sexta-feira, 23 de setembro de 2011

REFLEXÕES...


">

DROGAS QUE NÃO VICIAM, MAS DEVERIAM


A maioria das pessoas se entope de remédios, por que a doença se tornou algo muito lucrativo, não só para a indústria farmacêutica e toda gestão de “saúde”, mas e principalmente para os próprios doentes. Isso por que as doenças viraram bengalas emocionais, papo de chantagista, sabe como é? Eu sei que você sabe, rs, eu também, já fiz muito isso. O que a gente não faz por um pouco de atenção, né verdade? (vou ver se abordo isso mais tecnicamente no Consciência).

Umas pílulas de Consciência não fazem mal à ninguém...
Fato é que, há uma gama de remédios super necessários que ainda não foram criados, mas podemos deixar aqui algumas sugestões de DROGAS mais conscientes. Lá vai:

CÁPSULA ANTI-DRAMA –
Essa é pra tomar ao acordar. Tipo, abriu o olho tasca a dita pra dentro, por que para muita gente o drama começa ao som do despertador, se estende na preguiça de levantar e daí pra frente é só ladeira abaixo. Com tal pílula, você pára de espernear como um bebê chorão e assume cada M que faz, ou, deixa de fazer. Indicado para todos os com-dor, sem sorte, mal amados(as) e injustiçados do planeta.

INIBIDOR DE MENTIRAS DESLAVADAS
incluindo as brancas (em gotas) – Natural e porreta! Se a mentira for como uma compulsão, joga umas 50 gotas em meio copo d’água e tasca pra dentro! Acredito que esse também deveria ser tomado pela manhã para não começar na bat-mentirinha do atraso, se arrastando para tudo que você não consegue assumir um posicionamento ou mandar a real quando tem vontade.

INJEÇÃO ANTI-VERBORRÁGICA (intra venosa)- Se o problema não é falar muito, mas a qualidade do quê se fala, essa injeção é de efeito imediato. Um cala-boca venoso. Ideal para fofoqueiros.

Para cada pílula, três reclamações.

ESTIMULANTE DE GENTILEZA E EDUCAÇÃO (em conta gotas) - Para colocar nos bebedouros dos órgãos públicos, nas águas vendidas no trânsito e se possível pingar nos milhões de croquetes, joelhos, churrasquinhos de gato, cervejas e chopps vendidos. Tipo um sossega-leão reflexivo.

COLÍRIO CLAREADOR DE PRECONCEITO – esse aí você pinga no olho e arde no cérebro. Ele apaga todas as premissas que transformam seu olhar num torpedo preconceituoso. Temporariamente você ficará um pouco tonto, pois ele bagunça seu coreto para que possa experimentar novos pontos de vista e desconstruir esse julgamento hipócrita do mundo. Cuidado: Uso excessivo pode causar lobotomia.

COLÍRIO EMAGRECEDOR - Faz com que, ao se olhar no espelho você VEJA, PERCEBA e APROVE todas as suas gostosuras, aprendendo a apreciar cada ondinha do seu corpo como única. Também arde o cérebro, pois apaga as programações de beleza auto programadas sobre magrelas, ossudas e principalmente sobre dietas punitivas ao prazer de viver.

Não podia ter uma cápsula de auto-estima? Seria como ouro encapsulado!

MEMORIOL (em cápsulas)– Solicitação antiqüíssima e aclamada por muitos, porém essa versão particular é direcionada para aqueles que sofrem de “memória seletiva”, tipo, são muitos bons em lembrar de tudo, e melhores ainda de apagar aquilo que lhes convém (preciso de tomar uns 10 desses por dia);

PIRULITOL(cápsulas com pózinho) – Quase uma vassoura atrás da porta, coloque 2 gotas de pirulitol no drink do amigo e em poucos instantes ele irá lembrar de algo importante a fazer e tomará seu rumo. É quase como um memoriol só que adicionado da “Síndrome da Urgência” na execução.

PÍLULA ANTI-HIPOCRISIA – Essa é para aquelas mocréias tomadoras de conta da “boa moral e dos bons costumes”. É tipo uma pílula expositora do comportamento encubado. Faz vir à tona a real necessidade da criatura, para que ela possa ver que só mete o malho naquilo que tem vontade de fazer rasgado, mas seu puritanismo não lhe permite. Liberdade ao Dark Side!

SUPOSITÓRIO ANTI-VÍTIMA – Se todo mundo está errado e só você está certo, pode adquirir logo um desses. De rápida absorção, a responsabilidade rapidamente baterá á sua porta.

SUPOSITÓRIO ANTI-MEDO – Para quem tem medo de sair, de namorar, de correr, andar na rua, de assalto, de sorriso, de contato, de bate papo virtual, de bate papo real, de cachorro ou de respirar. 3 x ao dia.

SUPOSITÓRIO ANTI-UMBIGUISMO – Amplifica a visão e percepção do ser para além do seu umbigo. Pessoas que sofrem desse mal precisam de tratamento continuado, aplicar 3x ao dia. Em caso de crise continuada, adquirir versão venosa.

Todos essas “drogas” são adquiridas como PLACEBO PROGRAMÁVEL – Muito natural, nos formatos: cápsulas, gotas, intra-venoso ou supositório. Forma de uso: Se programe com a descrição do medicamento e faça a ingestão da cápsula, gota ou supositório. Nós sempre escolhemos a forma na qual desejamos ser enganados, que tal fazermos de forma consciente? rs

O que é uma pessoa ancorada com a solução, né verdade?

Sou amante particular do besteirol e praticante de pirações esdrúxulas em horas inapropriadas (nem sempre as exponho, mas creia, minha mente fervilha com elas, rsrs). Acho o máximo essa coisa de piração e criatividade. Se tiverem outras idéias de DROGAS conscientes, deixem nos comentários.

por Monik Ornellas

CARISMA DE UM CORAJOSO PIRATA

Diz aquela antiga anedota que havia um pirata muito valente, pilhando embarcações pelos sete mares. Uma vez um dos seus comandados perguntou-lhe:

- Capitão, sempre te vejo lutando com muita bravura, liderando os rapazes contra os navios inimigos, com muita disposição e sem ter medo de nada. Qual é o seu segredo?

- Meu jovem, é muito simples: quando vejo que terei uma batalha difícil contra um adversário determinado, peço que me tragam a minha camisa vermelha. Assim, por mais que eu sofra algum ferimento, o sangue não aparece por causa da cor da camisa. E aí ninguém fica preocupado e todos continuam lutando com afinco.

A lição é direta – ainda que não deva ser levada estritamente ao pé da letra – e realça uma das qualidades de um líder: inspirar seus liderados, mesmo nas tarefas mais difíceis e diante das maiores adversidades. Mas aí vem o desmoralizante final da piada…

Num belo dia, ao passar por umas ilhas distantes, o navio do célebre pirata cruzou com outros cinco navios inimigos, armados até os dentes. Imediatamente o ajudante perguntou ao capitão:

- Senhor, quer que traga a sua camisa vermelha?

- Não, respondeu ele, melhor trazer a minha calça marrom.

Piada em 'O líder acidental', de Rodolfo Araújo, mestre em Administração de Empresas pela PUC-RJ, pós-graduado em Tecnologia de Informação pela FGV-RJ e bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

MENSAGENS SUBLIMINARES

DA CERVEJA AO CRACK MENSAGENS SUBLIMINARES PARA ENGANAR O CIDADÃO

O cidadão brasileiro é penalizado de todas as formas e maneiras. Há nove anos, fruto de propaganda enganosa, estamos sob o julgo de um governo que, estatisticamente comprovado, é o maior corrupto desde a descoberta de Cabral.

Um ativo Ministério da Propaganda Petista, nos moldes da técnica nazista, nos bombardeia com números falsos para encobrir uma incompetência administrativa de um governo sem obras, sem realizações.

Pagamos o mais alto tributo do mundo. Temos um dos piores IDH - Índice de Desenvolvimento Humano, que nos coloca numa humilhante 73ª posição em contraponto com países de menor exponencial sob todos os aspectos.

Somos os piores em educação, saúde, transportes, segurança e etc., e damos de goleada em corrupção e em aproveitamento das riquezas do Estado em benefício de uns poucos privilegiados com os mais altos salários da função pública em todo o mundo.

Um cidadão percorre 90 quilômetros dentro de uma ambulância com o filho com traumatismo craniano e não é atendido nos hospitais públicos. Enquanto isso, em Nova York, a presidenta Dilma arrota caviar russo e faz discursos bonitinhos e pousa de mocinha e os gringos riem com os cantos da boca, com aquela expressão de "quão idiotas são esses brasileiros que nos entregam todo o seu ouro".

Como se isso não bastasse, somos enganados com jogadinhas de merchandising que vendem seus produtos nocivos com base em testemunhos de especialistas e de outros que fazem propaganda disfarçada, usando o mesmo tema, em prol de um candidato abençoado pelo Apedeuta.

Vejam estas duas manchetes, ambas publicadas na edição do Estadão Online:

- Estudo mostra que cerveja hidrata igual à água após prática esportiva

- Crack avança e iguala o álcool em cidades do Estado de São Paulo


Na primeira, trata-se de um merchandising de quem fabrica cerveja. A intenção da notícia é clara em induzir você a tomar mais cerveja, inclusive após qualquer prática esportiva.

È uma aberração esta notícia. É sabido, por qualquer leigo, que a cerveja contém nitrosaminas (agentes cancerígenos de primeira ordem), e isto inclui até a tal da cerveja preta.


Leia trecho da reportagem do Estadão

Um estudo apresentado nesta terça-feira, 20, em Bruxelas comprova que o consumo moderado de cerveja após exercícios físicos é tão eficaz quanto a água para a hidratação, segundo especialistas médicos.

Esta é uma das conclusões apresentadas no "VI Simpósio Europeu de Cerveja e Saúde", onde participaram especialistas em medicina, nutrição e alimentação da União Européia.

O pesquisador Manuel Castillo, da Universidade de Granada, expôs os resultados de um estudo que consistiu em medir a reação do corpo à ingestão de água ou cerveja após a realização de esforço físico intenso. "Realizamos o estudo para comprovar se o costume de tomar cerveja depois do exercício era recomendável", explicou Castillo.

Se esse Manuel Castillo, da Universidade de Granada, existir mesmo, é um tremendo picareta a serviço de uma indústria que mata e vicia.

Na segunda manchete "Crack avança e iguala o álcool em cidades do Estado de São Paulo" é apenas uma continuação de uma campanha que vendo sendo realizada com objetivo de desvalorizar o governo do PSDB, que governa o Estado de São Paulo.
Eles vão liberando releases para tentar fazer a cabeça do cidadão e, em contraponto, liberam outros com fatos positivos sobre o candidato abençoado pelo Apedeuta para a prefeitura de São Paulo.

Eles tentam ser sutil, mas para quem entende do riscado não fede e nem cheira.

O crack não é um privilégio do Estado de São Paulo. É um câncer que está presente em todo o país, até mesmo em pequenas cidades, fruto de uma política incompetente do governo petista para o setor.

Assim como, o consumo do álcool também não é. Dados da ONU afirmam que o alcoolismo é a terceira maior doença do BRASIL, perdendo somente para os males do coração e os tumores.

São duas informações falsas, com objetivos distintos, que não passam de propaganda enganosa. Querem enganar você cidadão. Na telinha, mostram filmes bonitinhos de um Brasil que não existe. Com fatos enganosos tentam desmerecer uma das melhores administrações públicas e ainda querem que você tome uma cervejinha para esquecer tudo isso e continuar votando neles. Vergonha!

Postado por Lúcio Neto

O COZINHEIRO

Pouca coisa mais difícil de extirpar que um hábito. Não sou nenhum Edu Goldenberg, mas não posso negar minhas tendências obsessivas.

Há anos almoço todos os dias, religiosamente, no mesmo lugar. Um minúsculo restaurante japonês, mais propriamente um “nipo-butiquim”, encravado no mais improvável dos buracos. Não acharia jamais, não tivesse me servido ocasionalmente de abrigo, num desses temporais paulistanos de fevereiro ou março.

Dia após dia, calado como um daruma, o pintado no gato, o cego no peixe cru, fui sacando as histórias. Tem quarenta anos de existência o lugar, vinte sob o comando da “Dona Maria”, como é mais conhecida a japonesinha invocada que começou como empregada da antiga dona, tão solícita quanto mau-humorada, típica dona de butiquim, com nome de orixá: Iroko. Chegada num “colunismo social”, por assim dizer, sabe e faz saber da vida de todo mundo por ali. Fiquei sabendo que o dentista não paga pensão pra ex-mulher; que o “doutor” enriqueceu fraudando concorrências públicas; soube, inclusive, o valor do cachê da modelo, ex-miss. Da minha vida - eu que não abro a boca - amigo meu veio me dizer coisa que nem eu sabia.

Quando alguma coisa não dá certo, a culpa inapelavelmente é do cozinheiro. Mas não só. Espécie de alter-ego, se fala de política, conta em quem “o cozinheiro” vai votar. Se o assunto é futebol – palmeirense, a Dona Maria, mais inteirada nos bastidores da Sociedade que o Savério Orlandi, o Téo Bressan e o Fernando Borgonovi juntos – “o cozinheiro” é quem vê todos os jogos da rodada. Um dia contou que “o cozinheiro” tinha passado mal de noite. Era o marido, o cozinheiro.

Obra da meia hora cotidianamente compartilhada, seguíamos todos ali, juntando solidões e cultivando dependências. Craque no ofício abraçado e vocação de matriarca, Dona Maria não esquece as preferências e as restrições da dieta de cada cliente, recebido sempre com a saudação de praxe e a pergunta que jamais falha:

-Irashaimase! Hoje o que vai sero?

Espécie de gato japonês, luta há mais de vinte anos contra a doença. Distribuindo lições de garra, coragem e vontade de viver, de vez em quando os olhinhos puxados não disfarçam a dor.
Mancando pra lá e pra cá, no trazer de comidas e no levar de louças, já vi responder a mais de um desavisado:

- O que foi na perna, Dona Maria?

- Câncero.

Em meados de novembro, para desespero de umas duas dúzias de batedores de ponto, anunciou que venderia o restaurante. Desdenhamos da ameaça, que muita gente jurava recorrente. Fustigada daqui e dali, começou dizendo que não agüentava mais, que estava cansada. Depois, passou a aleardear que era por causa de briga com sua principal garçonete, dezoito anos de casa, dezessete e meio de briga. Um belo dia, balcão vazio, sem que eu perguntasse, confidenciou: “O cozinheiro está muito doente. Ele cuidou de mim quando precisei. Agora preciso cuidar dele.” Mas ninguém seguia acreditando no intento.

Voltando hoje das férias, cheguei pra almoçar. Butiquim fechado, placa de “passa-se o ponto”.

Morreu o cozinheiro, no primeiro dia do ano.

Szegeri

É HORA DE INVESTIGAR A PLANNED PARENTHOOD


Artigos - Aborto


A visão bíblica ensina que o sexo precisa ser reservado para o casamento, e que as meninas novas precisam ser protegidas daqueles que querem tirar vantagem da inocência delas.

Uma menina de treze anos — vamos chamá-la de Karen — era uma mocinha comum que adorava jogar futebol. Mas sua vida deu uma virada horrível quando seu treinador de futebol a seduziu e engravidou.
Sem o conhecimento dos pais de Karen, o treinador levou Karen para uma clínica da Federação de Planejamento Familiar em Ohio e pagou pelo aborto dela. As funcionárias da clínica não fizeram nenhuma pergunta, apesar do fato de que Karen mal havia acabado de sair da infância.

O treinador foi posteriormente condenado por violência sexual e enviado para a prisão. Mas conforme [a entidade pró-vida] Americanos Unidos pela Vida observou recentemente, o caso indica que as clínicas da Planned Parenthood (Federação de Planejamento Familiar) têm muita disposição de “serem parceiras perfeitas daqueles que desejam abusar sexualmente e tirar vantagem de meninas novas”.

Americanos Unidos pela Vida recentemente publicou um relatório intitulado “Razões para se Investigar a Planned Parenthood”. O relatório conta em detalhes casos horríveis que explodiram nos noticiários em anos recentes: funcionárias da Federação de Planejamento Familiar ajudando cafetões e traficantes sexuais; enganando mulheres sobre os perigos do aborto; recusando obedecer às leis de notificação aos pais; e usando indevidamente milhões de dólares do dinheiro dos contribuintes do imposto de renda.

Pior de tudo é a evidência de que a Planned Parenthood comete negligência ao não comunicar os abusos sexuais contra crianças. Em vez disso, conforme comentou Americanos Unidos pela Vida, as clínicas da Planned Parenthood “aconselham menores e seus abusadores como driblar as leis que ordenam denunciar [abusos]”, que é a razão por que Americanos Unidos pela Vida usa o termo “os parceiros perfeitos”, já que a Federação de Planejamento Familiar trabalha com aqueles que estão realmente usando e explorando “meninas novas”.

Americanos Unidos pela Vida recomenda que o Congresso conduza uma investigação integral dessa gigantesca empresa de aborto. Concordo — já passou muito da hora. Mas precisamos também perguntar a nós mesmos o motivo por que a Planned Parenthood se tornou tal força negativa. Pois bem, no final das contas tudo se resume à cosmovisão.

A visão secular moderna promove a ideia de total autonomia sexual até mesmo para meninas novas — que elas têm um direito à atividade sexual — e deveriam ser incentivadas a se envolver em sexo logo que se sentirem “prontas”, independente de sua idade e condição conjugal. Essa opinião diz que até mesmo as meninas mais novas precisam ter liberdade de terem tratamento para doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e até terem abortos propositados sem o conhecimento de seus pais.

Em contraste, a visão bíblica ensina que o sexo precisa ser reservado para o casamento, e que as meninas novas precisam ser protegidas daqueles que querem tirar vantagem da inocência delas. É por isso que os israelitas antigos protegiam com muito cuidado as mulheres solteiras novas, incentivando modéstia no modo de se vestir e se comportar.

Eles sabiam que sem essa proteção, homens inescrupulosos tirariam vantagem delas. As mesmas proteções formavam parte de praticamente todas as outras culturas — proteções que foram eliminadas durante a última metade do século de liberação sexual.

A pergunta é: Qual visão se alinha mais intimamente com a realidade? Milhões de abortos e nascimentos fora do casamento, um de cada quatro adolescentes com uma DST, adolescentes atraídos de forma enganadora à prostituição forçada, esses problemas dão a resposta preocupante. Meninas novas precisam de proteção daqueles que querem explorá-las.

Por isso, sim, peça aos seus legisladores que investiguem a Planned Parenthood. Mas precisamos também ensinar nossos filhos a lição de cosmovisão por trás da exploração trágica das filhas de nossa nação — exploração praticada primeiro por homens, e então pelas mulheres famintas de lucros da Planned Parenthood.

Publicado com a permissão de Breakpoint.org
Escrito por Chuck Colson | 21 Setembro 2011
Tradução: Julio Severo

PARA NÃO ESQUECER

Imagino que a escrita nasceu da necessidade de não esquecer. O primeiro pré-homem que pensou “preciso me lembrar disto” deve ter olhado em volta procurando alguma coisa que ele ainda não sabia o que era. Era um pedaço de papel e uma Bic. Claro que para chegar ao papel e à esferográfica tivemos que passar antes pelo risco com vara no chão, o rabisco com carvão na parede da caverna, o hieróglifo no tablete de barro etc.

Mas a angústia primordial foi a de perder o pensamento fugidio ou a cena insólita. Pense em quantas ideias não desapareceram para sempre por falta de algo que as retivesse na memória e no mundo. A história da civilização teria sido outra se, antes de inventar a roda, o homem tivesse inventado o bloco de notas.

As espécies que não desenvolveram a escrita valem-se da memória intuitiva. O salmão sabe, não sabendo, o caminho certo para o lugar onde nasceu e onde deve depositar seus ovos. Dizem que o elefante guarda na memória tudo que lhe acontece na vida, principalmente as desfeitas, mas vá pedir que ele bote seu ressentimento no papel. Já o homem pode ser definido como o animal que precisa consultar as suas notas. Nas sociedades não letradas, as lembranças sobrevivem na recitação reiterada e no mito tribal, que é a memória ritualizada. As outras dependem do memorando.

E mesmo com todas as formas de anotação inventadas pelo homem desde as primeiras cavernas, inclusive o notebook eletrônico, a angústia persiste. Estou escrevendo isto porque acordei com uma boa ideia para uma crônica e botei a ideia num papel. Normalmente não faço isto, porque sempre esqueço de ter um bloco de notas à mão para não esquecer a eventual ideia e porque sei, intuitivamente, que se tivesse o bloco de notas à mão a ideia viria no chuveiro.

Mas desta vez a ideia coincidiu com a proximidade de um pedaço de papel e um lápis e anotei-a assim que acordei. Não exatamente a ideia, mas uma frase que me faria lembrar da ideia. Estou com ela aqui. “Conhece-te a ti mesmo mas não fique íntimo”.

E não consigo me lembrar de qual era a ideia que a frase me faria lembrar.

Algo sobre os perigos da autoanálise muito aprofundada? Sobre o pensamento socrático? Ou o quê? Não consigo me lembrar. Um consolo, numa situação destas, é pensar que se a ideia não é lembrada, é porque não era tão boa assim. Mas geralmente se pensa o contrário: as melhores ideias são as que a gente esqueceu. O que é terrível.

Luiz Fernando Veríssimo
O GLOBO - 22/09/11

DEFENDER A VIDA OU DEFENDER-SE DA VIDA?

Substratos ideológicos da questão da produção de saúde no município de São Paulo

Ana Lucia Marinho Marques

“O prefeito fará uma visita à nossa unidade na próxima semana”. Dita essa frase, inicia-se um movimento desesperado de ordenação e organização dos espaços e lugares. Nada pode estar fora da posição determinada. Cadeiras laranjas não podem conviver com as pretas. Nas paredes, não pode haver nenhum cartaz, aviso, foto ou rabisco. E, a fim de garantir o bom andamento da visita, nenhum usuário do serviço que ameace esboçar qualquer tipo de questionamento ao senhor prefeito deve ser convidado para a cerimônia.

Talvez não tenha começado bem aí. Mas essas cenas recorrentes começaram a me dar indicativos do que se estava (está) compreendendo por espaços de produção de saúde: paraísos assépticos, higienizados, limpos e organizados. A cena descrita não é mera simulação. Foi reproduzida, ao longo desta gestão, muitas vezes, em diversos serviços de saúde, sempre sob justificativas diferenciadas.

Agora, chegando ao extremo dessa compreensão, sob o pretexto de defesa da saúde, crianças, jovens e adultos em situação de rua estão sendo gentilmente convidados a se retirarem das ruas e encaminhados para que possam ser alocados em espaços mais "apropriados". De preferência, para além de onde nossa vista possa alcançar.

Em torno à figura do usuário de crack, o “crackeiro”, constrói-se um discurso médico-sanitário, que o “liberta” de um certo discurso exclusivamente moral, mas o aprisiona no lugar de doente, tornando-o inofensivo e esvaziando seu potencial de desterritorialização. Esse sujeito, assim, é reputado incapaz de realizar escolhas para a sua própria vida, precisando que um ser qualificado lhe diga o melhor caminho a tomar. E os profissionais de saúde, dotados de poderes socioculturalmente atribuídos, são incumbidos de desempenhar esse papel de estabelecer definições e certezas. E o melhor, nesse caso, é que seja confinado a espaços adequados de tratamento, a despeito do que possa ser a sua vontade, para que se tornem aptos a se reintegrarem à sociedade.

Melhor para quem? Quem escutou esses sujeitos antes da proposição de tais propostas e projetos de lei? Antes de serem doentes (e não pretendo, de maneira nenhuma, negar a dimensão do sofrimento corporal envolvido na experiência de dependência de uma substância psicoativa), estamos falando de cidadãos a quem, em sua maioria, foi negado o acesso aos bens e direitos sociais básicos. O “drogado”, esse que mora na rua, que atrapalha o trânsito, a segurança e a bela vista da cidade parece, também, denunciar a falência de uma administração pública que ao invés de encarar as condições sociais que produzem esse tipo de situação e construir políticas públicas consistentes para enfrentá-las, resolveu se defender. E esconder aquilo que não se quer ver.

Difícil não associar: os diversos internamentos (dos leprosos, dos tuberculosos, dos vagabundos, dos loucos, de todos os grupos em torno dos quais, em dado momento, não havia tolerância possível), possibilitados e legitimados em determinados contextos sócio-históricos, estiveram, de certa forma, relacionados a questões de trabalho e como forma de combate da miséria. Seria desta vez diferente? Muda-se o ator social, e do que se está falando, afinal?

Sob a bandeira do cuidado, estão justificativas tão absurdas quanto bem elaboradas. Algumas ditas, outras veladas. Passiveis de interpretações as mais variadas. Cria-se uma sensibilidade social em torno do tema que vai criando cenários possíveis e condições necessárias para o desenrolar de um novo (ou o mesmo?) tipo de confinamento. Sob o ideal asséptico de uma cidade livre dos males que a assolam, subjuga-se a potência da vida de encontrar respostas.

Produção de saúde é produção de vida. Vida que se dobra e desdobra, que imagina e desenha linhas de fuga. E que cria e criará, sem dúvida, lugares possíveis de existência e de resistência ao ideal da construção de uma Cidade Limpa.

Ana Lucia Marinho Marques
* terapeuta ocupacional, mestre pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

terça-feira, 20 de setembro de 2011

DA UNIVERSIDADE, POUCO OU NADA SE PODE ESPERAR

De Laís Legg, médica, recebo:
Oi, Janer:

Li tua matéria sobre as crendices. Realmente, a indignação toma conta da gente quando lemos coisas assim. Se deu certo o tratamento, ”foi Deus”. Se não deu certo e o paciente morreu, “Ele escreveu certo por linhas tortas”. E quando um médico acredita nisso, sinto arrepios.

O vestibular de Medicina é o mais difícil de todos e o curso é o mais longo de todos. Ainda assim, após seis anos de graduação, o médico ainda não está pronto para o mercado, precisa enfrentar nova tarefa hercúlea que é a de passar na residência. Somente após nove anos será um especialista.

O que muita gente não sabe é que os acadêmicos de Medicina são percentil 98, ou seja, somente 2% dos candidatos do vestibular estão à sua frente. Podem observar nas listagens de aprovação: a grande maioria dos primeiros colocados nos demais cursos não ingressaria em Medicina, estão abaixo do último colocado. E eu falo, aqui, de Engenharia, Arquitetura, Economia, etc. Será que Deus interfere nisso, também? E a capacidade de cada um, onde fica? E a dedicação, as horas de estudo? A genética?

Podemos medir a temperatura da coisa ligando a TV, à tarde. Onde está a Vigilância Sanitária? Vemos propagandas mirabolantes, prometendo curas assombrosas com o uso de cartilagem de tubarão, lodos do Vesúvio, cogumelos e o escambau. Comecei a pensar que, talvez, Deus esteja fazendo uma espécie de “seleção natural”...

Sempre me causou espécie o fato de não acontecer a “baixa” de espíritos de advogados e engenheiros, por exemplo. Gostaria de ver alguém aprovando, na Prefeitura, um projeto de Engenharia recebido por um médium que “incorporou” algum profissional desencarnado e desenhou a planta. Ou, quem sabe, um agravo de instrumento recebido de algum desembargador que foi desta para a melhor? O que achas? Por que será que é só a Medicina tem essas prerrogativas, hein? Será que o além é preconceituoso?

Abraços,
Laís

Pois, Laís, ainda não vi espírito baixando em engenheiros. Nem em economistas. Mas não duvido que haja por aí engenheiros espíritas, recebendo projetos do Além. Quanto a advogados, o Brasil tem até associações jurídico-espíritas. Há juízes defendendo o testemunho via declarações mediúnicas do Além. Em maio de 2008, o Estadão denunciava estas práticas:

“Sob a justificativa de tornar a Justiça “mais sensível às questões humanitárias” e discutir questões morais como aborto, eutanásia, pena de morte e pesquisas de células-tronco, um grupo de delegados de polícia, advogados, promotores, procuradores e juízes acaba de criar a Associação Jurídico-Espírita de São Paulo (AJE), com cerca de 200 filiados. Entidades semelhantes já existem no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo e a maior delas é a Associação Brasileira de Magistrados Espíritas (Abrame), que reúne 700 juízes, desembargadores e até mesmo ministros de tribunais superiores”.

O jornal publicou declarações de ilustres causídicos defendendo os testemunhos do Além: “O Estado é laico, mas as pessoas não. Não tem como dissociar e dizer: vou usar a minha fé só dentro do centro espírita”, diz o promotor Tiago Essado, um dos fundadores da AJE. “Não enxergaria nenhuma diferença entre uma declaração feita por mim e uma declaração mediúnica, que foi psicografada por alguém”, afirma Alexandre Azevedo, juiz-auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça. “Não acredito em acaso, mas numa ordem que rege o universo, acredito em leis universais”, endossa o juiz Jaime Marins Filho. É preciso “questionar os poderes constituídos para que o direito e a Justiça sofram mais de perto a influência de espiritualizar”, conclui o juiz federal Zalmino Zimmermann, presidente da Abrame”.

Em vários Estados, advogados vêm apresentando aos Tribunais do Júri declarações psicografadas como estratégia de defesa. Nesse tipo de julgamento, como é sabido, os jurados não precisam fundamentar seus votos. Os juristas espíritas alegam que a psicografia pode ser levada em consideração desde que esteja em “harmonia” com as demais provas.

Quando o Judiciário brasileiro tem pelo menos 700 juízes, desembargadores e até mesmo ministros de tribunais superiores acreditando em superstições, vai mal a Justiça no país. Não bastassem as associações de magistrados espíritas, temos também as de médicos espíritas. Espiritismo é doença que, embora tendo nascido na França, viceja melhor em países pobres. Allan Kardec está sepultado no Père Lachaise, em Paris, mas são raros os franceses que sabem de quem se trata.

A doutrina criou raízes, fundamentalmente, no Brasil e nas Filipinas. O Brasil tem associações médico-espíritas em praticamente todos os Estados. Já existe uma Associação Médico-Espírita (AME-Internacional) que, ano passado, em um Congresso em Valencia, Espanha, reafirmava seu compromisso com a Medicina da Alma, com o estabelecimento de um novo paradigma de saúde no século XXI, que considera o homem como um ser integral, constituído de corpo físico, periespírito ou corpo espiritual e alma. Reafirmamos, em consequência , nosso compromisso com a prática da Medicina Integral que cuida do ser humano â luz da Espiritualidade.

Ou seja, já temos médicos tratando não só do corpo, mas também do periespírito. O que só comprova que universidade não é infensa à superstição. Pessoas com educação superior não conseguem fugir ao temor da morte. É este temor que cria religiões. Paulo sabia muito bem disto, quando escreve na 1ª Epístola aos Coríntios: “se Cristo não foi ressuscitado, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”. E larga sua bravata, que atravessou os séculos: "Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?"

A vitória da morte estava ali, a seu lado. Era preciso negar o óbvio, para criar uma superstição. Meu primeiro contato com espíritas ocorreu quando minha mulher morreu. Eles sempre aparecem quando alguém morre. Minha mulher morrera há mais de mês e eu conversava com amigos comuns. Em dado momento, uma moça atalhou: "Eu conversei ontem com ela". Nessas ocasiões, tomo uma atitude de crédulo. Se a moça afirmava com tanta convicção ter conversado com minha mulher, não seria eu quem iria contestá-la. Perguntei apenas o que ela havia dito. Ela deixou uma mensagem, disse a moça: "seja feliz".

O que me lembrou a aparição de Maria aos três pastores em Fátima. Quando interrogada sobre quem era, teria dito a Virgem: "Eu sou a Nossa Senhora". Ora, sendo Maria mais que santa, semideusa, é de supor-se que não tivesse domínio tão precário do português. Se se dirigia aos três pastores, o correto seria: "Eu sou a Vossa Senhora". Por um descuido sintático do narrador, o milagre ficou prejudicado.

Da mesma forma, a mensagem de minha companheira. Éramos gaúchos. Depois de passarmos por Curitiba e São Paulo, ela passou a usar o você, mas apenas ao tratar com curitibanos e paulistanos. Jamais me trataria por você. Como a comunicação de Maria, a de minha mulher também ficou sob suspeita. Mas não neguei o testemunho da moça. Podes falar de novo com ela? - perguntei. Claro - me respondeu. Pedi-lhe então que, quando voltasse a falar com ela, pedisse o código do celular, que eu havia ficado sem.

A moça entrou em pane, achava que não ia dar, códigos são coisas confidenciais, começou a perguntar que horas são e logo deu as de Vila Diogo. Contei a história mais tarde a professores universitários e um deles, também espírita, prometeu-me perguntar às instâncias do Além sobre o código do celular. Mas me alertou que o médium teria de ser muito poderoso para descobri-lo. Bem entendido, nunca mais me falou no assunto. Nem eu precisava do código, afinal sempre o tive e queria apenas divertir-me com a capacidade comunicativa dos tais de médiuns.

Quando magistrados, médicos e universitários se pautam por crendices idiotas, isto significa que do saber universitário pouco ou nada se pode esperar.

janer cristaldo

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

CATAR FEIJÃO

O poema Catar Feijão faz parte do livro A Educação pela pedra, de João Cabral de Melo Neto, cuja primeira edição foi publicada em 1965.

">

1.

Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

2.

Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.



No poema João Cabral de Melo Neto revela sua concepção do ato criador. Tem como objeto a construção do poema, toma como referência um ato do cotidiano em que também o escolher, o combinar são necessários.
O jogar as palavras é a primeira etapa criadora: a inspiração. Essa leva o artista a colocar no papel suas iniciais impressões.

Porém, o verdadeiro artista não fica aí: ele, assim como o catador de feijões, seleciona os melhores grãos, a fim de construir uma poesia que fale, não pelo excesso, mas pela contenção, desfazendo- se de tudo o que for leve e oco, palha e eco. O que já foi dito não interessa repetição. Sua paixão e consciência buscam a originalidade da forma e do conteúdo.

Em Cabral, o eu-lírico está presente com toda a força que sua ausência impõe, diferentemente de outros poetas, seus contemporâneos ou antecessores, que propuseram uma lírica subjetiva, idealizadora do mundo em oposição a este, quer expressando uma visão pessimista, irônica ou inconformada. Cabral não. Ele silencia a voz valorativa. Apresenta uma poética, em sua maior parte, crua, destituída de individualidade. Mas não isenta de seu olhar original sobre a realidade. Olhar que corta.

O poeta seleciona, vê e revela, mesmo disfarçando, o que seus olhos percebem. Numa postura inovadora: a pedra dando à frase seu grão mais vivo; o prazer mais vivo.

O rigor composicional do poema largamente difundido pela crítica nesse livro chega a seu ápice. São quarenta e oito poemas escritos em duas estrofes que muito se assemelham a quadros pictóricos, visualmente considerados. Ao todo cada poema atinge dezesseis ou vinte e quatro versos e o universo temático sempre tendo a ver com o Nordeste / Espanha, a condição humana e o fazer poético.

Tudo isso numa rede de inter-relações lucidamente arquitetada. Catar feijão se apresenta composicionalmente em duas partes, com a marcação da segunda delas como o número 2.

Na primeira parte o poeta descreve o que se pode denominar de habitual, comum num ato de catar feijão: a limpa, isto é, "jogar fora o leve e oco, palha e eco" que é a sobra, a sujeira – o "eco", pois o bom do feijão fica no fundo. Ocorre, porém, que já desde aí o poema conotativamente inicia seu jogo poético. A começar pelo título: Catar feijão. Nada mais despistador.

Na verdade, ao término de sua leitura, sabe-se que lhe interessa mesmo é o "catar" palavras. E nessa linha do despiste, o primeiro verso enuncia que "catar feijão se limita com escrever, quando quer mesmo a idéia de que escrever se limita com catar feijão. O jogo através do símile se faz o inverso, toma-se o real comparado na condição de comparante. A composição começa por demonstrar assim que ela toma-se a si mesma como modelo desse catar feijão em que a pedra dá à frase seu grão mais vivo:/ obstrui a leitura fluviante, flutual, /açula a atenção, isca-a com o risco.

O verbo catar assume o sentido de escolher. Porque catar feijão é, como catar palavras, recolher, retirar o que não é feijão ou não é feijão bom ,o que não é palavra adequada ou não é palavra boa. Nota-se que o rigor de escolha é mesmo exemplar. Conquanto haja o propósito de conceituar o ato de escrever, com a importância fundamental que lhe dá de ser dada, o poeta usa o verbo limitar para estabelecer proximidades (e não igualdade) entre comparante e comparado: "Catar feijão se limita com escrever", e não é o mesmo que catar feijão é como escrever. As diferenças e semelhanças dos dois atos ficam garantidamente asseguradas nos versos do poema.

E para demonstrar concretamente essa imagem, seguem-se os verso dois, três e quatro, com os quais estabelece simultaneamente a semelhança / diferença no ato de jogar: "joga-se os grãos na água do alguidar" é semelhante apenas na intenção de escolher a "e as palavras na folha de papel". E a imagem da diferença novamente se estabelece, pois, ao contrário dos grãos, as palavras não vão fundo, bóiam no papel, não obstante chumbo: Certo, toda palavra boiará no papel, / água congelada, por chumbo seu verbo.

A imagem é muito significativa, ainda mais quando se observa que a "água-papel" se contrasta com a "água – alguidar" não apenas quanto à imagem produzida: líquida, a do alguidar, sólida (e branca), a do papel, amas também porque a complexidade do verbo boiar é muito maior pelo efeito que o contexto lhe confere. Ora, na água – papel, efetivamente as palavras não bóiam porque não há fundo, mas conotativamente bóiam, quando ao texto não se ajustam, sendo então necessário "catá-las".

Com o visível propósito de evidenciar, concretizar a imagem buscada, o poema efetivamente se constrói sob o efeito de uma espécie de hipálage, atribui-se o que é próprio do catar feijão ao escrever (poesia) e vice-versa, numa estrutura sintática direcionada pelo símile. E nessa linha se fecha a primeira fase: "pois para catar esse feijão, soprar nele e jogar o leve e oco, a palha e eco.

"Esses são elementos concretamente próprios do ato de catar feijão jogado no alguidar: o que sobe é leve, palha, oco e, pois, eco (sujeira). Mas poeticamente é no "catar" palavras que ele se aplica: jogar fora as que são palha, ocas, portanto, eco. Deve-se atentar ainda para a especial conotação da palavra eco, que no poema é eco (sujeira de que se deve livrar) por fazer eco, (som desagradável, que se deve evitar).

Na segunda parte, a segunda estrofe, o poema expõe uma das conseqüências ou um dos resultados possíveis desse ato de catar feijão; o risco que se corre, pois pode ficar no fundo algo que, como o feijão, não bóia e que, estranho, é um perigo: "um grão qualquer, pedra ou indigesto, um grão imastigável, de quebrar dente". Isto para esse real catar feijão na água do alguidar.

Entretanto para acatar palavra o efeito é outro bem contrário: "a pedra dá à frase seu grão mais vivo:" Como se verifica, o processo composicional estabelecido se mantém. Apenas que desta feita a implícita comparação se dá de forma direta. A pedra para o "catar palavra" não é indigesta, mas sim renovadora.

Melhor dizendo, o indigesto em "catar palavras", qual seja, o que rompe o tradicional (o habitual) não causa problemas, ao contrário, instaura o novo, criativamente considerado, "a pedra dá à frase se grão mais vivo: / obstrui a leitura fluviante, flutual.

A sintaxe do poema é também bem peculiar. Sua estrutura dá sustentação à forma lógico-argumentativa em que se organiza. A reflexão sobre o fazer poético que busca limites no catar feijão se conduz por acirrada linguagem lógico – argumentativa. Os versos não as medidas extensas e variáveis, mais apropriados e adequados a esse tipo de raciocínio, no caso, poemático.

Mas o que singulariza a sintaxe poemática de Catar feijão é a construção firmada em frase elípticas, o que concorre tanto para a economia vocabular do poema enquanto para a sua pauta rítmica. Sirvam de exemplo: a elisão de água em: as palavras na da folha de papel;" v.3; e a intrincada construção com versos 5, 6 e 7: "Acertos, toda a palavra boiará no papel. Água congelada (que é água congelada), por chumbo seu verbo (por ser de chumbo o seu verbo); / pois para catar esse feijão, soprar nele (é necessário soprar nele)". Catar feijão é, pois, uma poema em que a construção poemática é brevemente discutida, melhor diria, argumentada (em dezesseis versos), porém numa linguagem poética lógico – discursiva bastante densa e rigorosamente trabalhada, dando-se próprio poema como exemplo desse fazer poético que ele mesmo preconiza. Há uma perfeita sintonia entre a cadência rítmica assegurada pela freqüência quase exclusiva de vocábulos paroxítonos e oxítonos alternado-se, a grande incidência da aliteração, da assonância e a reiteração de determinadas palavras ou expressões como já se observou. Essa sintonia se faz presente no amálgama dessa camada sonora com o campo semântico e sintático, o que também já ficou aqui observado. Se há uma certa dissonância: a rima toante feita de forma bem peculiar, a variabilidade da métrica nos versos, a sintaxe singularmente elíptica e outros, é porque "quando ao catar palavras "a pedra dá à frase seu grão mais vivo".

domingo, 18 de setembro de 2011

ESPORTE DE HOMEM NÁO É PORRADA. É PORRINHA.

Realmente não sou chegado a ver um bando de homens, dando pinta de que acabaram de escapar de uma gruta em Neanderthal, brigando. Por isso mesmo não assisti ao evento de luta livre (tem uma sigla pro treco, mas estou com preguiça de verificar qual é...) que ocorreu aqui no Rio. A última briga entre cariocas que me interessou foi entre os índios tamoios e temiminós, nos idos do século XVI , nas praias da Guanabara. Depois de Araribóia e Cunhambebe e seus respectivos tacapes eu não respeito homem nenhum saindo no braço.

Um conhecido meu, durante um rápido encontro no Centro da cidade, tentou me convencer a assistir o confronto entre os egressos do Paleolítico Inferior com o argumento de que isso sim é "esporte de homem". Respondi que esporte de homem, pra mim, nem o futebol é. Só mesmo a porrinha disputada nos botequins mais vagabundos merece essa alcunha. É por isso que reproduzo abaixo um texto que escrevi em 2010, logo depois da escolha do Rio de Janeiro como cidade olímpica : Porrinha nas Olimpíadas de 2016! E vai em negrito, pra fortalecer a campanha.

Existem vários tipos de espíritos que podem encostar e pegar o sujeito. Eu, por exemplo, que vim de uma família ligada ao espiritismo em suas vertentes macumbais - umbanda e encantaria - quando era pequeno ouvi da minha avó que era sempre bom pedir auxílio aos espíritos e entidades; eles viriam me ajudar. Tornei-me, então, devoto do espírito mais citado lá em casa: O espírito de porco. Fazia pedidos a ele.

Quando descobri, lá pelos sete anos, que o espírito de porco não era exatamente quem eu imaginava, mergulhei durante meses no mais absoluto materialismo e virei comunista. Foi o seguinte: Tomei um esporro da minha avó no dia em que perguntei a ela qual era o ponto que eu devia cantar para saudar o espírito de porco. Ela achou que era sacanagem minha. Posso, inclusive, confessar algo que só pretendia fazer ao médium de mesa branca depois da morte - o dia em que descobri que o espírito de porco não era uma entidade correspondeu, em termos de impacto, à notícia sobre a inexistência do Papai Noel para centenas de outras crianças.

Parêntese: Vejam como são as coisas. Comecei falando do espírito de porco quando, na verdade, pretendia escrever desde o início sobre outro espírito - o olímpico. Retomo no próximo parágrafo a ideia original.

A escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 20l6 despertou em mim forte vocação esportiva. Entusiasta dos esportes do Brasil, sou fã e praticante amador de um jogo fundamental para nossa gente brasileira, tão sofrida e adepta do desporto como instrumento de inclusão social : a porrinha [ou purrinha], também conhecida como basquete de bolso.

A porrinha é um esporte altamente sofisticado e democrático. Os estádios ideais para a prática são os botequins mais vagabundos. Cada atleta, em geral, inicia a peleja com três palitinhos. A partida começa quando os jogadores escondem uma certa quantidade de palitos numa das mãos e as estendem, fechadas, para a frente. Cada jogador dá, então, o seu palpite sobre quantos palitos estão no jogo. Ganha a rodada quem acertar o número exato de palitos.

A porrinha exige dos esportistas alguns atributos fundamentais: Sorte, inteligência para blefar e perceber o blefe e preparo físico para jogar enquanto quantidades generosas de cervejas e cachaças são consumidas durante o embate. Recomenda-se um trabalho de musculação para o fortalecimento da musculatura do bíceps, que sofrerá o impacto do peso dos palitos durante a refrega. O uniforme ideal para a prática do desporto é simples e consiste em bermuda, camiseta e sandália de dedo.

Pesquisas que fiz em compêndios e dicionários especializados indicam que a provável origem da porrinha é o antigo Império Romano. Os soldados de Roma costumavam praticar, nos intervalos das batalhas mais sangrentas, um jogo conhecido como Morra. O negócio consistia no seguinte: Os jogadores escondiam uma certa quantidade de dedos da mão direita às costas e diziam um número. Aquele que acertasse o número exato era o vencedor. O troço era popularíssimo e há relatos nas crônicas de Seleno de torneios realizados no Coliseu que terminaram em matanças tremendas.

Alguns especialistas defendem que o nome porrinha surgiu de uma expressão proferida por Santo Agostinho no século IV - Porro cum quo micas in tenebris ei liberum est, si veliti, fallere. Tradução: Com certeza, mesmo que avisado, podes enganar aquele com quem jogas morra no escuro. O latim porro, com o tempo, virou porra. A porra virou porrinha.

O Brasil transformou a velha porrinha romana em coisa nossa, como o samba, a prontidão e outras bossas. Introduzimos os palitinhos de dente ou fósforo no babado e consagramos o botequim como palco da disputa. Fizemos a mesma adaptação em relação ao futebol, o jogo sem graça dos ingleses que ganhou a ginga e o balacobaco canarinho.

É por isso que sugiro, com a maior seriedade, campanha em meios de comunicação e o esforço dos formadores de opinião para que a porrinha seja considerada esporte olímpico em 2016. Clamo pelo empenho do Doutor João Havelange, do presidente Lula, de Pelé e demais autoridades físicas e metafísicas para que o Comitê Olímpico Internacional faça justiça com o histórico esporte.

Não precisaremos, pensem nisso, sequer construir estádios. Aqui no Maracanã temos, por exemplo, o Bode Cheiroso, botequim com estrutura para sediar os embates. Imagino até o novo nome do estabelecimento: Complexo Olímpico Bode Cheiroso.

A memória dos grandes e falecidos atletas da porrinha de todos os tempos - Meu avô, Jorge Macumba, Seu Nilton, Manoelzinho Motta, Seu Vovô, Abecedário, João do Vale, Teté, Claudio Camunguelo, Dr. Castor de Andrade, Moisés Xerife, Candonga, Primo Pobre, Querido de Deus, Seu Sete Rei da Lira, Madame Satã, Camisa Preta, Julião Vem Cá Meu Puto, Wilson Batista, Almir Pernambuquinho ... - poderá inclusive servir como instrumento de forte campanha de marketing para estimular a prática educativa do esporte entre nossa juventude.
Esporte de homem não é porrada. É porrinha.

Abraços
Luiz Antonio Simas

A IRMANDADE SECRETA DE PEDÓFILOS

A INCRÍVEL HISTÓRIA DOS VELHINHOS PEDÓFILOS DE ÁGUA BRANCA (AL). A CIDADE ESTÁ BRANCA DE VERGONHA. A polícia prendeu doze acusados de estuprarem três meninas por mais de um ano. Um deles tem 90 anos de idade!

OS ACUSADOS DE ESTUPRAREM MENININHAS.
(Fotos divulgação)

Água Branca pegou fogo ontem quando a polícia começou a cumprir o mandado de prisão expedido pelo juiz Kleber Rocha contra oito cidadãos acusados de estarem estuprando três meninas há, pelo menos, um ano.

O juiz acatou o pedido de prisão feito pelo promotor José Antônio Malta, que aguardava informações de investigações policiais. De que água os velhotes beberam?

Água Branca é uma cidade antiga, nos confins do sertão alagoano, quase na divisa com Bahia e Pernambuco, na região de Paulo Afonso. Gente trabalhadora, a maioria na zona rural, trabalho duro, sofrido. A lavoura não é vida fácil. Cuidar do gado também não.

No entanto, sempre existem boatos, fofocas, rumores. Em Água Branca não podiam faltar. Há algum tempo teve gente que observou que havia algo estranho acontecendo. Mas é difícil descobrir. Certas coisa se desconfia mas não se comprova. Cidade pequena é um perigo. Todo mundo se conhece.

Rumores, boatos, fofocas.


Este anda com más intenções com a mulher daquele. Aquela sem-vergonha pula-cerca. O filho do vizinho, com aqueles modos afetados, sei não. E que diabos fazem aquelas meninas quem andam tanto perto da sorveteria e se enfiando em banheiro público de modo sorrateiro?

Quem já morou no interior, na zona rural, em pequenas vilas sabe como é fácil imaginar coisas e como é fácil essas coisas serem mesmo verdade. Assim foi que pessoas começaram a desconfiar de algo e acabaram as dúvidas chegando às autoridades.

Bem, o resto sabemos. A polícia prendeu doze marmanjos, oito deles idosos, cinco deles acima de 70 anos! Um com 90 anos! Valha-me Deus!


Por que eles não fizeram dois times de futebol de salão e gastaram as energias numa quadra? Porque não montaram um time de futebol e não foram procurar diversão contra outros times? Não, foram montando um grupo de pervertidos. É disso que se trata.

Primeiro poucos, receosos, ressabiados. Depois mais alguns. Depois mais outros, e o grupo vai crescendo, como uma irmandade secreta. A irmandade secreta da danação de crianças indefesas. Velhos safados. Uns ajudando os outros e todos ferrando as menininhas.

Em tantas cidades pequenas, ou não, o que fazem aposentados? Jogam em praças públicas, à sombra de grandes árvores. Dominó, tranca, porrinha, damas, qualquer coisa que ajude a passar o tempo lento das calorentas cidades como Água Branca.

Ficam em uma mesa de bar tomando uns tragos e contando “causos”, histórias de caças, de pescaria, aventuras romanceadas da juventude. Uns amendoins, umas iscas de carne seca. Mas pegar criancinhas!...


Mas o tempo não passa e os velhotes começam a falar asneiras e besteiras. Passam meninas para cá e para lá, brincando, em plena infância, e os tais marmanjos começam a ver a meninas, de seis, sete, oito anos de idade, como caça.

O que fazer? Como levá-las a um canto escuro qualquer? Um doce, uns trocados, um sorvete de vez em quando. É fácil. A pobreza larga as crianças nas ruas. As prefeituras não têm recursos. As crianças acreditam em velhinhos que mais parecem papais-noéis.

É aí que mora o perigo. Canalhas.

Um ano abusando das crianças, conforme os dados da polícia. No banheiro púbico, na sorveteria. Segundo se informou, uma das meninas chegou a contrair gonorréia. Imaginem uma criança com doença venérea. Nem sabe de quê se trata.

Enquanto isso, em Brasília, as autoridades do MEC às volta com vídeos para ensinar meninos e meninas em idade escolar a se beijarem. Meninas beijando e namorando meninas, meninos beijando e namorando meninos. Os tais vídeos para que as crianças aprendam sobre sexo e homossexualidade. É isso que está faltando para as crianças do Brasil.

É nesse Brasil de velhotes tarados “comedores” de crianças que o MEC quer ensinar sobre lesbianismo para crianças. E distribuição de camisinhas em máquinas, nas escolas, como se fosse chiclete. Esse é o Brasil moderno e progressista. Nem sei quem é mais tarado.

Pois é, e Água Branca, nos confins do sertão de Alagoas poderia ter entrado para o noticiário por outras coisas mais nobres, mas foi por essas infelizes crianças e seus estupradores.


A PRISÃO (PCA)

Ainda bem que foram levados para Maceió, porque poderiam ter encontrado problemas ficando na cidade. Já havia gente falando em espremer seus testículos com pedras quentes até os “bagos saltarem” e ficar só a pele. Conforme li em comentários de blogs do Nordeste.

Claro, as pessoas ficam indignadas com essas coisa, com essa falta de vergonha na cara de um senhor de 90 anos de idade. Não tem netos e bisnetos? O que faria um matusalém desses se fosse a sua bisneta a estuprada pelos seus amigos de sacanagens?

Perdoem-me o vocabulário, mas essa história me enojou bastante. Espero que a Justiça, agora não lhes conceda liberdade tão cedo, que fiquem em prisão preventiva. Se voltarem para Água Branca a situação poderá ficar complicada.

Foram presos:

Alvino Sandes Lima, de 90 anos;
Francisco Xavier Neto (conhecido como Chico de Izadias), de 73 anos;
José Euclides de Souza, o Pernambuco, de 82 anos;
Jovileu Ferreira Batista, o Leu, 65 anos;
Marevaldo Manoel da Silva, o Mareval, 50 anos;
Manoel Messias Vieira da Silva, o Mané Macedo, 70 anos;
Luiz Francisco dos Santos, o Luquinha, 50 anos;
José Cardeal, o Zé do Piolho, 76 anos;
Cícero Luiz da Silva, 31 anos;
José Cláudio Lima da Silva, o Cacau, idade não divulgada;
Severino João dos Santos, o Major, idade não divulgada;
Manoel Francisco dos Santos, conhecido como Lila, 61 anos.


Com Cícero Luiz da Silva, os policiais civis apreenderam um revólver calibre 38.

Informações coletadas na Imprensa.