Não me lembro qual foi o último grande show que eu vi. Ando me recusando a ir nesses eventos. Sou um dos poucos brasileiros que não têm manha para descolar uma carteirinha falsa da Une para garantir uma meia entrada. Pode me chamar de bundão, se quiser.
Como não tenho carteirinha, não acho legal pagar 350 pilas para ver um show que o filho de banqueiro vai ver pela metade - só porque é estudante. E tem o lance da idade. Depois dos 40, tomar pisão e ficar 8 horas sem poder ir ao banheiro deixa de ser divertido. A gente fica meio exigente – Vinho Chapinha, por exemplo, nunca mais.
Os empresários reclamam do custo Brasil. Fazer show é caro mesmo. Mas aí eu lembro que esses shows têm sempre uma área vip, que é reservada para os Hucks e Angélicas ficarem bebericando champagne. De graça. E sem gostar da banda. O Huck poderia pagar os 500 paus e levar a bebida de casa, certo?
Lollapalooza? O ingresso mais barato custa 300 pilas. Eu só conheço meia dúzia de bandas. Desanima. Mas aposto que a Ana Maria Braga vai ganhar ingresso. Ela, que é LOU-CA por Foo Fighters, né?
Mas o pior é quando acontece isso aqui: João Gilberto anunciou show em São Paulo. O ingresso mais barato era de (pasmem) 500 pilas. E aí, cancelaram o show. Pior: quem comprou o ingresso vai receber a grana de volta em 3 prestações, sem a taxa de serviço. É isso aí: o cara é extorquido à vista e é reembolsado a prazo. E nada de explicações.
Agora, calcule aí, Juquinha: 500 paus para ver um circo com 30 malabaristas e 80 palhaços, vá lá. Mas pagar 500 reais para ver um cara no palco com um violãozinho? Putz, quanto custa o uisquinho do João?
Além disso, pagar para ver João Gilberto é uma atitude de risco. Ninguém garante que o cara não vai ter um chilique e abandonar o palco porque alguém tossiu na 23ª fila. Melhor é vê-lo em DVD. Custa pouco. E a chance dele parar o show é nula.
Se é para ver patinho fazendo quem-quem, prefiro o sofá de casa.
walter carrilho
Podem ser anotações casuais de um passante, porque quando começamos nossa jornada, não distinguimos bem a paisagem. Ela sempre nos surpreende. Desconhecemos aonde nos pode levar o caminho. Não o escolhemos... Perambular é o próprio caminho. Uma narrativa do destino que desenhamos inconscientemente. O que pretendo? Tecer algumas considerações fora da mesmice, e pinçar alguns textos curiosos que despertem a paixão...
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
O PRIVILÉGIO DE NASCER NO BRASIL...
AZAR DO CHIRAC QUE ELE NÃO É PETISTA E EX-PREFEITO DE BELO HORIZONTE
O ex-presidente da França Jacques Chirac foi considerado culpado de apropriação indébita e quebra de confiança.
Chirac foi sentenciado a dois anos de prisão que vai cumprir em regime de liberdade condicional. O ex-presidente foi considerado culpado de criar "cargos fantasmas" para membros de seu partido, o RPR, na época em que foi prefeito de Paris (entre 1977 e 1995).
Chirac, que foi presidente da França durante 12 anos até 2007, é o primeiro ex-presidente do país a ser condenado desde a Segunda Guerra Mundial.
O ex-presidente não compareceu ao julgamento, foi representado por seus advogados, por sofrer de lapsos de memória e outros problemas de saúde.
(Da BBC Brasil)
O ex-presidente da França Jacques Chirac foi considerado culpado de apropriação indébita e quebra de confiança.
Chirac foi sentenciado a dois anos de prisão que vai cumprir em regime de liberdade condicional. O ex-presidente foi considerado culpado de criar "cargos fantasmas" para membros de seu partido, o RPR, na época em que foi prefeito de Paris (entre 1977 e 1995).
Chirac, que foi presidente da França durante 12 anos até 2007, é o primeiro ex-presidente do país a ser condenado desde a Segunda Guerra Mundial.
O ex-presidente não compareceu ao julgamento, foi representado por seus advogados, por sofrer de lapsos de memória e outros problemas de saúde.
(Da BBC Brasil)
BRASIL DO PT VIRA IMENSO CABIDE DE EMPREGOS
Em 2005, a parcela na economia nacional era de 12,9%, crescendo ano a ano até chegar a 14,1% em 2009. "Foi um salto significativo, sobretudo de 2008 para 2009", disse Sheila Cristina Zani, gerente da pesquisa do IBGE. O peso de Brasília no PIB, por exemplo, subiu de 3,9% para 4,1%, justamente em razão das contratações do governo.
Mais de um terço das economias de 1.968 municípios brasileiros é dependente da máquina pública. Nessas cidades, que representam 35,4% de um total de 5.565 no país, o Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos) é sustentado basicamente pelas pensões e aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e pelos salários pagos a servidores da administração, da saúde e da educação. Os dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fazem parte de uma pesquisa que avaliou o PIB municipal em 2009.
Segundo o levantamento, a dependência da renda paga por União, estados e municípios é mais acentuada no Nordeste, cobrindo 76,3% dos municípios, e no Norte (57,9%). Em Roraima, a situação atinge todas as cidades e, no Amapá, apenas uma fica de fora, Serra do Navio, graças às suas indústrias. Entre os que têm o maior vínculo econômico com a máquina pública, destacam-se Uiramutã (RR), com 80%, e Areia de Baraúnas (PB), com 71,4%.
A metodologia do IBGE considera, para o cálculo do PIB municipal, os setores de agropecuária, indústria e serviços. A administração pública faz parte dos serviços, que também incluem o segmento financeiro. Segundo o instituto, o peso das atividades ligadas ao setor público vem ampliando a participação em relação ao PIB ao longo dos anos. Em 2005, a parcela na economia nacional era de 12,9%, crescendo ano a ano até chegar a 14,1% em 2009. "Foi um salto significativo, sobretudo de 2008 para 2009", disse Sheila Cristina Zani, gerente da pesquisa.
(Correio Braziliense)
A VIDA PRIVADA DE PIMENTEL
Dilma Rousseff afirmou que “o governo acha estranho que o ministro (Pimentel) preste satisfações ao Congresso da sua vida privada”.
Já é um avanço. Pelo menos, o governo Dilma começou a estranhar alguma coisa. Ninguém aguentava mais esse clima de normalidade.
Realmente, não dá para entender esse interesse do Congresso Nacional pela vida privada de Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-consultor de empresas privadas.
Como os parlamentares de oposição não respeitam a privacidade do ministro, cumpre fazer um esclarecimento: a vida privada de Fernando Pimentel é muito mais abrangente do que imaginam os nobres deputados e senadores.
Para que não pairem mais dúvidas sobre o assunto, e para que cessem de uma vez por todas essas convocações muito estranhas, vamos deixar claro o perímetro da vida privada de Pimentel.
Ao contrário da maioria das pessoas, Fernando Pimentel não é um indivíduo não-governamental. Seu universo particular em expansão alcança zonas do poder público – especialmente em Belo Horizonte e em Brasília.
Foi por isso que em 2009 e 2010, quando estava sem mandato, Pimentel deu um show como consultor econômico – faturando de cara R$ 2 milhões e deixando de queixo caído a concorrência muito mais experiente do que ele.
Os consultores normais, PhDs e especialistas em geral podem ser muito bons, mas são privados demais.
No período em que prestou suas consultorias, Pimentel tinha grande influência na Prefeitura de BH e no partido do presidente da República – que inclusive o escolheu na época para coordenar a campanha sucessória.
O que o Congresso não entende é que a vida pessoal de Pimentel contém sua invejável amizade com Dilma Rousseff (que fez dele um consultor ministeriável). Também estão contidos na sua privacidade seus amigos de fé no governo da capital mineira, e seus irmãos camaradas na iniciativa privada – que adorariam vê-lo governador em 2014, porque o acham um cara legal.
Feita essa demarcação territorial da imensa vida privada de Fernando Pimentel, espera-se que não perturbem mais a presidente Dilma com pedidos de explicação estranhos.
E vamos em frente, porque o Brasil, pelo visto, não estranha mais nada.
guilherme fiuza, 14.12.2011
Já é um avanço. Pelo menos, o governo Dilma começou a estranhar alguma coisa. Ninguém aguentava mais esse clima de normalidade.
Realmente, não dá para entender esse interesse do Congresso Nacional pela vida privada de Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-consultor de empresas privadas.
Como os parlamentares de oposição não respeitam a privacidade do ministro, cumpre fazer um esclarecimento: a vida privada de Fernando Pimentel é muito mais abrangente do que imaginam os nobres deputados e senadores.
Para que não pairem mais dúvidas sobre o assunto, e para que cessem de uma vez por todas essas convocações muito estranhas, vamos deixar claro o perímetro da vida privada de Pimentel.
Ao contrário da maioria das pessoas, Fernando Pimentel não é um indivíduo não-governamental. Seu universo particular em expansão alcança zonas do poder público – especialmente em Belo Horizonte e em Brasília.
Foi por isso que em 2009 e 2010, quando estava sem mandato, Pimentel deu um show como consultor econômico – faturando de cara R$ 2 milhões e deixando de queixo caído a concorrência muito mais experiente do que ele.
Os consultores normais, PhDs e especialistas em geral podem ser muito bons, mas são privados demais.
No período em que prestou suas consultorias, Pimentel tinha grande influência na Prefeitura de BH e no partido do presidente da República – que inclusive o escolheu na época para coordenar a campanha sucessória.
O que o Congresso não entende é que a vida pessoal de Pimentel contém sua invejável amizade com Dilma Rousseff (que fez dele um consultor ministeriável). Também estão contidos na sua privacidade seus amigos de fé no governo da capital mineira, e seus irmãos camaradas na iniciativa privada – que adorariam vê-lo governador em 2014, porque o acham um cara legal.
Feita essa demarcação territorial da imensa vida privada de Fernando Pimentel, espera-se que não perturbem mais a presidente Dilma com pedidos de explicação estranhos.
E vamos em frente, porque o Brasil, pelo visto, não estranha mais nada.
guilherme fiuza, 14.12.2011
A MORTE DEVAGAR
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor, ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televião o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco, e os pontos sobre os i´s em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho nos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva que cai incessante.
Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples ato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade!
Viva hoje!
Arrisque hoje!
Faça hoje!
Não se deixe morrer lentamente !
Não se esqueça de ser feliz!
By Martha Medeiros.
Morre lentamente quem destrói o seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor, ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televião o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco, e os pontos sobre os i´s em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho nos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva que cai incessante.
Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples ato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade!
Viva hoje!
Arrisque hoje!
Faça hoje!
Não se deixe morrer lentamente !
Não se esqueça de ser feliz!
By Martha Medeiros.
TANGO
O tango é a dança da carne, do desejo, dos corpos entrelaçados. É um diálogo novo, a sedução feita movimento, o ir e vir, encontro de dois mundos. É um baile exibicionista, esteticamente belo, e ronda sem temores o universo do lúdico. O casal de baile roça seus sapatos entre sensuais carícias enquanto o atônito espectador ocasional, eterno voyeur, se fascina e deslumbra com o ardor do tácito romance entre os dançarinos.
Originariamente, o tango nasceu no final do século XIX de uma mistura de vários ritmos provenientes dos subúrbios de Buenos Aires. Esteve associado desde o princípio com bordéis e cabarés, âmbito de contenção da população imigrante massivamente masculina. Devido a que só as prostitutas aceitariam esse baile, em seus começos era comum que o tango fosse dançado por um casal de homens.
Mas o tango como dança não se limitou às zonas baixas ou a seus ambientes próximos. Estendeu-se também aos bairros proletários e passou a ser aceito “nas melhores famílias”, principalmente depois que a dança fez sucesso na Europa.
A melodia provinha de flauta, violino e violão, sendo que a flauta foi posteriormente substituída pelo “bandoneón” (espécie de sanfona) por volta de 1900, vindo nas maletas de imigrantes alemães. Os imigrantes acrescentaram ainda todo o seu ar nostálgico e melancólico e desse modo o tango foi se desenvolvendo e adquirindo um sabor único. Dizem que “o tango é um pensamento triste que se pode dançar”.
Carlos Gardel foi o inventor do tango-canção. Falecido em 1935, aos 45 anos, em um acidente aéreo, ele foi o grande divulgador do tango no exterior. Nos anos 60, porém, o gênero foi ignorado fora da Argentina. Ressurgiu renovado por Astor Piazzolla, que lhe deu uma nova perspectiva, rompendo com os esquemas do tango clássico.
Há diferentes tendências em seu estilo: o tango-canção, tango canyengue, o tango milonga, tango romanzae o tango jazz. Hoje em dia é possível até encontrar estilos como tango rock e o eletrotango (tango eletrônico). Este último pode ser conferido nos trabalhos dos grupos Bajofondo e Gotan Project.
No cinema o tango foi trilha sonora em vários filmes, destacadamente em “Perfume de Mulher”, “Dança comigo” e “Vem dançar”. Nos vídeos abaixo, dois momentos que eu considero inesquecíveis:
“Vem dançar”, com Antonio Banderas no papel de Pierre Dulaine, história real de um dançarino de salão profissional, que se torna voluntário para dar aulas de dança em uma escola pública de Nova York. Pierre tenta apresentar seus métodos clássicos, mas logo enfrenta resistência dos alunos, mais interessados em hip-hop. É quando, deste confronto, nasce um novo estilo de dança, mesclando os dois lados e tendo Pirre como mentor.
“Perfume de Mulher”, com Al Pacino no papel de Frank Slade, um tenente-coronel cego que viaja para Nova York com Charlie Simms (Chris O’Donnell), um jovem acompanhante, com quem resolve ter um final de semana inesquecível antes de morrer. Porém, na viagem, ele começa a se interessar pelos problemas do jovem, esquecendo um pouco sua amarga infelicidade.
Hoje em dia o tango vive, não como o fenômeno de massas que o engendrou, mas sem nenhuma dúvida como elemento identificatório da alma portenha e em permanentes evocações espalhadas por toda Buenos Aires.
By Joemir Rosa.
Originariamente, o tango nasceu no final do século XIX de uma mistura de vários ritmos provenientes dos subúrbios de Buenos Aires. Esteve associado desde o princípio com bordéis e cabarés, âmbito de contenção da população imigrante massivamente masculina. Devido a que só as prostitutas aceitariam esse baile, em seus começos era comum que o tango fosse dançado por um casal de homens.
Mas o tango como dança não se limitou às zonas baixas ou a seus ambientes próximos. Estendeu-se também aos bairros proletários e passou a ser aceito “nas melhores famílias”, principalmente depois que a dança fez sucesso na Europa.
A melodia provinha de flauta, violino e violão, sendo que a flauta foi posteriormente substituída pelo “bandoneón” (espécie de sanfona) por volta de 1900, vindo nas maletas de imigrantes alemães. Os imigrantes acrescentaram ainda todo o seu ar nostálgico e melancólico e desse modo o tango foi se desenvolvendo e adquirindo um sabor único. Dizem que “o tango é um pensamento triste que se pode dançar”.
Carlos Gardel foi o inventor do tango-canção. Falecido em 1935, aos 45 anos, em um acidente aéreo, ele foi o grande divulgador do tango no exterior. Nos anos 60, porém, o gênero foi ignorado fora da Argentina. Ressurgiu renovado por Astor Piazzolla, que lhe deu uma nova perspectiva, rompendo com os esquemas do tango clássico.
Há diferentes tendências em seu estilo: o tango-canção, tango canyengue, o tango milonga, tango romanzae o tango jazz. Hoje em dia é possível até encontrar estilos como tango rock e o eletrotango (tango eletrônico). Este último pode ser conferido nos trabalhos dos grupos Bajofondo e Gotan Project.
No cinema o tango foi trilha sonora em vários filmes, destacadamente em “Perfume de Mulher”, “Dança comigo” e “Vem dançar”. Nos vídeos abaixo, dois momentos que eu considero inesquecíveis:
“Vem dançar”, com Antonio Banderas no papel de Pierre Dulaine, história real de um dançarino de salão profissional, que se torna voluntário para dar aulas de dança em uma escola pública de Nova York. Pierre tenta apresentar seus métodos clássicos, mas logo enfrenta resistência dos alunos, mais interessados em hip-hop. É quando, deste confronto, nasce um novo estilo de dança, mesclando os dois lados e tendo Pirre como mentor.
“Perfume de Mulher”, com Al Pacino no papel de Frank Slade, um tenente-coronel cego que viaja para Nova York com Charlie Simms (Chris O’Donnell), um jovem acompanhante, com quem resolve ter um final de semana inesquecível antes de morrer. Porém, na viagem, ele começa a se interessar pelos problemas do jovem, esquecendo um pouco sua amarga infelicidade.
Hoje em dia o tango vive, não como o fenômeno de massas que o engendrou, mas sem nenhuma dúvida como elemento identificatório da alma portenha e em permanentes evocações espalhadas por toda Buenos Aires.
By Joemir Rosa.
VIDA PASSAGEIRA
Se pudéssemos ter consciência do quanto nossa vida é passageira, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades que temos de ser e de fazer os outros felizes.
Muitas flores são colhidas cedo demais. Algumas, mesmo ainda em botão. Há sementes que nunca brotam e há aquelas flores que vivem a vida inteira até que, pétala por pétala, tranquilas, vividas, se entregam ao vento.
Mas a gente não sabe adivinhar. A gente não sabe por quanto tempo estará enfeitando esse Éden e tampouco aquelas flores que foram plantadas ao nosso redor.
E descuidamos. Cuidamos pouco. De nós. Dos outros.
Nos entristecemos por coisas pequenas e perdemos minutos e horas preciosos. Perdemos dias, às vezes anos. Nos calamos quando deveríamos falar; falamos demais quando deveríamos ficar em silêncio.
Não damos o abraço que tanto nossa alma pede porque algo em nós impede essa aproximação.
Não damos um beijo carinhoso “porque não estamos acostumados com isso” e não dizemos que gostamos porque achamos que o outro já sabe, automaticamente, o que sentimos.
E passa a noite e chega o dia, o sol nasce e adormece e continuamos os mesmos, fechados em nós. Reclamamos do que não temos, ou achamos que não temos o suficiente.
Cobramos. Dos outros. Da vida. De nós mesmos.
Nos consumimos. Costumamos comparar nossas vidas com as daqueles que possuem mais que a gente. E se experimentássemos comparar com aqueles que possuem menos? Isso faria uma grande diferença!
E o tempo passa …
Passamos pela vida, não vivemos. Sobrevivemos, porque não sabemos fazer outra coisa. Até que, inesperadamente, acordamos e olhamos para trás. E então nos perguntamos:
- “E agora?”
Agora, hoje, ainda é tempo de reconstruir alguma coisa, de dar o abraço amigo, de dizer uma palavra carinhosa, de agradecer pelo que temos.
Nunca se é velho demais ou jovem demais para amar, dizer uma palavra gentil ou fazer um gesto carinhoso.
Não olhe para trás. O que passou, passou. O que perdemos, perdemos. Olhe para frente!
Ainda é tempo de apreciar as flores que estão inteiras ao nosso redor.
Ainda é tempo de voltar-se para Deus e agradecer pela vida que, mesmo passageira, ainda está em nós.
Pense!
Não perca mais seu tempo …
Desconheço a autoria.
Muitas flores são colhidas cedo demais. Algumas, mesmo ainda em botão. Há sementes que nunca brotam e há aquelas flores que vivem a vida inteira até que, pétala por pétala, tranquilas, vividas, se entregam ao vento.
Mas a gente não sabe adivinhar. A gente não sabe por quanto tempo estará enfeitando esse Éden e tampouco aquelas flores que foram plantadas ao nosso redor.
E descuidamos. Cuidamos pouco. De nós. Dos outros.
Nos entristecemos por coisas pequenas e perdemos minutos e horas preciosos. Perdemos dias, às vezes anos. Nos calamos quando deveríamos falar; falamos demais quando deveríamos ficar em silêncio.
Não damos o abraço que tanto nossa alma pede porque algo em nós impede essa aproximação.
Não damos um beijo carinhoso “porque não estamos acostumados com isso” e não dizemos que gostamos porque achamos que o outro já sabe, automaticamente, o que sentimos.
E passa a noite e chega o dia, o sol nasce e adormece e continuamos os mesmos, fechados em nós. Reclamamos do que não temos, ou achamos que não temos o suficiente.
Cobramos. Dos outros. Da vida. De nós mesmos.
Nos consumimos. Costumamos comparar nossas vidas com as daqueles que possuem mais que a gente. E se experimentássemos comparar com aqueles que possuem menos? Isso faria uma grande diferença!
E o tempo passa …
Passamos pela vida, não vivemos. Sobrevivemos, porque não sabemos fazer outra coisa. Até que, inesperadamente, acordamos e olhamos para trás. E então nos perguntamos:
- “E agora?”
Agora, hoje, ainda é tempo de reconstruir alguma coisa, de dar o abraço amigo, de dizer uma palavra carinhosa, de agradecer pelo que temos.
Nunca se é velho demais ou jovem demais para amar, dizer uma palavra gentil ou fazer um gesto carinhoso.
Não olhe para trás. O que passou, passou. O que perdemos, perdemos. Olhe para frente!
Ainda é tempo de apreciar as flores que estão inteiras ao nosso redor.
Ainda é tempo de voltar-se para Deus e agradecer pela vida que, mesmo passageira, ainda está em nós.
Pense!
Não perca mais seu tempo …
Desconheço a autoria.
DO MUNDO VIRTUAL AO ESPIRITUAL
Ao viajar pelo Oriente mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão.
Outro dia eu observava o movimento no aeroporto: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir:
“Qual dos dois modelos produz felicidade?”
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei:
- “Não foi à aula?”. E ela respondeu:
- “Não … tenho aula à tarde”.
Comemorei:
- “Que bom! Então, de manhã você pode brincar ou dormir até mais tarde!”
- “Não”, retrucou ela, “tenho tanta coisa de manhã…”
- “Que tanta coisa?”, perguntei.
- “Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina…”, e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando:
- “Que pena… a Daniela não disse: ‘Tenho aula de meditação’!”
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um super-executivo se não consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!
Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos:
- “Como estava o defunto?”.
- “Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!”
Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Outrora falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse.
Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais.
A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil – com raras e honrosas exceções – é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos.
A palavra hoje é ‘entretenimento’! Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres:
- “Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!”
O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede, desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma sugestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque para fora ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima e ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade – a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center.
É curioso: a maioria dos shopping centers têm linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas …
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas, se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno!
Felizmente terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald’s…
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:
- “Estou apenas fazendo um passeio socrático.”
Diante de seus olhares espantados, explico:
- “Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: “Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.”
By Frei Betto.
Outro dia eu observava o movimento no aeroporto: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir:
“Qual dos dois modelos produz felicidade?”
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei:
- “Não foi à aula?”. E ela respondeu:
- “Não … tenho aula à tarde”.
Comemorei:
- “Que bom! Então, de manhã você pode brincar ou dormir até mais tarde!”
- “Não”, retrucou ela, “tenho tanta coisa de manhã…”
- “Que tanta coisa?”, perguntei.
- “Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina…”, e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando:
- “Que pena… a Daniela não disse: ‘Tenho aula de meditação’!”
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um super-executivo se não consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!
Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos:
- “Como estava o defunto?”.
- “Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!”
Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Outrora falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse.
Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais.
A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil – com raras e honrosas exceções – é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos.
A palavra hoje é ‘entretenimento’! Domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres:
- “Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!”
O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede, desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma sugestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque para fora ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima e ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade – a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center.
É curioso: a maioria dos shopping centers têm linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas …
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas, se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno!
Felizmente terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald’s…
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:
- “Estou apenas fazendo um passeio socrático.”
Diante de seus olhares espantados, explico:
- “Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: “Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.”
By Frei Betto.
LOBOTOMIA
Pensamos livremente … ou somos produtos dos meios de comunicação?
Lobotomia é a separação cirúrgica dos lóbulos frontais do cérebro, que se faz em doentes mentais violentos. Isto os torna mansos. Sela, porém, seu destino como loucos, irrecuperavelmente. Mas, pelo menos, não são mais violentos. Fica mais fácil lidar com eles.
Passamos diariamente por um processo semelhante. Lenta e constantemente. Gradativamente a inteligência vem sendo alienada de nossos cérebros. Vemos, lemos e ouvimos todos, exatamente as mesmas coisas. Dia após dia. Ano após ano. Ininterruptamente.
Assim explica-se que os brasileiros, todos eles, acreditem piamente que o Aiatolá Komeini foi um monstro (apesar de milhões de admiradores terem ido ao seu enterro); que a Lady Diana foi uma pessoa caridosa e virtuosa (apesar de ter traído o seu marido, o Príncipe Charles, até pelos cotovelos); que Ayrton Senna foi herói nacional (desde quando reflexos rápidos e incrível habilidade no volante são sintomas de heroísmo?); que a única maneira de uma mulher sentir-se feliz, livre e realizada é retirando o véu muçulmano que cobre o seu rosto; que Sadan Hussein era o diabo em pessoa e deveria ser mandado para o inferno; que Fidel Castro é tirano opressor; que todos os palestinos são “terroristas”; que o MST é uma droga; que comunismo é horripilante… e muitas outras coisas.
Qual o brasileiro que não pensa assim?
Se pensarmos em Aiatolá Komeini, o que vemos? Um rosto carrancudo, facínora, criminoso. Só isto foi veiculado no mundo inteiro. Será que ele nunca sorriu na vida? Nem um pouquinho? Comunismo, quem sente-se bem ao ouvir essa palavra, pelo menos os mais velhos? Nazismo, então, sessenta anos de martelamento incessante? O MST com sua bandeira vermelha, bonés, enxadas e foices na mão. Que asco!
A maioria dos brasileiros tem opiniões idênticas ao que foi mostrado pelas televisões. Pensam exatamente do mesmo modo e nem sequer notam isto. Aceitam o que assistem, sem crítica alguma. Nossas opiniões são formadas e nem percebemos.
E não arredamos pé. Como o barro moldado. Depois de seco, só quebrando.
Somos submetidos a uma lobotomia, lenta e progressiva pelos meios de comunicação e nem sequer percebemos! Ficamos mansos. Facílimos de lidar. E nem loucos somos.
By Gerhard Grube.
Lobotomia é a separação cirúrgica dos lóbulos frontais do cérebro, que se faz em doentes mentais violentos. Isto os torna mansos. Sela, porém, seu destino como loucos, irrecuperavelmente. Mas, pelo menos, não são mais violentos. Fica mais fácil lidar com eles.
Passamos diariamente por um processo semelhante. Lenta e constantemente. Gradativamente a inteligência vem sendo alienada de nossos cérebros. Vemos, lemos e ouvimos todos, exatamente as mesmas coisas. Dia após dia. Ano após ano. Ininterruptamente.
Assim explica-se que os brasileiros, todos eles, acreditem piamente que o Aiatolá Komeini foi um monstro (apesar de milhões de admiradores terem ido ao seu enterro); que a Lady Diana foi uma pessoa caridosa e virtuosa (apesar de ter traído o seu marido, o Príncipe Charles, até pelos cotovelos); que Ayrton Senna foi herói nacional (desde quando reflexos rápidos e incrível habilidade no volante são sintomas de heroísmo?); que a única maneira de uma mulher sentir-se feliz, livre e realizada é retirando o véu muçulmano que cobre o seu rosto; que Sadan Hussein era o diabo em pessoa e deveria ser mandado para o inferno; que Fidel Castro é tirano opressor; que todos os palestinos são “terroristas”; que o MST é uma droga; que comunismo é horripilante… e muitas outras coisas.
Qual o brasileiro que não pensa assim?
Se pensarmos em Aiatolá Komeini, o que vemos? Um rosto carrancudo, facínora, criminoso. Só isto foi veiculado no mundo inteiro. Será que ele nunca sorriu na vida? Nem um pouquinho? Comunismo, quem sente-se bem ao ouvir essa palavra, pelo menos os mais velhos? Nazismo, então, sessenta anos de martelamento incessante? O MST com sua bandeira vermelha, bonés, enxadas e foices na mão. Que asco!
A maioria dos brasileiros tem opiniões idênticas ao que foi mostrado pelas televisões. Pensam exatamente do mesmo modo e nem sequer notam isto. Aceitam o que assistem, sem crítica alguma. Nossas opiniões são formadas e nem percebemos.
E não arredamos pé. Como o barro moldado. Depois de seco, só quebrando.
Somos submetidos a uma lobotomia, lenta e progressiva pelos meios de comunicação e nem sequer percebemos! Ficamos mansos. Facílimos de lidar. E nem loucos somos.
By Gerhard Grube.
NORMOSE
Sempre houve uma grande preocupação em se separar as variadas formas de comportamento humano. Uma destas é aquela que divide os comportamentos em “normais” e patológicos.
Normais seriam todas aqueles que se enquadrariam dentro da norma, ou seja, aquele seguido e demonstrado pela maioria, considerado natural. Na categoria de patológicos estariam, justamente, aqueles comportamentos ou aqueles indivíduos que se comportariam fora das normas, ou melhor ainda, característico em poucos, numa minoria, e que devido a isso seriam marginalizados, ou seja, considerados à margem da sociedade.
Esta classificação foi usada durante muito tempo com bastante sucesso na tentativa de se conseguir uma ordem social e até mesmo um controle das formas de expressão e comportamentos que poderiam desencadear um certo caos no bom convívio social. Existiam valores a serem seguidos e vivenciados em todas as relações humanas.
Pois bem, de uns tempos pra cá, o conceito de “normal” tem sido convenientemente adaptado para comportamentos que em outras épocas feriam os valores da maioria e eram, portanto, considerados patológicos. A constatação disto sempre me intrigou muito, pois eu não conseguia encontrar uma explicação para esta inversão de valores e de maneiras de agir cada vez mais comum nas relações humanas.
Mas um dia desses, lendo um jornal, tomei conhecimento do termo normose, criado pelo padre Jean-Yves Leloup e que caracteriza de uma forma extremamente correta o que vem acontecendo hoje em dia com a nossa sociedade. De acordo com este padre estamos sendo acometidos pela doença de normalidade. A normose, segundo o padre Leloup, se caracteriza principalmente pela ambição desvairada, o desleixo e mesmo a extinção do princípio da ética, princípio este que, aliás, era o que pautava a construção dos valores de uma sociedade e, portanto, direcionava as mais variadas formas de relacionamentos.
É justamente a predominância da normose que justifica tantos atos, que apesar de assustarem e indignarem, são tão bem assimilados e espalhados na sociedade atual. Quantas vezes nos horrorizamos com tantos acontecimentos, mas ao mesmo tempo não fazemos nada para mudá-los e, inúmeras vezes, chegamos mesmo a incorporá-los em nossa vida? Exemplo típico é quando a pessoa adota o lema “bateu, levou”, e passa pra frente alguma injustiça da qual foi vítima.
É a doença de normalidade que cria em nós, muitas vezes, uma cumplicidade com fatos que, a princípio e por princípios aprendidos, não concordamos. A normose faz as pessoas acreditarem que o fim justifica os meios, sejam eles quais forem, chegando-se, muitas vezes, a adotarem comportamentos que antes julgavam patológicos. A normose ignora a sensibilidade e o respeito ao outro. A normose faz a pessoa acreditar naquela horrível frase “eu gosto de levar vantagem em tudo”, mesmo que para isso ela esteja prejudicando o outro.
É ela que faz tantos indivíduos preterirem o ‘ser’, pelo ‘ter’. É justamente o aumento de pessoas acometidas pela normose, que nos faz tantas vezes sentir medo, indignação e preocupação no que diz respeito aos caminhos que tem tomado o nosso mundo!
O doente da normalidade é egoísta e extremamente perigoso para o bem da humanidade. Fique atento e, se por acaso perceber o aparecimento de alguns destes sintomas em você, elimine-os logo no início, pois, segundo Leloup, é uma doença cumulativa, fica cada vez mais resistente e difícil de ser curada!
By Maria Francisquini, psicóloga.
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