segunda-feira, 23 de novembro de 2015

ENTÃO, O QUE TEMOS DE APRENDER NA AULA DE HOJE??



Reprodução do site Essas e Outras

















Não sei da última, nem da penúltima. Não sei das redes, o meu mar é outro. Viralizou no ciberespaço? Sinal de que precisa cair na real. Parem o mundo, pois quero descer, lenta e preguiçosamente, olhando o sol se pôr. Não nasci para a pressa, nem para frequentar o inferno imaginário das preocupações irrealistas. Adoro observar o mundo que me cerca, na sua infinitude de possibilidades, num esplendor de cores, sons, gostos, toques e sabores. Viver é experimentar. Sempre coisas novas, pois as mesmas experiências, repetidas sempre, perdem o prazer das sensações e a amplitude das percepções que moldam e ampliam a nossa consciência de existir.
Não quero gastar meu tempo, quero ocupá-lo com o que me relaxe e me enriqueça. Não de bens materiais, pois esses vem e vão, viram poeira das vaidades e ilusões, tão humanas, tão pueris. Quero me enriquecer de vivências, me embriagar de alegria, me satisfazer de emoções. Envelhecer sábio o suficiente para não temer a velhice, para compreender cada perda de pessoas amadas que me precederem, assim como ensinar aos que me amam que a cada dia minha partida se aproxima e que morrer é algo tão natural quanto nascer. Amar no desprendimento, à distância, na certeza do reencontro num universo paralelo e eterno.
Quero poder contar histórias ridículas do meu tempo para os netos, que vão adorar mais que um game, um aplicativo ou algo que o valha. Desejo que um dia meus filhos me compreendam, por tudo que fiz e deixei de fazer como pai, e que ainda assim continuem me pedindo a “benção” e, mesmo sem graça, permaneçam adultos capazes de me beijar o rosto no meio da rua.
SEM RECOMPENSAS
Que me perdoem pelas falhas técnicas e se orgulhem por um legado, que será dito pelos anônimos que um dia pude deixar.
Não quero recompensa, não crio expectativas. Sou pai pássaro, faço ninhos, alimento na boca, deixo crescer asas e ensino a voar. O voo é livre, liberto e cheio de riscos, pois assim é a vida. Não apoio gaiolas de ouro, alpiste de primeira e água mineral a vida inteira. O canto triste me angustia. Quero, mesmo velho, voar solo por mares e ares nunca dantes navegados. Relaxar tranquilo e em paz, numa rede ao fim de uma tarde chuvosa e tranquila, ou à beira- mar num recanto sem turismo ou temporada.
Ler ou escrever um livro, ouvir América ou Paul Simon. Com ou sem companhia, pois a paz de espírito, a fé e o amor, antes de mais nada, são uma conquista de dentro para fora. Ai de quem depende de filho, cônjuge, dinheiro, status, tela, bebida, droga ou qualquer dependência para encontrar a felicidade, um sentido de vida, o caminho da plenitude!
Bem, voltando para a sala de aula, nessa escola da vida, o que temos que reaprender no dia de hoje?

23 de novembro de 2015
Eduardo Aquino
O Tempo

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