas: com essas coisas ela faz poesia. Pois poesia é feito caleidoscópio: faz beleza com caquinhos de vidro. Por que é que os poetas são assim tão ligados às insignificâncias? Por que é com insignificâncias que a vida é feita. Pois eu escrevi sobre a insignificância de chupar laranjas...
O Zé, marido da Adélia, me mandou e-mail imediato lá de Divinópolis, juntando-se a minha conversa sobre os jeitos de chupar laranjas. E ele me disse que por lá os pobres também chupavam de gomo. Só que enfiavam o gomo inteiro na boca, depois cuspiam os caroços e engoliam o bagaço. Isso, por causa da prisão de ventre. Se eu escrevi e o Zé me respondeu é porque a amizade se faz com insignificâncias.
Em Minas Gerais até jeito de chupar laranjas é poesia..."
Uma vez encantados, seremos como os pintores que percebem matizes de cores, onde apenas percebemos o cinza...
Descubro o mistério da simplicidade poética, no jeito como Adélia Prado recorta a realidade. A gente apenas olha para a poesia da Adélia. Sentir é só uma conseqüência...
SOLAR
M. AMERICO
Minha mãe cozinhava exatamente:
arroz, feijão roxinho, molho de batatinhas.
Mas cantava.
DIA
As galinhas com susto abrem o bico
e param daquele jeito imóvel
- ia dizer imoral -
as barbelas e as cristas envermelhadas,
só as artérias palpitando no pescoço.
Uma mulher espantada com sexo:
mas gostando muito.
Encontro em Rubem Alves as palavras que escreveria, e que se tornaram desnecessárias pela escritura que ele derrama. Assim, dou a palavra ao professor e contador de histórias.
"A poesia gosta mesmo é de coisas simples. Basta uma imagem banal. A Adélia Prado é especialista em fazer poesias com insignificâncias. Quiabo 'chifre de veado'. ora-pro-nobis, tanajuras, galinhas, ovos, escamação de peixes, galinhas de bico aberto, a mãe cantando enquanto cozinhava extamente arroz, feijão roxinho e molho de batatinhas: com essas coisas ela faz poesia. Pois poesia é feito caleidoscópio: faz beleza com caquinhos de vidro. Por que é que os poetas são assim tão ligados às insignificâncias? Por que é com insignificâncias que a vida é feita. Pois eu escrevi sobre a insignificância de chupar laranjas...
O Zé, marido da Adélia, me mandou e-mail imediato lá de Divinópolis, juntando-se a minha conversa sobre os jeitos de chupar laranjas. E ele me disse que por lá os pobres também chupavam de gomo. Só que enfiavam o gomo inteiro na boca, depois cuspiam os caroços e engoliam o bagaço. Isso, por causa da prisão de ventre. Se eu escrevi e o Zé me respondeu é porque a amizade se faz com insignificâncias.
Em Minas Gerais até jeito de chupar laranjas é poesia..."
quarta-feira, 21 de abril de 2010
"O HOMEM NÃO TRAMOU O TECIDO DA VIDA: ELE É SIMPLESMENTE UM DE SEUS FIOS".
"Somos o que pensamos", já disse um filósofo; mas também somos o modo como organizamos a cadeia de atos da nossa vida diária. Ele refletir-se-á, indubitavelmente, na nossa vida futura. Essa colocação é válida para as diversas dimensões da nossa existência.
É preciso despertar e tomar consciência desse fato. É necessário nos darmos conta da simplicidade, em meio a barafunda que transforma a vida numa corrida louca atrás de coisa nenhuma. É indispensável perceber o nosso destino como seres humanos e não como peças de uma enorme engrenagem.
O nosso tempo histórico é um tempo de velocidade, de aceleração; a nossa vida organiza-se em torno de momentos descontínuos, não nos permitindo pausar, refletir sobre o sentido do que está acontecendo.
Estamos aturdidos pela transitoriedade, pela impermanência dos nossos referenciais. Nunca um sistema provocou tantos desarranjos e tantos efeitos secundários indesejáveis, desarticulando a vida de uma maneira tão violenta, destroçando paradigmas, procurando alicerçar a vida e a extensão do bem-estar no acesso aos produtos industriais, sem medir o significado e os efeitos de uma produção em escala monumental de bens de consumo.
O consumo como "filosofia de vida" é apregoado pelos profetas midiáticos, em todas as partes do planeta ocidental. Afogamo-nos no tumulto das novidades tecnológicas e acabamos perdendo de vista o que é essencial, o que verdadeiramente nos proporcionará o prazer de viver: a saúde, o amor, a solidariedade, a comunidade universal.
Podemos perder muitas coisas na vida; podemos até recuperar muitas coisas na vida, mas não podemos nos permitir perder a visão macro da vida. E se a perdermos, poderemos até recuperá-la, mas é um caminho árduo e doloroso. Um caminho difícil. E quantos de nós teremos a força necessária para refazê-lo?
Não podemos cair na armadilha que nos transformará em simples consumidores de novidades inúteis. Isso nos tornará impotentes, devastará a nossa vida e perderemos a simplicidade de olhar a nossa volta e redescobrirmos a plenitude da vida. Impedirá que possamos cuidar do nosso semelhante, curar a nós mesmos.
Sabemos que a loucura desse modelo de consumo desenfreado é um pesadelo, embora muitos pensem que seja um belo sonho de promessas douradas.
Para consumirmos tantas bugigangas, estamos emporcalhando a nossa casa planetária, extinguindo os seus recursos. Será que esse "progresso" (em nome de quê, e em que direção?) que assistimos boquiabertos de admiração, não é apenas um grande engodo? A que ele nos está levando? Ao exercício da alienação?
Percebo o desperdício dos recursos naturais; leio sobre a grande crise hídrica que se aproxima, pela poluição das fontes naturais e dos rios; da intoxicação do meio ambiente, da extinção de tantas espécies, alterando a cadeia elementar da vida... Ouço falar de agrotóxicos que "beneficiam a produção e a economia", devastando o meio ambiente; ouço dizer dos transgênicos, que aumentarão a exportação... Percebo que o "progresso" é uma grande e perversa 'armação'.
Vou transcrever o excerto de um livro: 'O despertar da águia', de Leonardo Boff. Particularmente, considero esse livro um guia para a difícil arte de ser humano.
"Com acerto escrevia o cacique pele-vermelha Seattle, ao governador Stevens, do Estado de Washington, em 1856, quando este forçou a venda das terras indígenas aos colonizadores europeus. O cacique, com razão, não entendia por que se pretendia comprar a terra. Pode-se comprar e vender a aragem, o verde das plantas, a limpidez da água e o esplendor da paisagem?
Neste contexto reflete que os peles-vermelhas compreenderiam o porquê e a civilização dos brancos "se conhecessem os sonhos do homem branco, se soubessem quais as esperanças que ele transmite a seus filhos e filhas nas longas noites de inverno, e quais as visões de futuro que oferece para o dia de amanhã".
Qual é o nosso sonho? Que esperanças transmitimos aos jovens? Que visões de futuro ocupam as mentes e o imaginário coletivo através das escolas, dos meios de comunicação e de nossa capacidade de criar valores? Que cuidado desenvolvemos para com a natureza e que benevolência suscitamos para com todos os seres da criação? Que novas tecnologias utilizamos que não neguem a poesia e a gratuidade? Que irmandade estabelecemos entre todos os povos e culturas? Que nome damos ao Mistério que nos circunda e com que símbolos, festas e danças o celebramos?
As respostas a estas indagações geram um novo padrão civilizatório.
Face às transformações que atingem os fundamentos de nossa civilização atual indagamos: quais são os atores sociais que propõem um novo sonho histórico e desenham um novo horizonte de esperança? Quem são os sujeitos coletivos gestadores da nova civilização?
Sem detalharmos a resposta podemos dizer: eles se encontram em todas as culturas e em todos os quadrantes da Terra. Eles irrompem de todos os estratos sociais e de todas as tradições espirituais. Eles estão em toda parte. Mas são principalmente os insatisfeitos com o atual modo de viver, de trabalhar, de sofrer, de alegrar-se e de morrer; em particular, os excluídos, os oprimidos e os marginalizados. São aqueles que, mesmo dando pequenos passos, ensaiam um comportamento alternativo e enunciam pensamentos criadores. São ainda aqueles que ousam organizar-se ao redor de certas buscas, de certos níveis de consciência, de certos valores, de certas práticas e de certos sonhos, de certa veneração do Mistério e juntos começam a criar visões e convicções que irradiam uma nova vitalidade em tudo o que pensam, projetam, fazem e celebram.
Por tais sendas desponta a nova civilização que será de agora em diante não mais regional, mas coletiva e planetária; e esperamos, mais solidária, mais ecológica, mais integradora e mais espiritual."
Os que acompanharam até aqui essa reflexão sobre o nosso presente e sobre o que esperarmos do nosso futuro, partilhem comigo a esperança de um novo milênio, que possa ser herança dos homens vindouros.
M. AMERICO
É preciso despertar e tomar consciência desse fato. É necessário nos darmos conta da simplicidade, em meio a barafunda que transforma a vida numa corrida louca atrás de coisa nenhuma. É indispensável perceber o nosso destino como seres humanos e não como peças de uma enorme engrenagem.
O nosso tempo histórico é um tempo de velocidade, de aceleração; a nossa vida organiza-se em torno de momentos descontínuos, não nos permitindo pausar, refletir sobre o sentido do que está acontecendo.
Estamos aturdidos pela transitoriedade, pela impermanência dos nossos referenciais. Nunca um sistema provocou tantos desarranjos e tantos efeitos secundários indesejáveis, desarticulando a vida de uma maneira tão violenta, destroçando paradigmas, procurando alicerçar a vida e a extensão do bem-estar no acesso aos produtos industriais, sem medir o significado e os efeitos de uma produção em escala monumental de bens de consumo.
O consumo como "filosofia de vida" é apregoado pelos profetas midiáticos, em todas as partes do planeta ocidental. Afogamo-nos no tumulto das novidades tecnológicas e acabamos perdendo de vista o que é essencial, o que verdadeiramente nos proporcionará o prazer de viver: a saúde, o amor, a solidariedade, a comunidade universal.
Podemos perder muitas coisas na vida; podemos até recuperar muitas coisas na vida, mas não podemos nos permitir perder a visão macro da vida. E se a perdermos, poderemos até recuperá-la, mas é um caminho árduo e doloroso. Um caminho difícil. E quantos de nós teremos a força necessária para refazê-lo?
Não podemos cair na armadilha que nos transformará em simples consumidores de novidades inúteis. Isso nos tornará impotentes, devastará a nossa vida e perderemos a simplicidade de olhar a nossa volta e redescobrirmos a plenitude da vida. Impedirá que possamos cuidar do nosso semelhante, curar a nós mesmos.
Sabemos que a loucura desse modelo de consumo desenfreado é um pesadelo, embora muitos pensem que seja um belo sonho de promessas douradas.
Para consumirmos tantas bugigangas, estamos emporcalhando a nossa casa planetária, extinguindo os seus recursos. Será que esse "progresso" (em nome de quê, e em que direção?) que assistimos boquiabertos de admiração, não é apenas um grande engodo? A que ele nos está levando? Ao exercício da alienação?
Percebo o desperdício dos recursos naturais; leio sobre a grande crise hídrica que se aproxima, pela poluição das fontes naturais e dos rios; da intoxicação do meio ambiente, da extinção de tantas espécies, alterando a cadeia elementar da vida... Ouço falar de agrotóxicos que "beneficiam a produção e a economia", devastando o meio ambiente; ouço dizer dos transgênicos, que aumentarão a exportação... Percebo que o "progresso" é uma grande e perversa 'armação'.
Vou transcrever o excerto de um livro: 'O despertar da águia', de Leonardo Boff. Particularmente, considero esse livro um guia para a difícil arte de ser humano.
"Com acerto escrevia o cacique pele-vermelha Seattle, ao governador Stevens, do Estado de Washington, em 1856, quando este forçou a venda das terras indígenas aos colonizadores europeus. O cacique, com razão, não entendia por que se pretendia comprar a terra. Pode-se comprar e vender a aragem, o verde das plantas, a limpidez da água e o esplendor da paisagem?
Neste contexto reflete que os peles-vermelhas compreenderiam o porquê e a civilização dos brancos "se conhecessem os sonhos do homem branco, se soubessem quais as esperanças que ele transmite a seus filhos e filhas nas longas noites de inverno, e quais as visões de futuro que oferece para o dia de amanhã".
Qual é o nosso sonho? Que esperanças transmitimos aos jovens? Que visões de futuro ocupam as mentes e o imaginário coletivo através das escolas, dos meios de comunicação e de nossa capacidade de criar valores? Que cuidado desenvolvemos para com a natureza e que benevolência suscitamos para com todos os seres da criação? Que novas tecnologias utilizamos que não neguem a poesia e a gratuidade? Que irmandade estabelecemos entre todos os povos e culturas? Que nome damos ao Mistério que nos circunda e com que símbolos, festas e danças o celebramos?
As respostas a estas indagações geram um novo padrão civilizatório.
Face às transformações que atingem os fundamentos de nossa civilização atual indagamos: quais são os atores sociais que propõem um novo sonho histórico e desenham um novo horizonte de esperança? Quem são os sujeitos coletivos gestadores da nova civilização?
Sem detalharmos a resposta podemos dizer: eles se encontram em todas as culturas e em todos os quadrantes da Terra. Eles irrompem de todos os estratos sociais e de todas as tradições espirituais. Eles estão em toda parte. Mas são principalmente os insatisfeitos com o atual modo de viver, de trabalhar, de sofrer, de alegrar-se e de morrer; em particular, os excluídos, os oprimidos e os marginalizados. São aqueles que, mesmo dando pequenos passos, ensaiam um comportamento alternativo e enunciam pensamentos criadores. São ainda aqueles que ousam organizar-se ao redor de certas buscas, de certos níveis de consciência, de certos valores, de certas práticas e de certos sonhos, de certa veneração do Mistério e juntos começam a criar visões e convicções que irradiam uma nova vitalidade em tudo o que pensam, projetam, fazem e celebram.
Por tais sendas desponta a nova civilização que será de agora em diante não mais regional, mas coletiva e planetária; e esperamos, mais solidária, mais ecológica, mais integradora e mais espiritual."
Os que acompanharam até aqui essa reflexão sobre o nosso presente e sobre o que esperarmos do nosso futuro, partilhem comigo a esperança de um novo milênio, que possa ser herança dos homens vindouros.
M. AMERICO
terça-feira, 20 de abril de 2010
AMEI NOSSOS ANCESTRAIS
Não sei não... Mas sabe que eu já desconfiava dessa história? O que vem acontecendo no Brasil nesses últimos anos, me fez pensar seriamente que descendíamos das bactérias. Não estou brincando não, mas aquela brincadeira de chamar o pouco esperto ou mal dotado de ameba, sempre me levava a refletir se realmente era possível essa descendência. Repito: não estou brincando não!
De repente, vem um astrofísico de renome mundial, com um nome pra lá de Guerra nas Estrelas, chamado Chandra Wickramasinghe, e diz que podemos ser descendentes de bactérias alienígenas. Não é ótimo isso?
Além de confirmar as minhas antigas suspeitas, nunca publicadas por falta de provas científicas, embora as históricas estejam aí, nas nossas fuças, não tentei divulgar por falta de apoio da grande imprensa.
Tudo teria sido forjado nas estrelas, que explodiram há bilhões de anos, espalhando nuvens de detritos por toda a Via Láctea do nosso poeta Bilac. Tudo o que está no planetinha: do oxigênio que respiramos a água que bebemos. Palavra do Chandra que não brinca! Vai nesse rol de coisas, do silício dos chips ao urânio das bombas (que não querem deixar o Irã ter uma ou várias). E das nuvens fez-se o Sistema Solar. Toda essa história, um pouco recente, coisa de 4,5 bilhões de anos.
Desse PUM cósmico surgiu o nosso planetinha Terra. E como era de se esperar, esse pum gerou a vida!
Até hoje se discute se a patente da vida seria apenas nossa, seres inteligentes (hoje mais que provado, que fica cada vez mais difícil provar a inteligência desses seres).
E o Chandra disse que não. Para sorte do Universo, não somos os únicos a habitar o quarto dos fundos da escuridão cósmica. Mais de 400 moléculas orgânicas foram detectadas em nuvens, logo ali adiante, cerca de alguns milhões de anos-luz da Terra.
Aí o cingalês, teimoso como aquela criança que não pára de encher o saco do professor, pergunta pra Deus: "Como surgiram e foram parar lá?" E Deus, já ressabiado com a história da Igreja, que jurava de pés juntos que a Terra era o centro do Universo, e queimou um bocado de gente por conta desssa Verdade, deve ter respondido pro Chandra: "Filho, deixa isso pra lá... Você vai acabar me deixando em maus lençois!"
Mas o cingalês, teimoso como uma criança mal-educada, foi lá e trouxe uma tremenda verdade: a vida veio do espaço! Somos descendentes diretos de vírus alienígenas.
Agora eu entendi por que todo ET é feio pra cacete! É que eles são vírus! Vocês já viram as bactérias que a Rede Globo mostra nas escovas de dentes, chamada da Colgate? Pois então! Imagina a cara dos vírus?!
E o Chandra fala sério! Ele e o amiguinho dele, um tal de Fred Hoyle
Acho que esta noite eu vou ter pesadelo... Já imaginou um vírus alienígeno, vindo de milhões de anos-luz entrando pela janela do seu quarto? AFF!!!
M. AMERICO
De repente, vem um astrofísico de renome mundial, com um nome pra lá de Guerra nas Estrelas, chamado Chandra Wickramasinghe, e diz que podemos ser descendentes de bactérias alienígenas. Não é ótimo isso?
Além de confirmar as minhas antigas suspeitas, nunca publicadas por falta de provas científicas, embora as históricas estejam aí, nas nossas fuças, não tentei divulgar por falta de apoio da grande imprensa.
Tudo teria sido forjado nas estrelas, que explodiram há bilhões de anos, espalhando nuvens de detritos por toda a Via Láctea do nosso poeta Bilac. Tudo o que está no planetinha: do oxigênio que respiramos a água que bebemos. Palavra do Chandra que não brinca! Vai nesse rol de coisas, do silício dos chips ao urânio das bombas (que não querem deixar o Irã ter uma ou várias). E das nuvens fez-se o Sistema Solar. Toda essa história, um pouco recente, coisa de 4,5 bilhões de anos.
Desse PUM cósmico surgiu o nosso planetinha Terra. E como era de se esperar, esse pum gerou a vida!
Até hoje se discute se a patente da vida seria apenas nossa, seres inteligentes (hoje mais que provado, que fica cada vez mais difícil provar a inteligência desses seres).
E o Chandra disse que não. Para sorte do Universo, não somos os únicos a habitar o quarto dos fundos da escuridão cósmica. Mais de 400 moléculas orgânicas foram detectadas em nuvens, logo ali adiante, cerca de alguns milhões de anos-luz da Terra.
Aí o cingalês, teimoso como aquela criança que não pára de encher o saco do professor, pergunta pra Deus: "Como surgiram e foram parar lá?" E Deus, já ressabiado com a história da Igreja, que jurava de pés juntos que a Terra era o centro do Universo, e queimou um bocado de gente por conta desssa Verdade, deve ter respondido pro Chandra: "Filho, deixa isso pra lá... Você vai acabar me deixando em maus lençois!"
Mas o cingalês, teimoso como uma criança mal-educada, foi lá e trouxe uma tremenda verdade: a vida veio do espaço! Somos descendentes diretos de vírus alienígenas.
Agora eu entendi por que todo ET é feio pra cacete! É que eles são vírus! Vocês já viram as bactérias que a Rede Globo mostra nas escovas de dentes, chamada da Colgate? Pois então! Imagina a cara dos vírus?!
E o Chandra fala sério! Ele e o amiguinho dele, um tal de Fred Hoyle
Acho que esta noite eu vou ter pesadelo... Já imaginou um vírus alienígeno, vindo de milhões de anos-luz entrando pela janela do seu quarto? AFF!!!
M. AMERICO
segunda-feira, 19 de abril de 2010
SAÚDE AMORDAÇADA ( II )
Os brasileiros adoram tomar analgésicos e antiinflamatórios! São os grandes campeões de consumo, ao lado dos ansiolíticos, os conhecidos tranqüilizantes, adquiridos indiscriminadamente e pelas mais simples razões: insônia, inquietação, a menor ansiedade ou pânico ou simples mau humor... E o cordão dos dependentes, cada vez aumenta mais!
A 'caixa preta' do patrocínio em pesquisas já começa a preocupar entidades médicas e os próprios pesquisadores! Os conflitos de interesse entre os cientistas e a indústria farmacêutica são objeto de estudo importante nos últimos anos.
Os patrocinadores exercem o absoluto controle da pesquisa, através de contratos! Determinam quem pesquisa e quem deve ser afastado! O que pode ou não ser divulgado! Rumorosos casos de pesquisas, que terminaram na constatação de medicamentos perigosos caíram no silêncio das cláusulas de confidencialidade. Ainda que houvesse ameaça a saúde dos consumidores! Uma ética às avessas.
Cada novo remédio custa entre 300 e 500 milhões de dólares. O lucro? Supera em muito o investimento! O caso Viagra: a galinha de ouro da Pfizer! O remédio rendeu - apenas em 2001 - 1,3 bilhão de dólares! No mesmo período os novos ansiolíticos e outras drogas para doenças cardiovasculares faturaram 90 bilhões de dólares!
Nas suas campanhas, os laboratórios são generosos! É comum, no Brasil, os médicos receberem mimos e presentes, como jantares em restaurantes de luxo, viagens internacionais, participação em congressos com tudo pago etc.
A banalização dessa prática levou o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) a bater forte na indústria farmacêutica, exigindo comportamento ético dos profissionais ante a "cortezia" dos laboratórios.
O médico tem cada vez menos tempo para o seu paciente. A grande arma terapêutica, que é o contato com o paciente (a conversa fiada, mas reconfortante, a simpatia do encontro, o acolhimento, do nome próprio pronunciado a reboque do diagnóstico...), já está em desuso, estimulando a utilização de remédios, como prática de abreviar a consulta! Prescrever sem olhar o quê e sem saber a quem!
O problema é que os especialistas sabem que qualquer droga é perigosa, em maior ou menor grau. Exemplo: reposições hormonais. Um único miligrama de hormônio - substância naturalmente produzida por uma glândula - é suficiente para alterar o funcionamento de sistemas vitais, as características morfológicas e o humor de uma pessoa. Bastam por exemplo, 50 trilionésimos de grama de estrógeno por milímetro de sangue, para garantir às mulheres, as formas arredondadas e a graciosidade dos traços delicados que são a marca do feminino.
Como a produção natural do estrógeno decai na menopausa, tornou-se hábito suplementá-lo em mulheres nessa fase da vida, com a adição de hormônio sintético. O problema é que desde a década de 70, os efeitos deletérios vêm sendo constatados entre os quais o câncer de útero.
Todo medicamento tem efeitos colaterais: os antialérgicos causam sonolência e dificuldade de concentração; os antibióticos prejudicam o fígado e os rins e até podem causar surdez; a cortisona provoca pressão alta e úlcera. Antiinflamatórios podem provocar úlcera, gastrite e hemorragia digestiva; os suplementos vitamínicos podem ter efeitos indesejáveis; o excesso de vitamina C pode levar a litíase renal e o das vitaminas A,
D, E e K, causar lesões no fígado. Muita vitamina A provoca também fadiga, insônia e agitação.
A intervenção para aliviar tais efeitos com outros medicamentos, não raro fecha o circuito de complicações das quais o paciente não consegue se libertar facilmente.
Casos comuns de dependência estão ligados aos benzodiazepínicos (calmantes) e as anfetaminas (usadas nos moderadores de apetite).
"A hipocondria é um dos recursos do homem para lidar com as dores do drama de sua existência", diz o psicólogo Rubens Volich em seu livro Hipocondria: impasses da alma, desafios do corpo.
Sempre convencem o médico a prescrever algum medicamento. E retornam a ele muitas vezes, por obra dos próprios medicamentos ingeridos.
A maioria dos hipocondríacos sofre de depressão, diz o psiquiatra Marcelo Niel. "E enquanto esse problema não for tratado, eles continuam expostos a medicamentos desnecessários". Como estão sempre ingerindo algum tipo de medicamento, há uma propensão a se tornarem dependentes. Marcelo diz que considera normal que alguém tome um calmante em um momento especificamente insuportável. "O problema é quando qualquer situação de desconforto passa a ser esse momento crítico", diz o psiquiatra.
Os especialistas são unânimes em concordar num ponto de que pouca gente se dá conta: a maior parte das doenças pode ser curada pela ação do próprio organismo.
"A natureza resolve sozinha 90% dos problemas de saúde", diz o médico Daniel Sigulem, professor da Universidade Federal de São Paulo. "Em geral, pede-se aos médicos apenas que não atrapalhem".
Essa conclusão, seguramente você não encontrará em bulas de remédios...
[Este artigo baseou-se em informações da matéria Viciados em remédios, Jomar Morais.]
Luz e consciência.
M. AMERICO
A 'caixa preta' do patrocínio em pesquisas já começa a preocupar entidades médicas e os próprios pesquisadores! Os conflitos de interesse entre os cientistas e a indústria farmacêutica são objeto de estudo importante nos últimos anos.
Os patrocinadores exercem o absoluto controle da pesquisa, através de contratos! Determinam quem pesquisa e quem deve ser afastado! O que pode ou não ser divulgado! Rumorosos casos de pesquisas, que terminaram na constatação de medicamentos perigosos caíram no silêncio das cláusulas de confidencialidade. Ainda que houvesse ameaça a saúde dos consumidores! Uma ética às avessas.
Cada novo remédio custa entre 300 e 500 milhões de dólares. O lucro? Supera em muito o investimento! O caso Viagra: a galinha de ouro da Pfizer! O remédio rendeu - apenas em 2001 - 1,3 bilhão de dólares! No mesmo período os novos ansiolíticos e outras drogas para doenças cardiovasculares faturaram 90 bilhões de dólares!
Nas suas campanhas, os laboratórios são generosos! É comum, no Brasil, os médicos receberem mimos e presentes, como jantares em restaurantes de luxo, viagens internacionais, participação em congressos com tudo pago etc.
A banalização dessa prática levou o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) a bater forte na indústria farmacêutica, exigindo comportamento ético dos profissionais ante a "cortezia" dos laboratórios.
O médico tem cada vez menos tempo para o seu paciente. A grande arma terapêutica, que é o contato com o paciente (a conversa fiada, mas reconfortante, a simpatia do encontro, o acolhimento, do nome próprio pronunciado a reboque do diagnóstico...), já está em desuso, estimulando a utilização de remédios, como prática de abreviar a consulta! Prescrever sem olhar o quê e sem saber a quem!
O problema é que os especialistas sabem que qualquer droga é perigosa, em maior ou menor grau. Exemplo: reposições hormonais. Um único miligrama de hormônio - substância naturalmente produzida por uma glândula - é suficiente para alterar o funcionamento de sistemas vitais, as características morfológicas e o humor de uma pessoa. Bastam por exemplo, 50 trilionésimos de grama de estrógeno por milímetro de sangue, para garantir às mulheres, as formas arredondadas e a graciosidade dos traços delicados que são a marca do feminino.
Como a produção natural do estrógeno decai na menopausa, tornou-se hábito suplementá-lo em mulheres nessa fase da vida, com a adição de hormônio sintético. O problema é que desde a década de 70, os efeitos deletérios vêm sendo constatados entre os quais o câncer de útero.
Todo medicamento tem efeitos colaterais: os antialérgicos causam sonolência e dificuldade de concentração; os antibióticos prejudicam o fígado e os rins e até podem causar surdez; a cortisona provoca pressão alta e úlcera. Antiinflamatórios podem provocar úlcera, gastrite e hemorragia digestiva; os suplementos vitamínicos podem ter efeitos indesejáveis; o excesso de vitamina C pode levar a litíase renal e o das vitaminas A,
D, E e K, causar lesões no fígado. Muita vitamina A provoca também fadiga, insônia e agitação.
A intervenção para aliviar tais efeitos com outros medicamentos, não raro fecha o circuito de complicações das quais o paciente não consegue se libertar facilmente.
Casos comuns de dependência estão ligados aos benzodiazepínicos (calmantes) e as anfetaminas (usadas nos moderadores de apetite).
"A hipocondria é um dos recursos do homem para lidar com as dores do drama de sua existência", diz o psicólogo Rubens Volich em seu livro Hipocondria: impasses da alma, desafios do corpo.
Sempre convencem o médico a prescrever algum medicamento. E retornam a ele muitas vezes, por obra dos próprios medicamentos ingeridos.
A maioria dos hipocondríacos sofre de depressão, diz o psiquiatra Marcelo Niel. "E enquanto esse problema não for tratado, eles continuam expostos a medicamentos desnecessários". Como estão sempre ingerindo algum tipo de medicamento, há uma propensão a se tornarem dependentes. Marcelo diz que considera normal que alguém tome um calmante em um momento especificamente insuportável. "O problema é quando qualquer situação de desconforto passa a ser esse momento crítico", diz o psiquiatra.
Os especialistas são unânimes em concordar num ponto de que pouca gente se dá conta: a maior parte das doenças pode ser curada pela ação do próprio organismo.
"A natureza resolve sozinha 90% dos problemas de saúde", diz o médico Daniel Sigulem, professor da Universidade Federal de São Paulo. "Em geral, pede-se aos médicos apenas que não atrapalhem".
Essa conclusão, seguramente você não encontrará em bulas de remédios...
[Este artigo baseou-se em informações da matéria Viciados em remédios, Jomar Morais.]
Luz e consciência.
M. AMERICO
domingo, 18 de abril de 2010
SAÚDE AMORDAÇADA ( I )
Qualquer pessoa medianamente escolarizada, ou razoavelmente informada, será capaz de melhores opções quando falamos de saúde. Será capaz de pensar a sua saúde. Não há quem consiga escapar da neurose de informação que o sistema global derrama sobre as nossas cabeças. Mas, como disse inicialmente, o mínimo de compreensão e condições de interpretação, será necessário, para que se possa assimilar o que acontece ao nosso redor. Há um grande bolsão de comunidades pobres nesse nosso Brasil, sabemos disso, onde sequer a luz elétrica chegou, e muito menos a informação sobre saúde e higiene, em sentido amplo. Comunidades onde há muita fome, muita desnutrição, muita "miséria absoluta", que os números estatísticos sequer dão conta de traduzir.
A realidade da miséria não se traduz em escalas matemáticas, em cálculos, em curvas esotéricas no grande mapa "ibegeano" da fome brasileira, do desamparo brasileiro, onde não há lugar para se discutir sobre saúde. Mesmo nos centros urbanos, onde essa miséria anda catando o que comer nos aterros sanitários, nos lixões, a opção por saúde seria uma piada de humor negro.
Mas nesse mesmo centro urbano, há também aqueles que participam do acesso ao conforto da informação, do alimento, da higiene. Referia-me, inicialmente a esses, e retorno ao fio da meada.
Então, ser minimamente escolarizado, ou razoavelmente informado, não nos dá mais o direito de atropelar os princípios básicos do bom-senso, que segundo Descartes "é o bem melhor distribuído, de tal forma que todos julgamos possuí-lo satisfatoriamente". Assim, vamos ao que interessa.
Alguém desconhece o axioma fundamental da sociedade de mercado? Acredito que não. Vender, vender, vender... Os fins justificam os meios! Não importa o que vendemos e o que acontece com quem consome! O que importa é a mais-valia!
E nesse maquiávelico projeto, a saúde também se transforma numa meta de consumo!
Nunca, em qualquer tempo, foi tão nefasto delegar a autoridade de gerenciar a vida e a saúde!
Irresponsabilidade, despreparo, ganância, mercantilismo etc, tudo somado e bem empacotado, tem sido jogado na nossa cara! Pior: no nosso corpo! E temos participado dessa trama, com a solene inconsciência dos ignorantes! Mas abusamos do direito de ignorar! As informações despencam sobre nossas cabeças, como as folhas das árvores caem no outono. Ignoramos porque desejamos? Damo-nos conta de que realmente desejamos isso? Creio que não...
Ignoramos por comodismo, porque aceitamos sem discutir, delegar a gerência da nosa vida e da nossa saúde. Sequer pensarmos sobre o que fazer ou que recursos buscar para minorar determinado mal que nos acomete. E muitas vezes o mal é decorrência de outro, e de outro, numa sucessão de imprevidência e falta de compromisso com o nosso próprio bem-estar.
Os exemplos estão à nossa volta. Basta que olhemos e rapidamente identificamos pessoas que, mecanicamente, repetem procedimentos medicamentosos, mesmo sabendo que não há resultados positivos e que, muitas vezes, ampliam o processo da doença.
Ocupamos o quinto lugar mundial no consumo de remédios! Dispomos de mais de 32.000 rótulos de medicamentos, com variações de 12.000 substâncias! Um excesso descabido, considerando-se a lista de medicamentos essenciais para o bem-estar, da Organização Mundial de Saúde (OMS) de apenas 300 itens. Será que precisamos de tantos remédios assim? Dizem os especialistas que não!
Assistimos a uma sociedade intolerante com as drogas ilícitas e diante das drogas prescritas por médicos, somos levianamente permissivos, tolerantes, cúmplices.
Apesar da grande doença nacional, chamada miséria e desamparo, fonte óbvia da saúde arruinada de tantas comunidades pobres, das doenças características dos segmentos médios e ricos, cujo uso abusivo e irregular de medicamentos cresce rapidamente, cabe especular a razão porque isso acontece, favorecendo a indústria química de medicamentos.
Não é difícil compreender o que acontece.
Há uma farmácia para cada 3.000 habitantes, mais do que o dobro do recomendado pela OMS. Significa isso que há mais farmácias do que padarias! Há, em média, 54.000 farmácias para 50.000 padarias! Pode-se comprar drogas químicas por telefone ou pela internet, com ou sem receita médica! Diagnósticos são dados nos balcões de farmácias por atendentes, que empurram os remédios da moda, indo das últimas novidades em analgésicos e tranqüilizantes à pílulas de viagra.
O Sinitox (Sistema Ncional de Informações Tóxico-Farmacológicas) aponta 22.121 casos de intoxicação no ano de 2000 e considera que nem todos os casos são informados pelos Estados e nem sempre os médicos asumem os erros de prescrição. Significa que os casos registrados representam quase 1/3 do que realmente ocorre em termos de intoxicação medicamentosa, o que leva a pressupor um número aproximado de 100.000 casos.
Há uma cortina de silêncio em torno da gravidade do problema. E enquanto a cortina não sobe, milhares de pessoas correm o risco de se tornarem farmacodependentes, aumentando as estatísticas das clínicas psiquiátricas.
O problema ampara-se na irresponsabilidade de alguns médicos e nos interesses da bilionária indústria farmoquímica, que em matéria de lucros perde apenas para a indústria petrolífera.
Segundo uma estimativa da revista inglesa Focus, o setor teria faturado em 2003, 406 bilhões de dólares. Estima-se que no mesmo período, a indústria brasileira faturou aproximadamente 7,5 bilhões de dólares, valor que pode parecer pequeno diante dos 170 bilhões de dólares que faturou a indústria farmacêutica americana.
Seria cômico, se não fosse trágico! O antialérgico Claritin chegou a gastar mais em propaganda do que a Coca-Cola.!
Ao tratarem os medicamentos como qualquer mercadoria, qualquer produto, os anúncios publicitários conseguem aumentar as vendas dessas drogas! Distribuição de prêmios a donos de farmácias e balconistas que atingirem as melhores metas de vendas!
M. AMERICO
A realidade da miséria não se traduz em escalas matemáticas, em cálculos, em curvas esotéricas no grande mapa "ibegeano" da fome brasileira, do desamparo brasileiro, onde não há lugar para se discutir sobre saúde. Mesmo nos centros urbanos, onde essa miséria anda catando o que comer nos aterros sanitários, nos lixões, a opção por saúde seria uma piada de humor negro.
Mas nesse mesmo centro urbano, há também aqueles que participam do acesso ao conforto da informação, do alimento, da higiene. Referia-me, inicialmente a esses, e retorno ao fio da meada.
Então, ser minimamente escolarizado, ou razoavelmente informado, não nos dá mais o direito de atropelar os princípios básicos do bom-senso, que segundo Descartes "é o bem melhor distribuído, de tal forma que todos julgamos possuí-lo satisfatoriamente". Assim, vamos ao que interessa.
Alguém desconhece o axioma fundamental da sociedade de mercado? Acredito que não. Vender, vender, vender... Os fins justificam os meios! Não importa o que vendemos e o que acontece com quem consome! O que importa é a mais-valia!
E nesse maquiávelico projeto, a saúde também se transforma numa meta de consumo!
Nunca, em qualquer tempo, foi tão nefasto delegar a autoridade de gerenciar a vida e a saúde!
Irresponsabilidade, despreparo, ganância, mercantilismo etc, tudo somado e bem empacotado, tem sido jogado na nossa cara! Pior: no nosso corpo! E temos participado dessa trama, com a solene inconsciência dos ignorantes! Mas abusamos do direito de ignorar! As informações despencam sobre nossas cabeças, como as folhas das árvores caem no outono. Ignoramos porque desejamos? Damo-nos conta de que realmente desejamos isso? Creio que não...
Ignoramos por comodismo, porque aceitamos sem discutir, delegar a gerência da nosa vida e da nossa saúde. Sequer pensarmos sobre o que fazer ou que recursos buscar para minorar determinado mal que nos acomete. E muitas vezes o mal é decorrência de outro, e de outro, numa sucessão de imprevidência e falta de compromisso com o nosso próprio bem-estar.
Os exemplos estão à nossa volta. Basta que olhemos e rapidamente identificamos pessoas que, mecanicamente, repetem procedimentos medicamentosos, mesmo sabendo que não há resultados positivos e que, muitas vezes, ampliam o processo da doença.
Ocupamos o quinto lugar mundial no consumo de remédios! Dispomos de mais de 32.000 rótulos de medicamentos, com variações de 12.000 substâncias! Um excesso descabido, considerando-se a lista de medicamentos essenciais para o bem-estar, da Organização Mundial de Saúde (OMS) de apenas 300 itens. Será que precisamos de tantos remédios assim? Dizem os especialistas que não!
Assistimos a uma sociedade intolerante com as drogas ilícitas e diante das drogas prescritas por médicos, somos levianamente permissivos, tolerantes, cúmplices.
Apesar da grande doença nacional, chamada miséria e desamparo, fonte óbvia da saúde arruinada de tantas comunidades pobres, das doenças características dos segmentos médios e ricos, cujo uso abusivo e irregular de medicamentos cresce rapidamente, cabe especular a razão porque isso acontece, favorecendo a indústria química de medicamentos.
Não é difícil compreender o que acontece.
Há uma farmácia para cada 3.000 habitantes, mais do que o dobro do recomendado pela OMS. Significa isso que há mais farmácias do que padarias! Há, em média, 54.000 farmácias para 50.000 padarias! Pode-se comprar drogas químicas por telefone ou pela internet, com ou sem receita médica! Diagnósticos são dados nos balcões de farmácias por atendentes, que empurram os remédios da moda, indo das últimas novidades em analgésicos e tranqüilizantes à pílulas de viagra.
O Sinitox (Sistema Ncional de Informações Tóxico-Farmacológicas) aponta 22.121 casos de intoxicação no ano de 2000 e considera que nem todos os casos são informados pelos Estados e nem sempre os médicos asumem os erros de prescrição. Significa que os casos registrados representam quase 1/3 do que realmente ocorre em termos de intoxicação medicamentosa, o que leva a pressupor um número aproximado de 100.000 casos.
Há uma cortina de silêncio em torno da gravidade do problema. E enquanto a cortina não sobe, milhares de pessoas correm o risco de se tornarem farmacodependentes, aumentando as estatísticas das clínicas psiquiátricas.
O problema ampara-se na irresponsabilidade de alguns médicos e nos interesses da bilionária indústria farmoquímica, que em matéria de lucros perde apenas para a indústria petrolífera.
Segundo uma estimativa da revista inglesa Focus, o setor teria faturado em 2003, 406 bilhões de dólares. Estima-se que no mesmo período, a indústria brasileira faturou aproximadamente 7,5 bilhões de dólares, valor que pode parecer pequeno diante dos 170 bilhões de dólares que faturou a indústria farmacêutica americana.
Seria cômico, se não fosse trágico! O antialérgico Claritin chegou a gastar mais em propaganda do que a Coca-Cola.!
Ao tratarem os medicamentos como qualquer mercadoria, qualquer produto, os anúncios publicitários conseguem aumentar as vendas dessas drogas! Distribuição de prêmios a donos de farmácias e balconistas que atingirem as melhores metas de vendas!
M. AMERICO
sexta-feira, 16 de abril de 2010
A MEDICALIZAÇÃO DA VIDA
Não tenho conhecimento de qualquer estatística que apresente o consumo "per capta" de tranqüilizantes, antibióticos, hipotensores etc. Imagino, diante do crescente processo de 'medicalização' da vida, nas sociedades urbanas, que tal estatística seja surpreendente. E creio que deve ser muito expressivo, diante do crescimento da indústria farmacêutica e do controle cada vez maior dos diversos patamares etários, ou dito de outra maneira, das diversas categorias sociais devidamente rotuladas. Claro que tal estatística estaria correlacionada com a renda "per capta" de segmentos sociais mais expressivos economicamente. Quanto mais rico o segmento, maior o seu grau de dependência do processo de 'medicalização' social, visto que há recursos para pagar e consumir as drogas farmoquímicas.
Mas não pode passar despercebido o controle médico sobre as pessoas e a aceitação passiva com que se submetem 'ordeiramente' às práticas médicas do atual modelo biomédico.
Esse conceito de 'medicalização' das sociedades urbanas, procura definir o controle e a dependência extrema a que chegou a sociedade ocidental, ou ocidentalizadas, no esforço de alcançar a saúde e o bem-estar. (Não se discute, em momento algum, que o processo mórbido atualmente vigente nas sociedades, resulta das escolhas feitas pelo homem, na organização da vida e seus propósitos.)
É o princípio da 'outorgação' dos seus direitos de gerenciar o próprio corpo e buscar a própria cura através de recursos alternativos ao modelo dominante, que retira de cada um de nós o direito e a liberdade de administrar a vida em cima de outros conceitos de saúde, reforçando o processo de 'medicalização' da saúde.
O crescente processo de 'medicalização' da vida, acaba por transformar a saúde em mercadoria. Um mercado altamente lucrativo!
O crescimento da classe profissional de médicos não é malsã apenas porque tais profissionais provocam lesões orgânicas ou distúrbios funcionais. Não! Ela o é, sobretudo, proque produzem a dependência. E porque a dependência tende a empobrecer o meio social e físico em seus aspectos salubres e curativos. E porque a dependência reduz as possibilidades orgânicas e psicológicas de luta e adaptação que as pessoas possuem. E porque o crescimento dessa classe, denota o poder das indústrias farmoquímicas de dirigir e controlar a saúde, com amplas 'benesses' distribuídas à classe.
[ Não se fala num amplo programa público de saneamento básico, de soluções para o lixo urbano, programas de controle da poluição ambiental, medidas que, com certeza, contribuiriam para um novo modelo de saúde. Discute-se politicamente, mas nada acontece. Os lixões (aterros sanitários), a poluição ambiental etc, continuam. ]
Não tenho, como disse, qualquer informação sobre o volume de vendas de medicamentos no Brasil. Posso avaliar, pelo grau de dependência social aos produtos farmacêuticos e pela proliferação impressionante de farmácias. Também posso avaliar pelo crescimento da fantástica lucratividade das indústrias farmoquímicas da saúde, considerando que o vasto segmento sem privilégios ou direitos, moureja a margem do 'badalado' crescimento da riqueza nacional e da imaginária distribuição de renda, que se justifica pelo controle monetário (inflação), pela ampliação do sistema de saúde pública, pela ampliação da rede de educação etc.
Não há dúvida de que são fatores promissores, mas ainda distantes da imensa miséria da nossa realidade social; distantes do fato de, verdadeiramente, redistribuírem a renda nacional.
Encontramos milhares de pequenos povoados por esse imenso Brasil, sem qualquer expectativa da existência de alguma clínica médica, em condições de um atendimento eficiente e eficaz. Mas se fosse possível encontrá-la, por um desses acasos surpreendentes, não mudaria em nada a condição dos seus habitantes, dada a simples circunstância de se encontrarem afastados dos grandes centros urbanos onde ocorre a distribuição de medicamentos, (e lógico, os custos elevadíssimos desses medicamentos) e a complexidade de intervenções cirúrgicas. Por falta de opção, continuam consagrando o conhecimento cultural dos seus antepassados.
Fica de alguma forma, no entanto, abalada a crença de que as pessoas não possam enfrentar e resolver os problemas de doenças sem a medicina moderna, cartesiana, especializada, desprovida de uma visão integral do homem como unidade psicossomática.
A incapacidade de reagir a 'medicalização', termina por instituir categorias sociais dependentes, isto é, a vida fica etiquetada segundo seus períodos vitais. Essa etiquetagem acaba integrando uma visão de mundo, que os leigos aceitam como fato 'natural' e banal, de que as pessoas têm necessidades de cuidados médicos de rotina, simplesmente porque são gestantes, ou porque são recém-nascidos, ou crianças, ou porque estão no climatério, ou porque são idosas. Curiosamente, somos empurrados para dentro das inúmeras especializações médicas, como incapazes de sobreviver por conta própria, e fazendo prosperar a indústria química, as profissões vinculadas à saúde, as clínicas etc.
A vida já não é mais uma sucessão de diferentes formas de saúde em seus diferentes ciclos vitais, e sim uma seqüência de períodos, cada qual exigindo uma forma particular de práticas terapêuticas.
Ante os variados ciclos humanos, a vida é jogada num meio ambiente especial para otimizar a "saúde-mercadoria". O homem fica encaixotado no espaço destinado à sua categoria, conforme decisão do especialista 'biocrático', gerente da sua vida.
Um exemplo clássico desse processo "bioadministrativo": a velhice.
Concebe-se a velhice, nesse modelo biocrático da saúde, não como a condição natural da vida, mas como uma doença.
O que pode ser apontado na moderna intervenção médica que se faz nas desordens cardiovasculares, ou na artrose, ou na cirrose ou no câncer dos idosos etc, é que os feitos dos biocratas e os sofrimentos impostos não aumentam muito a longevidade da vida de seus pacientes.
Segundo estudos feitos, 82% dos idosos portadores de doenças graves, morrem menos de três meses após a internação numa clínica ou hospital.
Observou-se que a mortalidade dos idosos no primeiro ano de internamento é expressivamente superior a de um grupo comparável, deixado no meio a que estava habituado, próximo aos que lhe são caros, entre as suas coisas.
Separar-se de sua família, do seu leito, em que dormiu decênios, é para os idosos, o início dos processos mórbidos.
Não se nega que muitas dores de que padecem os idosos são atenuadas pela competência médica, que muitas vezes ultrapasssa o 'savoir faire' de um leigo. Infelizmente, porém, a maioria dos tratamentos profissionais impõe mais sofrimento, e se bem sucedido, prolonga igualmente a vida, quando tratada domesticamente.
A 'medicalização' da velhice é apenas um exemplo, quando a vida é organizada em categorias de pacientes.
M. AMERICO
Mas não pode passar despercebido o controle médico sobre as pessoas e a aceitação passiva com que se submetem 'ordeiramente' às práticas médicas do atual modelo biomédico.
Esse conceito de 'medicalização' das sociedades urbanas, procura definir o controle e a dependência extrema a que chegou a sociedade ocidental, ou ocidentalizadas, no esforço de alcançar a saúde e o bem-estar. (Não se discute, em momento algum, que o processo mórbido atualmente vigente nas sociedades, resulta das escolhas feitas pelo homem, na organização da vida e seus propósitos.)
É o princípio da 'outorgação' dos seus direitos de gerenciar o próprio corpo e buscar a própria cura através de recursos alternativos ao modelo dominante, que retira de cada um de nós o direito e a liberdade de administrar a vida em cima de outros conceitos de saúde, reforçando o processo de 'medicalização' da saúde.
O crescente processo de 'medicalização' da vida, acaba por transformar a saúde em mercadoria. Um mercado altamente lucrativo!
O crescimento da classe profissional de médicos não é malsã apenas porque tais profissionais provocam lesões orgânicas ou distúrbios funcionais. Não! Ela o é, sobretudo, proque produzem a dependência. E porque a dependência tende a empobrecer o meio social e físico em seus aspectos salubres e curativos. E porque a dependência reduz as possibilidades orgânicas e psicológicas de luta e adaptação que as pessoas possuem. E porque o crescimento dessa classe, denota o poder das indústrias farmoquímicas de dirigir e controlar a saúde, com amplas 'benesses' distribuídas à classe.
[ Não se fala num amplo programa público de saneamento básico, de soluções para o lixo urbano, programas de controle da poluição ambiental, medidas que, com certeza, contribuiriam para um novo modelo de saúde. Discute-se politicamente, mas nada acontece. Os lixões (aterros sanitários), a poluição ambiental etc, continuam. ]
Não tenho, como disse, qualquer informação sobre o volume de vendas de medicamentos no Brasil. Posso avaliar, pelo grau de dependência social aos produtos farmacêuticos e pela proliferação impressionante de farmácias. Também posso avaliar pelo crescimento da fantástica lucratividade das indústrias farmoquímicas da saúde, considerando que o vasto segmento sem privilégios ou direitos, moureja a margem do 'badalado' crescimento da riqueza nacional e da imaginária distribuição de renda, que se justifica pelo controle monetário (inflação), pela ampliação do sistema de saúde pública, pela ampliação da rede de educação etc.
Não há dúvida de que são fatores promissores, mas ainda distantes da imensa miséria da nossa realidade social; distantes do fato de, verdadeiramente, redistribuírem a renda nacional.
Encontramos milhares de pequenos povoados por esse imenso Brasil, sem qualquer expectativa da existência de alguma clínica médica, em condições de um atendimento eficiente e eficaz. Mas se fosse possível encontrá-la, por um desses acasos surpreendentes, não mudaria em nada a condição dos seus habitantes, dada a simples circunstância de se encontrarem afastados dos grandes centros urbanos onde ocorre a distribuição de medicamentos, (e lógico, os custos elevadíssimos desses medicamentos) e a complexidade de intervenções cirúrgicas. Por falta de opção, continuam consagrando o conhecimento cultural dos seus antepassados.
Fica de alguma forma, no entanto, abalada a crença de que as pessoas não possam enfrentar e resolver os problemas de doenças sem a medicina moderna, cartesiana, especializada, desprovida de uma visão integral do homem como unidade psicossomática.
A incapacidade de reagir a 'medicalização', termina por instituir categorias sociais dependentes, isto é, a vida fica etiquetada segundo seus períodos vitais. Essa etiquetagem acaba integrando uma visão de mundo, que os leigos aceitam como fato 'natural' e banal, de que as pessoas têm necessidades de cuidados médicos de rotina, simplesmente porque são gestantes, ou porque são recém-nascidos, ou crianças, ou porque estão no climatério, ou porque são idosas. Curiosamente, somos empurrados para dentro das inúmeras especializações médicas, como incapazes de sobreviver por conta própria, e fazendo prosperar a indústria química, as profissões vinculadas à saúde, as clínicas etc.
A vida já não é mais uma sucessão de diferentes formas de saúde em seus diferentes ciclos vitais, e sim uma seqüência de períodos, cada qual exigindo uma forma particular de práticas terapêuticas.
Ante os variados ciclos humanos, a vida é jogada num meio ambiente especial para otimizar a "saúde-mercadoria". O homem fica encaixotado no espaço destinado à sua categoria, conforme decisão do especialista 'biocrático', gerente da sua vida.
Um exemplo clássico desse processo "bioadministrativo": a velhice.
Concebe-se a velhice, nesse modelo biocrático da saúde, não como a condição natural da vida, mas como uma doença.
O que pode ser apontado na moderna intervenção médica que se faz nas desordens cardiovasculares, ou na artrose, ou na cirrose ou no câncer dos idosos etc, é que os feitos dos biocratas e os sofrimentos impostos não aumentam muito a longevidade da vida de seus pacientes.
Segundo estudos feitos, 82% dos idosos portadores de doenças graves, morrem menos de três meses após a internação numa clínica ou hospital.
Observou-se que a mortalidade dos idosos no primeiro ano de internamento é expressivamente superior a de um grupo comparável, deixado no meio a que estava habituado, próximo aos que lhe são caros, entre as suas coisas.
Separar-se de sua família, do seu leito, em que dormiu decênios, é para os idosos, o início dos processos mórbidos.
Não se nega que muitas dores de que padecem os idosos são atenuadas pela competência médica, que muitas vezes ultrapasssa o 'savoir faire' de um leigo. Infelizmente, porém, a maioria dos tratamentos profissionais impõe mais sofrimento, e se bem sucedido, prolonga igualmente a vida, quando tratada domesticamente.
A 'medicalização' da velhice é apenas um exemplo, quando a vida é organizada em categorias de pacientes.
M. AMERICO
quinta-feira, 15 de abril de 2010
INÚTEIS REFLEXÕES
A história do homem conta-se pela história da natureza. Toda a sua vida reflete uma busca do natural, por mais que o cultural tenha interferido e provocado a cisão, da qual o homem se ressente na modernidade do nosso tempo histórico.
Quebramos alguns vínculos importantes, desacreditamos nossas necessidades fundamentais em nome de uma "segunda natureza", que nos oferece o fastidioso paraíso das bem-aventuranças do consumo. Nossas necessidades já não são nossas; são as que nos dizem que precisamos ter para sermos 'modernosos' e elegantes.
Fomos empolgados por uma mídia gananciosa, que projeta sobre as nossas cabeças o grande ideal do mercado, que pouco nos diz e mais nos artificializa.
Hoje perguntamos: porque ocorre uma incidência tão alarmante de pessoas deprimidas em nossa sociedade? O Dr. M.Seligman, Ph.D., apresentou algumas opiniões sobre o recente aumento da depressão. Alguns já chegam a denominar o nosso tempo de "Era da Melancolia".
Dois fatores são apontados para esse acontecimento:
primeiro, a crescente exaltação do "eu", enfatizado como fonte de maior significado, valor, estima e satisfação existencial. Com isso, surge um senso diminuído de comunidade e, conseqüentemente, uma redução de propósitos elevados.
segundo, a dissolução de alguns fundamentos, até então básicos, no processo de organização institucional da sociedade - Família, o Estado, Religião - que somada a exacerbada ênfase no "ego", resultou em uma epidemia de depressão.
Comprenda-se que o processo dissolutivo resulta da transição da sociedade, pela introdução de novas tecnologias, novos padrões de consumo, de lazer, do novo modelo de sexualidade, do poder político assinalado pelo estigma da corrupçáo, a manutenção de "fórmulas anacrônicas" e a secularização de instituições religiosas... E tantos outros fatores que paulatinamente alteram os costumes e transformam os comportamentos sociais, num "vale-tudo porque eu sou mais eu". Um tempo que cabe numa sentença de Sartre: "o inferno são os outros."
Excessiva devoção ao "eu" e devoção de menos ao bem comum. Essa a raiz da desarmonia que se assinala na nossa vida e na nossa sociedade.
O meio propício para que esta raiz seja forte, é a ascendente linha materialista que comanda a sociedade, cujo grau de pressão externa sobre o indivíduo, não permite que ele se volte para o seu reino interior.
Corremos atrás de miragens, de fantasias, porque já não conseguimos acreditar que a simplicidade possa nos oferecer um estado de bem-estar. Afinal, a simplicidade consiste no despojamento das inutilidades e do excesso. Ser simples é uma tarefa extenuante, porque é o exercício de uma disciplina que nos orienta para o essencial. Ou como diria Sócrates, ao apreciar o mercado do seu tempo: "Quantas coisas de que não necessito!".
É pensando numa filosofia da "descomplicação", ou talvez dito melhor, numa visão de mundo menos complicada, sem ser simplista, reducionista, que muitas vezes ocorre-me observar os disparates da ganância, da desonestidade, da precária situação dos poucos valores que ainda flutuam à superfície do oceano social.
Tudo bem... Vivemos um momento intensamente trágico, violento, em que assistimos a transição de padrões, referências, comportamentos, políticas, e nos esforçamos por sobreviver e encontrar novos paradigmas que possam servir de bússola para um Norte mais suportável.
Todos os nossos modelos caminham rapidamente para a obsolescência. Estamos diante de novos fatos científicos, muitos deles polêmicos e sem uma perspectiva de avaliação histórica do futuro. Não podemos medir as conseqüências do desdobramento de tais fatos. A clonagem, os trangênicos, a gestação "in vitro" etc, despertam o receio do futuro, para o qual somos empurrados pela sofisticação de uma racionalidade científica, cujo controle escapou dos mecanismos éticos e institucionais ordinários, a essa altura dos acontecimentos refletindo em suas leis o espaço institucional legal do do século XIX e XX.
A ciência desenvolveu-se, avançou e detonou o meio ambiente, as relações sociais, as relações legais, as relações humanas, as relações políticas, banalizando as crenças e tabus em que se firmava o universo humano, tornando a violência um elemento do nosso cotidiano.
Mas devemos continuar... Não importa saber se a mudança é boa ou ruim. É um fato histórico, irreversível.
Discutir a sua natureza, estabelecer critérios e juízos, reformular princípios e promover uma ampla reforma jurídica adequada ao nosso tempo, em todas as suas esferas, deve ser a nossa ocupação, que delegamos aos que controlam o poder no Estado, já que será o nosso grande desafio.
Reequilibrar o poder político, fazer prevalecer o humano sobre o econômico, implementar políticas sociais includentes, distribuindo de modo justo a riqueza que se produz no país, esse o caminho, suponho, para um novo paradigma social.
Os que ainda não se deram conta de que sopram novos ventos vindos do futuro, fiquem alertas... Quem viver verá!
M. AMERICO
Quebramos alguns vínculos importantes, desacreditamos nossas necessidades fundamentais em nome de uma "segunda natureza", que nos oferece o fastidioso paraíso das bem-aventuranças do consumo. Nossas necessidades já não são nossas; são as que nos dizem que precisamos ter para sermos 'modernosos' e elegantes.
Fomos empolgados por uma mídia gananciosa, que projeta sobre as nossas cabeças o grande ideal do mercado, que pouco nos diz e mais nos artificializa.
Hoje perguntamos: porque ocorre uma incidência tão alarmante de pessoas deprimidas em nossa sociedade? O Dr. M.Seligman, Ph.D., apresentou algumas opiniões sobre o recente aumento da depressão. Alguns já chegam a denominar o nosso tempo de "Era da Melancolia".
Dois fatores são apontados para esse acontecimento:
primeiro, a crescente exaltação do "eu", enfatizado como fonte de maior significado, valor, estima e satisfação existencial. Com isso, surge um senso diminuído de comunidade e, conseqüentemente, uma redução de propósitos elevados.
segundo, a dissolução de alguns fundamentos, até então básicos, no processo de organização institucional da sociedade - Família, o Estado, Religião - que somada a exacerbada ênfase no "ego", resultou em uma epidemia de depressão.
Comprenda-se que o processo dissolutivo resulta da transição da sociedade, pela introdução de novas tecnologias, novos padrões de consumo, de lazer, do novo modelo de sexualidade, do poder político assinalado pelo estigma da corrupçáo, a manutenção de "fórmulas anacrônicas" e a secularização de instituições religiosas... E tantos outros fatores que paulatinamente alteram os costumes e transformam os comportamentos sociais, num "vale-tudo porque eu sou mais eu". Um tempo que cabe numa sentença de Sartre: "o inferno são os outros."
Excessiva devoção ao "eu" e devoção de menos ao bem comum. Essa a raiz da desarmonia que se assinala na nossa vida e na nossa sociedade.
O meio propício para que esta raiz seja forte, é a ascendente linha materialista que comanda a sociedade, cujo grau de pressão externa sobre o indivíduo, não permite que ele se volte para o seu reino interior.
Corremos atrás de miragens, de fantasias, porque já não conseguimos acreditar que a simplicidade possa nos oferecer um estado de bem-estar. Afinal, a simplicidade consiste no despojamento das inutilidades e do excesso. Ser simples é uma tarefa extenuante, porque é o exercício de uma disciplina que nos orienta para o essencial. Ou como diria Sócrates, ao apreciar o mercado do seu tempo: "Quantas coisas de que não necessito!".
É pensando numa filosofia da "descomplicação", ou talvez dito melhor, numa visão de mundo menos complicada, sem ser simplista, reducionista, que muitas vezes ocorre-me observar os disparates da ganância, da desonestidade, da precária situação dos poucos valores que ainda flutuam à superfície do oceano social.
Tudo bem... Vivemos um momento intensamente trágico, violento, em que assistimos a transição de padrões, referências, comportamentos, políticas, e nos esforçamos por sobreviver e encontrar novos paradigmas que possam servir de bússola para um Norte mais suportável.
Todos os nossos modelos caminham rapidamente para a obsolescência. Estamos diante de novos fatos científicos, muitos deles polêmicos e sem uma perspectiva de avaliação histórica do futuro. Não podemos medir as conseqüências do desdobramento de tais fatos. A clonagem, os trangênicos, a gestação "in vitro" etc, despertam o receio do futuro, para o qual somos empurrados pela sofisticação de uma racionalidade científica, cujo controle escapou dos mecanismos éticos e institucionais ordinários, a essa altura dos acontecimentos refletindo em suas leis o espaço institucional legal do do século XIX e XX.
A ciência desenvolveu-se, avançou e detonou o meio ambiente, as relações sociais, as relações legais, as relações humanas, as relações políticas, banalizando as crenças e tabus em que se firmava o universo humano, tornando a violência um elemento do nosso cotidiano.
Mas devemos continuar... Não importa saber se a mudança é boa ou ruim. É um fato histórico, irreversível.
Discutir a sua natureza, estabelecer critérios e juízos, reformular princípios e promover uma ampla reforma jurídica adequada ao nosso tempo, em todas as suas esferas, deve ser a nossa ocupação, que delegamos aos que controlam o poder no Estado, já que será o nosso grande desafio.
Reequilibrar o poder político, fazer prevalecer o humano sobre o econômico, implementar políticas sociais includentes, distribuindo de modo justo a riqueza que se produz no país, esse o caminho, suponho, para um novo paradigma social.
Os que ainda não se deram conta de que sopram novos ventos vindos do futuro, fiquem alertas... Quem viver verá!
M. AMERICO
quarta-feira, 14 de abril de 2010
RECORDANDO B. BRECHT
PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ
Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis.
Arrastaram eles os blocos de pedras?
E a Babilônia várias vezes destruída.
Quem a reconstruiu tantas vezes? Em que casas
Da Lima dourada moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros, na noite em que
A Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A decantada Bizâncio
Tinha somente palácios para seus habitantes? Mesmo
na lendária Atlântida
Os que se afogavam gritaram por seus escravos
Na noite em que o mar a tragou.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?
César bateu os gauleses.
Não levava sequer um cozinheiro?
Filipe da Espanha chorou quando sua Armada
Naufragou. Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?
Cada página uma vitória.
Quem cozinhava o banquete?
A cada dez anos um grande homem.
Quem pagava a conta?
Tantas histórias.
Tantas questões.
postado por m. americo
Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis.
Arrastaram eles os blocos de pedras?
E a Babilônia várias vezes destruída.
Quem a reconstruiu tantas vezes? Em que casas
Da Lima dourada moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros, na noite em que
A Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A decantada Bizâncio
Tinha somente palácios para seus habitantes? Mesmo
na lendária Atlântida
Os que se afogavam gritaram por seus escravos
Na noite em que o mar a tragou.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?
César bateu os gauleses.
Não levava sequer um cozinheiro?
Filipe da Espanha chorou quando sua Armada
Naufragou. Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?
Cada página uma vitória.
Quem cozinhava o banquete?
A cada dez anos um grande homem.
Quem pagava a conta?
Tantas histórias.
Tantas questões.
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