segunda-feira, 19 de setembro de 2011

CATAR FEIJÃO

O poema Catar Feijão faz parte do livro A Educação pela pedra, de João Cabral de Melo Neto, cuja primeira edição foi publicada em 1965.

">

1.

Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

2.

Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.



No poema João Cabral de Melo Neto revela sua concepção do ato criador. Tem como objeto a construção do poema, toma como referência um ato do cotidiano em que também o escolher, o combinar são necessários.
O jogar as palavras é a primeira etapa criadora: a inspiração. Essa leva o artista a colocar no papel suas iniciais impressões.

Porém, o verdadeiro artista não fica aí: ele, assim como o catador de feijões, seleciona os melhores grãos, a fim de construir uma poesia que fale, não pelo excesso, mas pela contenção, desfazendo- se de tudo o que for leve e oco, palha e eco. O que já foi dito não interessa repetição. Sua paixão e consciência buscam a originalidade da forma e do conteúdo.

Em Cabral, o eu-lírico está presente com toda a força que sua ausência impõe, diferentemente de outros poetas, seus contemporâneos ou antecessores, que propuseram uma lírica subjetiva, idealizadora do mundo em oposição a este, quer expressando uma visão pessimista, irônica ou inconformada. Cabral não. Ele silencia a voz valorativa. Apresenta uma poética, em sua maior parte, crua, destituída de individualidade. Mas não isenta de seu olhar original sobre a realidade. Olhar que corta.

O poeta seleciona, vê e revela, mesmo disfarçando, o que seus olhos percebem. Numa postura inovadora: a pedra dando à frase seu grão mais vivo; o prazer mais vivo.

O rigor composicional do poema largamente difundido pela crítica nesse livro chega a seu ápice. São quarenta e oito poemas escritos em duas estrofes que muito se assemelham a quadros pictóricos, visualmente considerados. Ao todo cada poema atinge dezesseis ou vinte e quatro versos e o universo temático sempre tendo a ver com o Nordeste / Espanha, a condição humana e o fazer poético.

Tudo isso numa rede de inter-relações lucidamente arquitetada. Catar feijão se apresenta composicionalmente em duas partes, com a marcação da segunda delas como o número 2.

Na primeira parte o poeta descreve o que se pode denominar de habitual, comum num ato de catar feijão: a limpa, isto é, "jogar fora o leve e oco, palha e eco" que é a sobra, a sujeira – o "eco", pois o bom do feijão fica no fundo. Ocorre, porém, que já desde aí o poema conotativamente inicia seu jogo poético. A começar pelo título: Catar feijão. Nada mais despistador.

Na verdade, ao término de sua leitura, sabe-se que lhe interessa mesmo é o "catar" palavras. E nessa linha do despiste, o primeiro verso enuncia que "catar feijão se limita com escrever, quando quer mesmo a idéia de que escrever se limita com catar feijão. O jogo através do símile se faz o inverso, toma-se o real comparado na condição de comparante. A composição começa por demonstrar assim que ela toma-se a si mesma como modelo desse catar feijão em que a pedra dá à frase seu grão mais vivo:/ obstrui a leitura fluviante, flutual, /açula a atenção, isca-a com o risco.

O verbo catar assume o sentido de escolher. Porque catar feijão é, como catar palavras, recolher, retirar o que não é feijão ou não é feijão bom ,o que não é palavra adequada ou não é palavra boa. Nota-se que o rigor de escolha é mesmo exemplar. Conquanto haja o propósito de conceituar o ato de escrever, com a importância fundamental que lhe dá de ser dada, o poeta usa o verbo limitar para estabelecer proximidades (e não igualdade) entre comparante e comparado: "Catar feijão se limita com escrever", e não é o mesmo que catar feijão é como escrever. As diferenças e semelhanças dos dois atos ficam garantidamente asseguradas nos versos do poema.

E para demonstrar concretamente essa imagem, seguem-se os verso dois, três e quatro, com os quais estabelece simultaneamente a semelhança / diferença no ato de jogar: "joga-se os grãos na água do alguidar" é semelhante apenas na intenção de escolher a "e as palavras na folha de papel". E a imagem da diferença novamente se estabelece, pois, ao contrário dos grãos, as palavras não vão fundo, bóiam no papel, não obstante chumbo: Certo, toda palavra boiará no papel, / água congelada, por chumbo seu verbo.

A imagem é muito significativa, ainda mais quando se observa que a "água-papel" se contrasta com a "água – alguidar" não apenas quanto à imagem produzida: líquida, a do alguidar, sólida (e branca), a do papel, amas também porque a complexidade do verbo boiar é muito maior pelo efeito que o contexto lhe confere. Ora, na água – papel, efetivamente as palavras não bóiam porque não há fundo, mas conotativamente bóiam, quando ao texto não se ajustam, sendo então necessário "catá-las".

Com o visível propósito de evidenciar, concretizar a imagem buscada, o poema efetivamente se constrói sob o efeito de uma espécie de hipálage, atribui-se o que é próprio do catar feijão ao escrever (poesia) e vice-versa, numa estrutura sintática direcionada pelo símile. E nessa linha se fecha a primeira fase: "pois para catar esse feijão, soprar nele e jogar o leve e oco, a palha e eco.

"Esses são elementos concretamente próprios do ato de catar feijão jogado no alguidar: o que sobe é leve, palha, oco e, pois, eco (sujeira). Mas poeticamente é no "catar" palavras que ele se aplica: jogar fora as que são palha, ocas, portanto, eco. Deve-se atentar ainda para a especial conotação da palavra eco, que no poema é eco (sujeira de que se deve livrar) por fazer eco, (som desagradável, que se deve evitar).

Na segunda parte, a segunda estrofe, o poema expõe uma das conseqüências ou um dos resultados possíveis desse ato de catar feijão; o risco que se corre, pois pode ficar no fundo algo que, como o feijão, não bóia e que, estranho, é um perigo: "um grão qualquer, pedra ou indigesto, um grão imastigável, de quebrar dente". Isto para esse real catar feijão na água do alguidar.

Entretanto para acatar palavra o efeito é outro bem contrário: "a pedra dá à frase seu grão mais vivo:" Como se verifica, o processo composicional estabelecido se mantém. Apenas que desta feita a implícita comparação se dá de forma direta. A pedra para o "catar palavra" não é indigesta, mas sim renovadora.

Melhor dizendo, o indigesto em "catar palavras", qual seja, o que rompe o tradicional (o habitual) não causa problemas, ao contrário, instaura o novo, criativamente considerado, "a pedra dá à frase se grão mais vivo: / obstrui a leitura fluviante, flutual.

A sintaxe do poema é também bem peculiar. Sua estrutura dá sustentação à forma lógico-argumentativa em que se organiza. A reflexão sobre o fazer poético que busca limites no catar feijão se conduz por acirrada linguagem lógico – argumentativa. Os versos não as medidas extensas e variáveis, mais apropriados e adequados a esse tipo de raciocínio, no caso, poemático.

Mas o que singulariza a sintaxe poemática de Catar feijão é a construção firmada em frase elípticas, o que concorre tanto para a economia vocabular do poema enquanto para a sua pauta rítmica. Sirvam de exemplo: a elisão de água em: as palavras na da folha de papel;" v.3; e a intrincada construção com versos 5, 6 e 7: "Acertos, toda a palavra boiará no papel. Água congelada (que é água congelada), por chumbo seu verbo (por ser de chumbo o seu verbo); / pois para catar esse feijão, soprar nele (é necessário soprar nele)". Catar feijão é, pois, uma poema em que a construção poemática é brevemente discutida, melhor diria, argumentada (em dezesseis versos), porém numa linguagem poética lógico – discursiva bastante densa e rigorosamente trabalhada, dando-se próprio poema como exemplo desse fazer poético que ele mesmo preconiza. Há uma perfeita sintonia entre a cadência rítmica assegurada pela freqüência quase exclusiva de vocábulos paroxítonos e oxítonos alternado-se, a grande incidência da aliteração, da assonância e a reiteração de determinadas palavras ou expressões como já se observou. Essa sintonia se faz presente no amálgama dessa camada sonora com o campo semântico e sintático, o que também já ficou aqui observado. Se há uma certa dissonância: a rima toante feita de forma bem peculiar, a variabilidade da métrica nos versos, a sintaxe singularmente elíptica e outros, é porque "quando ao catar palavras "a pedra dá à frase seu grão mais vivo".

domingo, 18 de setembro de 2011

ESPORTE DE HOMEM NÁO É PORRADA. É PORRINHA.

Realmente não sou chegado a ver um bando de homens, dando pinta de que acabaram de escapar de uma gruta em Neanderthal, brigando. Por isso mesmo não assisti ao evento de luta livre (tem uma sigla pro treco, mas estou com preguiça de verificar qual é...) que ocorreu aqui no Rio. A última briga entre cariocas que me interessou foi entre os índios tamoios e temiminós, nos idos do século XVI , nas praias da Guanabara. Depois de Araribóia e Cunhambebe e seus respectivos tacapes eu não respeito homem nenhum saindo no braço.

Um conhecido meu, durante um rápido encontro no Centro da cidade, tentou me convencer a assistir o confronto entre os egressos do Paleolítico Inferior com o argumento de que isso sim é "esporte de homem". Respondi que esporte de homem, pra mim, nem o futebol é. Só mesmo a porrinha disputada nos botequins mais vagabundos merece essa alcunha. É por isso que reproduzo abaixo um texto que escrevi em 2010, logo depois da escolha do Rio de Janeiro como cidade olímpica : Porrinha nas Olimpíadas de 2016! E vai em negrito, pra fortalecer a campanha.

Existem vários tipos de espíritos que podem encostar e pegar o sujeito. Eu, por exemplo, que vim de uma família ligada ao espiritismo em suas vertentes macumbais - umbanda e encantaria - quando era pequeno ouvi da minha avó que era sempre bom pedir auxílio aos espíritos e entidades; eles viriam me ajudar. Tornei-me, então, devoto do espírito mais citado lá em casa: O espírito de porco. Fazia pedidos a ele.

Quando descobri, lá pelos sete anos, que o espírito de porco não era exatamente quem eu imaginava, mergulhei durante meses no mais absoluto materialismo e virei comunista. Foi o seguinte: Tomei um esporro da minha avó no dia em que perguntei a ela qual era o ponto que eu devia cantar para saudar o espírito de porco. Ela achou que era sacanagem minha. Posso, inclusive, confessar algo que só pretendia fazer ao médium de mesa branca depois da morte - o dia em que descobri que o espírito de porco não era uma entidade correspondeu, em termos de impacto, à notícia sobre a inexistência do Papai Noel para centenas de outras crianças.

Parêntese: Vejam como são as coisas. Comecei falando do espírito de porco quando, na verdade, pretendia escrever desde o início sobre outro espírito - o olímpico. Retomo no próximo parágrafo a ideia original.

A escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 20l6 despertou em mim forte vocação esportiva. Entusiasta dos esportes do Brasil, sou fã e praticante amador de um jogo fundamental para nossa gente brasileira, tão sofrida e adepta do desporto como instrumento de inclusão social : a porrinha [ou purrinha], também conhecida como basquete de bolso.

A porrinha é um esporte altamente sofisticado e democrático. Os estádios ideais para a prática são os botequins mais vagabundos. Cada atleta, em geral, inicia a peleja com três palitinhos. A partida começa quando os jogadores escondem uma certa quantidade de palitos numa das mãos e as estendem, fechadas, para a frente. Cada jogador dá, então, o seu palpite sobre quantos palitos estão no jogo. Ganha a rodada quem acertar o número exato de palitos.

A porrinha exige dos esportistas alguns atributos fundamentais: Sorte, inteligência para blefar e perceber o blefe e preparo físico para jogar enquanto quantidades generosas de cervejas e cachaças são consumidas durante o embate. Recomenda-se um trabalho de musculação para o fortalecimento da musculatura do bíceps, que sofrerá o impacto do peso dos palitos durante a refrega. O uniforme ideal para a prática do desporto é simples e consiste em bermuda, camiseta e sandália de dedo.

Pesquisas que fiz em compêndios e dicionários especializados indicam que a provável origem da porrinha é o antigo Império Romano. Os soldados de Roma costumavam praticar, nos intervalos das batalhas mais sangrentas, um jogo conhecido como Morra. O negócio consistia no seguinte: Os jogadores escondiam uma certa quantidade de dedos da mão direita às costas e diziam um número. Aquele que acertasse o número exato era o vencedor. O troço era popularíssimo e há relatos nas crônicas de Seleno de torneios realizados no Coliseu que terminaram em matanças tremendas.

Alguns especialistas defendem que o nome porrinha surgiu de uma expressão proferida por Santo Agostinho no século IV - Porro cum quo micas in tenebris ei liberum est, si veliti, fallere. Tradução: Com certeza, mesmo que avisado, podes enganar aquele com quem jogas morra no escuro. O latim porro, com o tempo, virou porra. A porra virou porrinha.

O Brasil transformou a velha porrinha romana em coisa nossa, como o samba, a prontidão e outras bossas. Introduzimos os palitinhos de dente ou fósforo no babado e consagramos o botequim como palco da disputa. Fizemos a mesma adaptação em relação ao futebol, o jogo sem graça dos ingleses que ganhou a ginga e o balacobaco canarinho.

É por isso que sugiro, com a maior seriedade, campanha em meios de comunicação e o esforço dos formadores de opinião para que a porrinha seja considerada esporte olímpico em 2016. Clamo pelo empenho do Doutor João Havelange, do presidente Lula, de Pelé e demais autoridades físicas e metafísicas para que o Comitê Olímpico Internacional faça justiça com o histórico esporte.

Não precisaremos, pensem nisso, sequer construir estádios. Aqui no Maracanã temos, por exemplo, o Bode Cheiroso, botequim com estrutura para sediar os embates. Imagino até o novo nome do estabelecimento: Complexo Olímpico Bode Cheiroso.

A memória dos grandes e falecidos atletas da porrinha de todos os tempos - Meu avô, Jorge Macumba, Seu Nilton, Manoelzinho Motta, Seu Vovô, Abecedário, João do Vale, Teté, Claudio Camunguelo, Dr. Castor de Andrade, Moisés Xerife, Candonga, Primo Pobre, Querido de Deus, Seu Sete Rei da Lira, Madame Satã, Camisa Preta, Julião Vem Cá Meu Puto, Wilson Batista, Almir Pernambuquinho ... - poderá inclusive servir como instrumento de forte campanha de marketing para estimular a prática educativa do esporte entre nossa juventude.
Esporte de homem não é porrada. É porrinha.

Abraços
Luiz Antonio Simas

A IRMANDADE SECRETA DE PEDÓFILOS

A INCRÍVEL HISTÓRIA DOS VELHINHOS PEDÓFILOS DE ÁGUA BRANCA (AL). A CIDADE ESTÁ BRANCA DE VERGONHA. A polícia prendeu doze acusados de estuprarem três meninas por mais de um ano. Um deles tem 90 anos de idade!

OS ACUSADOS DE ESTUPRAREM MENININHAS.
(Fotos divulgação)

Água Branca pegou fogo ontem quando a polícia começou a cumprir o mandado de prisão expedido pelo juiz Kleber Rocha contra oito cidadãos acusados de estarem estuprando três meninas há, pelo menos, um ano.

O juiz acatou o pedido de prisão feito pelo promotor José Antônio Malta, que aguardava informações de investigações policiais. De que água os velhotes beberam?

Água Branca é uma cidade antiga, nos confins do sertão alagoano, quase na divisa com Bahia e Pernambuco, na região de Paulo Afonso. Gente trabalhadora, a maioria na zona rural, trabalho duro, sofrido. A lavoura não é vida fácil. Cuidar do gado também não.

No entanto, sempre existem boatos, fofocas, rumores. Em Água Branca não podiam faltar. Há algum tempo teve gente que observou que havia algo estranho acontecendo. Mas é difícil descobrir. Certas coisa se desconfia mas não se comprova. Cidade pequena é um perigo. Todo mundo se conhece.

Rumores, boatos, fofocas.


Este anda com más intenções com a mulher daquele. Aquela sem-vergonha pula-cerca. O filho do vizinho, com aqueles modos afetados, sei não. E que diabos fazem aquelas meninas quem andam tanto perto da sorveteria e se enfiando em banheiro público de modo sorrateiro?

Quem já morou no interior, na zona rural, em pequenas vilas sabe como é fácil imaginar coisas e como é fácil essas coisas serem mesmo verdade. Assim foi que pessoas começaram a desconfiar de algo e acabaram as dúvidas chegando às autoridades.

Bem, o resto sabemos. A polícia prendeu doze marmanjos, oito deles idosos, cinco deles acima de 70 anos! Um com 90 anos! Valha-me Deus!


Por que eles não fizeram dois times de futebol de salão e gastaram as energias numa quadra? Porque não montaram um time de futebol e não foram procurar diversão contra outros times? Não, foram montando um grupo de pervertidos. É disso que se trata.

Primeiro poucos, receosos, ressabiados. Depois mais alguns. Depois mais outros, e o grupo vai crescendo, como uma irmandade secreta. A irmandade secreta da danação de crianças indefesas. Velhos safados. Uns ajudando os outros e todos ferrando as menininhas.

Em tantas cidades pequenas, ou não, o que fazem aposentados? Jogam em praças públicas, à sombra de grandes árvores. Dominó, tranca, porrinha, damas, qualquer coisa que ajude a passar o tempo lento das calorentas cidades como Água Branca.

Ficam em uma mesa de bar tomando uns tragos e contando “causos”, histórias de caças, de pescaria, aventuras romanceadas da juventude. Uns amendoins, umas iscas de carne seca. Mas pegar criancinhas!...


Mas o tempo não passa e os velhotes começam a falar asneiras e besteiras. Passam meninas para cá e para lá, brincando, em plena infância, e os tais marmanjos começam a ver a meninas, de seis, sete, oito anos de idade, como caça.

O que fazer? Como levá-las a um canto escuro qualquer? Um doce, uns trocados, um sorvete de vez em quando. É fácil. A pobreza larga as crianças nas ruas. As prefeituras não têm recursos. As crianças acreditam em velhinhos que mais parecem papais-noéis.

É aí que mora o perigo. Canalhas.

Um ano abusando das crianças, conforme os dados da polícia. No banheiro púbico, na sorveteria. Segundo se informou, uma das meninas chegou a contrair gonorréia. Imaginem uma criança com doença venérea. Nem sabe de quê se trata.

Enquanto isso, em Brasília, as autoridades do MEC às volta com vídeos para ensinar meninos e meninas em idade escolar a se beijarem. Meninas beijando e namorando meninas, meninos beijando e namorando meninos. Os tais vídeos para que as crianças aprendam sobre sexo e homossexualidade. É isso que está faltando para as crianças do Brasil.

É nesse Brasil de velhotes tarados “comedores” de crianças que o MEC quer ensinar sobre lesbianismo para crianças. E distribuição de camisinhas em máquinas, nas escolas, como se fosse chiclete. Esse é o Brasil moderno e progressista. Nem sei quem é mais tarado.

Pois é, e Água Branca, nos confins do sertão de Alagoas poderia ter entrado para o noticiário por outras coisas mais nobres, mas foi por essas infelizes crianças e seus estupradores.


A PRISÃO (PCA)

Ainda bem que foram levados para Maceió, porque poderiam ter encontrado problemas ficando na cidade. Já havia gente falando em espremer seus testículos com pedras quentes até os “bagos saltarem” e ficar só a pele. Conforme li em comentários de blogs do Nordeste.

Claro, as pessoas ficam indignadas com essas coisa, com essa falta de vergonha na cara de um senhor de 90 anos de idade. Não tem netos e bisnetos? O que faria um matusalém desses se fosse a sua bisneta a estuprada pelos seus amigos de sacanagens?

Perdoem-me o vocabulário, mas essa história me enojou bastante. Espero que a Justiça, agora não lhes conceda liberdade tão cedo, que fiquem em prisão preventiva. Se voltarem para Água Branca a situação poderá ficar complicada.

Foram presos:

Alvino Sandes Lima, de 90 anos;
Francisco Xavier Neto (conhecido como Chico de Izadias), de 73 anos;
José Euclides de Souza, o Pernambuco, de 82 anos;
Jovileu Ferreira Batista, o Leu, 65 anos;
Marevaldo Manoel da Silva, o Mareval, 50 anos;
Manoel Messias Vieira da Silva, o Mané Macedo, 70 anos;
Luiz Francisco dos Santos, o Luquinha, 50 anos;
José Cardeal, o Zé do Piolho, 76 anos;
Cícero Luiz da Silva, 31 anos;
José Cláudio Lima da Silva, o Cacau, idade não divulgada;
Severino João dos Santos, o Major, idade não divulgada;
Manoel Francisco dos Santos, conhecido como Lila, 61 anos.


Com Cícero Luiz da Silva, os policiais civis apreenderam um revólver calibre 38.

Informações coletadas na Imprensa.

"VIDA LOKA"



A "VIDA LOKA” E CURTA DE KELLY CYCLONE.


No Brasil parece não haver mais diferença entre o certo e o errado. A cultura bandida da transgressão, do crime, do tráfico ocupa parte do imaginário dos jovens
A cultura bandida da transgressão, do crime, do tráfico ocupa parte do imaginário dos jovens. A mídia dá imensos espaços às “vítimas do sistema”. Certa música mais parece propaganda da criminalidade que “fotografia” da romantizada vida no gueto.


A Bahia enterrou uma famosa. Milhares de pessoas lamentaram a morte de jovem Kelly Sales Silva, 22 anos, conhecida desde ao ano passado por Kelly Cyclone, segundo muitos a “rainha do pó”.

Ficou conhecida popularmente por haver namorado dois ou três chefe do tráfico, segundo a imprensa baiana. Para a polícia era ligada a traficantes e ao comércio de cocaína.

No ano passado foi presa, em fevereiro, numa festa que ficou conhecida como “a festa do pó da Boca do Rio”. Foi apontada por policiais como uma dos seis traficantes que foram detidos no local com grande quantidade de drogas.

Os parentes dela negam que tivesse uma vida ligada a roubos ou ao tráfico, segundo a imprensa. Mas tudo que fazia indicava uma forte ligação com a marginalidade. Certas tatuagens, o medalhão de prata no pescoço pendurado em grossa corrente, indícios da Vida Loka.

Até aí tudo bem. As pessoas, de um modo ou de outro, fazem suas escolhas. Aos 22 anos de idade Kelly já havia percorrido um bom pedaço de mau caminho. Agitação, baladas, bailinhos, namoros com aqueles do gueto que têm poder.

Alguns outros mais pobres, do gueto, muitas vezes cortam pelo caminho mais curto, namorando os rapazes do pó. Eles têm poder, ganham bastante dinheiroe gastam fácil. Vivem com uma certa intensidade porque sabem que podem encontrar a morte vinda das balas por causa de uma disputa territorial ou dos tiroteios com a polícia. Isso parece que tem fascinado muitas jovens. É o amor bandido, fenômeno observável em muitas grandes cidades.

Poder é muito importante. Alguns buscam pelo estudo, pela corrupção política e empresarial, outros, mais pobres, do gueto, muitas vezes atalham pelo caminho mais curto, namorar os rapazes do pó. Eles têm poder, gastam, ganham, gastam. Vivem com uma certa intensidade porque sabem que podem encontrar a morte vinda das balas por causa de uma disputa territorial ou dos tiroteios com a polícia. Curtem sua Vida Loka.


Kelly Cyclone foi assassinada na madrugada de segunda-feira em Lauro de Freitas (BA), na região metropolitana de Salvador. Não há informações sobre a autoria do crime.
De acordo com familiares, a jovem estava em um show com uma das irmãs antes de ser morta. Inicialmente a polícia pensou tratar-se de uma troca de tiros entre bandidos, depois que havia sido uma perseguição policial a criminosos, com tiroteio.

Mas, ao longo do dia, surgiram informações dando conta de que os parentes de Kelly acreditam em crime passional e dizem que no momento da morte ela possivelmente estava com um ex-namorado conhecido como "Gustavinho". Ele seria, de acordo com o relato da família, filho de um policial.

Kelly virou celebridade na Bahia após ser presa em fevereiro de 2010 durante um evento que ficou conhecido como a "festa do pó na Boca do Rio". Ela trazia no corpo tatuagens que chamavam a atenção, como um dragão que cobria a perna, a inscrição "Vida Loka" e o nome de um ex-namorado.


Kelly Cyclone teve um caso amoroso com o traficante Sidnei Ferreira da Silva e divulgou fotos dela com armas nas redes sociais. Conforme a polícia, ela estaria em companhia de traficantes que faziam uma série de roubos na região quando foi morta, o que foi negado por parentes dela. A PM ainda informou que ela teria participado da troca de tiros com policiais que perseguiam os criminosos.

O curioso no caso de Kelly Cyclone, para não dizer trágico, é a comoção popular. A cobertura de sua morte é de uma pessoa famosa. Não importando a razão da popularidade.

A comunicação de massa, pela rapidez, parece nivelar qualquer conteúdo, igualando um ataque a bomba que mata 30 pessoas no Iraque, a um bizarro caso amoroso, ou ao assassinato de alguém ligado à transgressão.


Familiares de Kelly negam que a jovem tenha participado de roubos ou que tenha ligações com traficantes. Dançarina de pagode, ela chegou a declarar que pensava em disputar uma vaga na Câmara Municipal de Vereadores de Salvador em 2012.
É disso que se trata, a popularidade, a fama efêmera, a celebridade imediata parece ser um tipo de alucinógeno que lança as pessoas em loucas aventuras. Vale tudo para chegar ao topo.

Às vezes o topo é o fundo de uma cova.

O enterro de Kelly Cyclone foi às 16h no Cemitério de Portão, acompanhado por 150 pessoas. Seu corpo foi encontrado na rua com tiros e marcas de facadas. Tinha 20 tatuagens, uma delas era:

O que vocês acham disso?
A transgressão é o caminho inevitável para a juventude?

A ESCRIVÃ NA COZINHA

Só Deus pode dar nome à obra completa
— de nossa vida, explico — mas sugiro
Ao meio-dia, um rosal,
implica sol, calor, desejo de esponsais,
a mãe aflita com a festa,
pai orgulhoso de entregar sua filha
a moço tão escovado.
Nome é tão importante
quanto o jeito correto de se apresentar a entrevistas.
Melhor de barba feita e olho vivo,
ainda que por dentro
tenha a alma barbada e olhos de sono.
Sonhei com um forno desperdiçando calor,
eu querendo aproveitá-lo para torrar amendoim
e um pau roliço em brasa.
Explodiria se me obrigassem a caminhar por ele.
Ninguém me tortura, pois desmaio antes.
A beleza transfixa,
as palavras cansam porque não alcançam,
e preciso de muitas para dizer uma só.
Tão grande meu orgulho, parece mais
o de um ser divino em formação.
Neurônios não explicam nada.
Psicólogos só acertam se me ordenam:
Avia-te para sofrer — conselho pra distraídos—,
cristãos já sabem ao nascer
que este vale é de lágrimas.

Adélia Prado

postado por m. americo
Texto extraído do livro “A duração do dia", Editora Record – Rio de Janeiro, 2010, pág. 25.

AH! MULHERES...

">

MELANCOLIA

No filme de Lars Von Trier, o planeta Terra corre o risco de extinção pela colisão com o planeta Melancolia. Enquanto a colisão se aproxima, os habitantes vão se tornando melancólicos e sem energia para qualquer reação. A imagem é uma metáfora do que ocorre nos nossos dias. Os países desenvolvidos vivem uma grande crise econômica e se deparam com uma cena econômica melancólica, marcada pela recessão, desemprego e falta de oportunidades.

O que precisa ser observado, no entanto, é a evidente correlação desta crise com a consolidação da democracia nestes países e os enormes custos representados por seus estados de bem estar social. A lei de ferro da democracia tem sido o aumento do poder estatal por conta das demandas cada vez maiores da sociedade, assim como dos interesses dos próprios ocupantes do poder.

Os direitos a serem atendidos pelo estado são cada vez maiores e a conta vai sendo sempre jogada para a administração seguinte. Enquanto cresciam a taxas elevadas, fruto da acumulação histórica de poupança e investimentos, não era possível ver quais países estavam se tornando inviáveis e com a competitividade de suas empresas comprometida.

O processo de globalização se encarregou de mostrar as vantagens das empresas situadas em países de menor tributação, entraves burocráticos e leis sociais. Aos poucos a atividade econômica começou a desacelerar e aí tornaram-se aparentes e insuportáveis as dívidas destes países, em alguns casos superiores a 100% por cento do PIB. Outro ponto em comum a todos estes países é falência do sistema previdenciário, incapaz de suportar o ônus da aposentadoria de pessoas cada vez mais longevas.

A melancolia que invade os países desenvolvidos é típica do fim de uma festa de arromba: a festa foi maravilhosa, bebemos e nos divertimos além da conta, mas agora acabou e temos de lidar com a forte ressaca. O planeta Melancolia está em rota de colisão com a Terra, mas o Brasil ainda pode alterar sua própria rota: dizer que os gastos públicos precisam ser reduzidos, assim como a carga tributária é um truísmo que não levará a nada enquanto antes não forem limitadas as funções, atribuições e expectativas que a sociedade tem do poder estatal.

É o próprio modo de funcionamento do Estado em um regime democrático que precisa ser urgentemente repensado neste dia 15 de setembro, em que a ONU celebra o Dia Internacional da Democracia. Tudo deve ser feito rápido, evitando a colisão iminente.

15 de setembro de 2011
Sergio Lewin

O VINHO, ESSE SER HUMANO COMPLEXO E SOFISTICADO


O Imperador D. Pedro I gostava, de vez em quando, de esquecer os burburinhos da Corte e viajar para a Real Fazenda de Santa Cruz, onde costumava benzer suas amantes com o báculo episcopal. Sobre as viagens de Sua Majestade, Brasil Gerson escreveu o seguinte na História das Ruas do Rio :

D. Pedro I e sua comitiva paravam na fonte de pedra da igreja, para que seus cavalos bebessem água, enquanto ele buscava sofregamente a magnífica pinga do vendeiro que ficava defronte, famosa desde Campinho até Campo Grande.

É isso, senhores. O Imperador do Brasil era frequentador de uma tendinha na altura de Realengo, onde encostava o cotovelo no balcão, jogava conversa fora e tomava umas doses daquela que matou o guarda. Não duvido que jogasse porrinha com os populares.

Citei essa passagem prosaica da vida de D. Pedro pelo seguinte: a informalidade com que o Imperador tomava umas canas é diametralmente oposta à frescurite que grassa, nos dias de hoje e sobretudo durante o inverno, entre os bebedores e entendidos de vinho. Explico.

Já me declarei, alhures, impressionado com o verdadeiro ritual em que se transformou o simples ato de beber vinho em um restaurante. O garçom serve um mísero gole e aguarda, com cara de tacho, que o cliente experimente o tinto, avalie a qualidade da safra, verifique a harmonização com o cardápio, balance a cabeça e autorize, vinte minutos depois, que a bebida seja servida. Mas a coisa não para por aí.

A última moda dos especialistas é tecer considerações sobre a psicologia e os aspectos emocionais da bebida. Sim, é exatamente isso. Os vinhos agora são analisados com rigores freudianos. Há uma nova ciência na praça, a vinhognoseterapia.

Não bastassem aqueles cabras que ficam rodando o vinho no copo, cafungando o tinto e destacando a sutileza dos aromas e da característica das uvas, mergulhamos na era das divagações existenciais sobre o tema. O camarada toma uma taça, faz pose de quem limpa bosta de galinha com colher de prata e arrisca uma análise das características emocionais da bebida:

- É um vinho que se mostra, ao primeiro gole, um tanto tímido. Aos poucos, porém, vai ganhando um toque de agressividade que o equipara aos melhores rascantes. Honra a tradição e tem personalidade. Harmoniza bem com carnes vermelhas.

O outro, sem perder a pose, faz cara de galã do cinema mudo e manda brasa:

- O vinho padece de um acanhamento excessivo. Poderia ser um pouco mais arrojado, sem perder a sensibilidade. Acho que harmoniza com carne de vitela ao molho de queijo de búfala desmamada marajoara.

O terceiro resolve entrar de sola nos adjetivos :

- As características do mosto da uva atribuem um toque de excentricidade à bebida. É , todavia, um vinho corajoso. Eu diria que tem caráter. É isso; eis um vinho de caráter. Harmoniza bem com escama de peixe espada ao molho de tamaras flâmbadas no conhaque.

O quarto dá o tiro de misericórdia:

- Talvez falte uma certa ousadia. Mas é, sem dúvidas, um vinho que tem alma. Harmoniza com a minha própria personalidade. Esse vinho sou eu.

Mais chegado ao estilo D. Pedro I de ser, ouço essas barbaridades e pergunto aos meus botões velhos de guerra. Como pode uma bebida ser tímida, agressiva, acanhada, arrojada, sensível, excêntrica, corajosa, de caráter, ousada e possuir alma ?

Soube, dia desses, de um sujeito que entrou no consultório do analista e disse pro médico da alma :

- Eu já obtive alta da análise. Quero, na verdade, que o senhor analise essa garrafa de tinto, da safra de 1937, que eu ganhei de uns amigos.

A realidade, a acreditar nessas avaliações , é que qualquer vinho é um ser humano mais complexo do que eu. Não me surpreenderei se um dia souber que algum médium incorporou uma garrafa de vinho em um centro de mesa branca e saiu dando consultas. É o caminho natural. Só não contem comigo para bater cabeça pro caboclo.

Eu sou do tempo em que harmonizar era só ajustar a relação entre o canto e a dança nos desfiles das escolas de samba.

3 de setembro de 2011O
Postado por Luiz Antonio Simas

ESTADO CONTROLADOR

Estado controlador: governo inglês junta base de dados de crianças de 3 anos de idade que são “homofóbicas” e “racistas”
Kathleen Gilbert
LONDRES, Inglaterra, 15 de setembro de 2011 (Notícias Pró-Família) — Crianças até de três anos de idade estão sendo registradas num banco de dados governamental como “racistas” ou “homofóbicas” por usarem palavras que são interpretadas pelos professores como politicamente incorretas.

Entre os anos de 2008 e 2009, foram registrados incidentes envolvendo crianças em idade de escola maternal, as quais são monitoradas pelas leis contra “discurso de ódio” instituídas durante o governo [socialista] trabalhista, de acordo com estatísticas obtidas pelo Clube Manifesto, uma organização de direitos civis.

Os incidentes registrados incluíam um aluno chamando outro aluno de “cabeça de brócolis”, que foi considerado racista, e outra controvérsia “homofóbica” entre alunos de escola primária que chamaram uns aos outros de “gays” e “lésbicas”. Outro aluno foi considerado homofóbico por dizer a um professor que uma tarefa escolar era “gay”.
Quase 100% dos incidentes registrados envolviam apenas xingamentos, sem nenhum contato ou violência física.

Em seu relatório sobre os números, o Clube Manifesto reivindicou que as leis de denúncia de “discurso de ódio” sejam abolidas, dizendo que essas políticas “trivializam os problemas reais do racismo e homofobia, e em nada ajudam para atingir a meta nobre da igualdade”.
“Há um mundo todo de diferença entre abuso racista e briguinhas de palavras nos pátios de escola primária — nublar essa diferença em nada ajuda a atingir a igualdade”.

Um total de 34.000 crianças, nas palavras de uma reportagem do jornal Daily Mail, foram “de maneira impressionante classificadas como preconceituosas por causa de normas anti-bullying”. Os registros, que as escolas são forçadas a submeter às autoridades educacionais governamentais, são mantidos quando as crianças passam de séries ou se transferem de escolas, e poderiam em teoria ser acessados por um futuro empregador ou universidade.
De acordo com o Daily Mail, o Ministério de Educação respondeu à reportagem dizendo: “Os pais esperam que os diretores de escola adotem uma linha de ação muito dura contra qualquer conduta medíocre e reprimam todo bullying — é por isso que estamos fortalecendo a autoridade para os professores imporem disciplina. Cabe às próprias escolas exercerem seu próprio bom senso e discernimento profissional acerca do melhor jeito de enfrentar os que comentem bullying”.

“As crianças precisam de espaço para brincar e aprender o significado das palavras, sem serem denunciadas às autoridades educacionais locais”, disse o relatório do Clube Manifesto. “Essas políticas são uma intervenção indevida no pátio de recreio das escolas, e mina a autoridade dos professores de estabelecer um exemplo moral para as crianças e ensiná-las a diferença entre certo e errado”.

Kathleen Gilbert

Leia o relatório do Clube Manifesto aqui.

sábado, 17 de setembro de 2011

ESTÍMULO INTELECTUAL PARA AS NOSSAS CRIANÇAS É A SOLUÇÃO

Salvem o nosso futuro através de boas escolhas, visando políticas de melhor educação e ambientes saudáveis – estudo encabeçado pela Universidade de Luxemburgo.

Caro leitor, usando-se do seu bom senso, quem você acha ter melhores chances de “sucesso na vida”, uma criança criada em um ambiente de baixo nível socioeconômico, ou uma criança amparada pelas regalias e estímulos de um ambiente de alto nível socioeconômico? Não precisa ter um doutorado em Oxford para emitir a opinião que parece ser tão óbvia quanto dois mais dois são quatro. É claro, no senso geral, que uma criança que se alimenta bem; que tem bons professores; que tem pais realizados, bem pagos, logo, mais preocupados e participativos; que tem acesso fácil à informação e tecnologia; e que principalmente vive em um ambiente que lhe estimula das mais diversas maneiras possíveis, tem muito maiores chances de desenvolver o seu cérebro, conseqüentemente a sua inteligência. Mas o fato é que essa constatação, aqui no Brasil, nunca passou de um sentimento geral, empírico, que nunca antes tinha recebido uma aproximação metodológica, científica, buscando encontrar reais evidências, provadas estatisticamente, de que a diferença de nível socioeconômico afeta sim, e muito, o desenvolvimento intelectual das crianças. Até então, conveniente para o nosso governo – sempre omisso –, que não tinha algo de concreto em mãos para provar o óbvio!


Entretanto, no ano de 2010, nasceu um projeto multinacional – envolvendo Brasil, Luxemburgo, Alemanha e Portugal - idealizado por uma cientista pós-doutorada em Oxford -, que atualmente lidera uma incansável busca de respostas científicas para o problema referido anteriormente. A obstinada pesquisadora da Universidade de Luxemburgo escolheu o Brasil como uma das sedes do projeto, pois se trata de um país monolíngüe e com aparentemente grandes diferenças sociais. Eu, também pesquisador associado da Universidade de Luxemburgo, pessoalmente tomei parte no projeto, visto que assumi setores da organização e dos testes propriamente ditos em grande parte das crianças de diferentes níveis socioeconômicos. Com a ajuda dos parceiros da USP, UFBA, e UNIFESP, testamos 400 crianças, 200 em Salvador e 200 em São Paulo. Acho que não terei dificuldade de convencê-los do atual resultado da nossa pioneira pesquisa científica.


Taxa de escolaridade superior para jovens de 20 a 24 anos - Países selecionados, 2007

Obviamente as crianças de menor nível socioeconômico – 100% delas matriculadas em escolas públicas – tiveram um desempenho muitíssimo pior do que as crianças de alto nível socioeconômico, com a sorte de terem pais capazes de assumir os também altos custos das escolas particulares de Salvador e São Paulo. E olhe que excluímos da nossa amostra as escolas particulares “top” das duas capitais, como a Pan-americana e o Arquidiocesano, respectivamente. Assim como, excluímos as escolas públicas localizadas em comunidades de extrema pobreza. Desse modo, fica evidente que a nossa intenção nunca foi tornar os dados tendenciosos. Reitero que esse estudo é absolutamente apartidário e de maneira alguma visa defender ou criticar qualquer grupo político vigente no Brasil. O interesse da pesquisa é terminantemente científico e visa única e exclusivamente tentar ajudar a humanidade através de novas descobertas e do avanço da ciência. No entanto, é fato que o estudo mostra de forma metodológica que há espaço para melhorias nas políticas publicas vigentes no Brasil. Além do mais, não precisa ser um Einstein para perceber isso. Basta andar pelas ruas do nosso país. O nosso estudo mostra que as crianças expostas a ambientes desfavoráveis e sem estimulação tiveram um desenvolvimento muito pior em testes neuropsicológicos renomados – minuciosamente adaptados para a realidade brasileira – de linguagem (vocabulário e compreensão) e memória operacional (simplificando, tipo de memória de curto prazo e funções cerebrais). Não preciso novamente alertar as conseqüências desse déficit no futuro dessas crianças. A grande descoberta do nosso estudo é que a pobreza além de criar todos os problemas sociais já conhecidos, também cria grandes obstáculos biológicos. Em outras palavras, o funcionamento do cérebro – o receptáculo da nossa alma - é significantemente afetado.
Portanto, podemos concluir que mais vale investir no desenvolvimento intelectual das nossas crianças o quanto antes, do que ter que remediar no futuro problemas tão comuns ao nosso país. Vale lembrar que nossas crianças têm potencial de aprender, mas o ambiente e a estimulação fazem grande diferença. Estimulando nossas crianças com escolas descentes, habitações dignas, ambientes familiares distantes da miséria que é comum às periferias do Brasil, sem dúvida o governo poupará esforços e divisas na contenção da criminalidade e na cura de problemas crônicos de saúde pública. Além disso, terá uma população mais educada, conseqüentemente mais competitiva em um mercado globalizado que não dá espaço para a incompetência.


Os paises desenvolvidos já perceberam isso há muito tempo, por isso, não relaxam em proporcionar uma boa educação para suas crianças e dignidade social para a sua população. Tais paises saíram na frente, pois arrumaram suas casas, propiciaram aos seus cidadãos ambientes organizados, livres de estresse, estimulantes, onde suas crianças se beneficiam de bons estímulos e aprimoram suas estruturas cerebrais. O resultado de tudo isso é claro, pois como se vivendo uma corrente do bem, os filhos dessas crianças – geração após geração – se beneficiarão cada vez mais dos novos estímulos gerados por ambientes cada vez melhores. Da barbárie esses paises conseguiram tornar-se grandes civilizações, com pesquisa, riqueza, conhecimento, ordem social, e principalmente com gente educada, preparada, e longe da miséria. O Brasil precisa ultrapassar essa barreira e entender que somente investindo no seu principal capital, o seu povo, se livrará do complexo de colônia, e desabrochará da barbárie para a civilização. Só assim seremos o tão sonhado “país do futuro”. Por isso, conclamo, invistam em nossas crianças!

PS: Gostaria de agradecer à Universidade de Luxemburgo, e às universidades parceiras no Brasil, pelo esforço comum necessário para realizar essa pesquisar. Não poderia deixar de também agradecer às escolas brasileiras e às famílias das crianças testadas. Além disso, reitero que, salvo as constatações cientificas encontradas, as opiniões emitidas nesse blog são única e exclusivamente de responsabilidade do autor.

Caso queira ir a fundo nos resultados do projeto, visite o site da Doutora Pascale Engel, idealizadora e coordenadora do projeto.

Carlos Tourinho de Abreu

BABY DOC: O DITADOR QUE SE CONSIDERA DEMOCRATA


É comum acharmos que um ditador se reconhecerá como tal e vestirá alegremente as pesadas vestes que a palavra qualifica. E é comum nos horrorizarmos quando o ditador não se reconhece como tal ou, suprassumo da indecência, rejeita tal substantivo. Descartamos assim a certeza absoluta desenvolvida pelo ditador para acreditar que seus atos são necessários e justos. A rejeição de tal regime não será obra daquele que o criou e daqueles que o consideram melhor ou mais adequado àquilo que esperam de um poder centralizado e da submissão da sociedade a um tirano.

Não é surpresa, portanto, a declaração de Baby Doc, de que sente vontade de rir ao ser chamado de tirano porque ele próprio teria iniciado o processo democrático no Haiti. Não é preciso ser especialista em história política haitiana para considerá-lo não só um ditador, mas um homem que falta com a verdade. E não é preciso fazer esforço para acreditar que ele acredita realmente no que diz.

Agora entre comigo na máquina do tempo e retornemos três séculos. Imagine que você não faz ideia de quem foi Robespierre e lhe caísse às mãos os discursos daquele que homem que havia sido um advogado pacifista e defensor dos direitos humanos. Sua defesa da liberdade é tão sincera que emociona. Mas se você fosse mais a fundo na leitura logo descobriria o tipo de liberdade e quais métodos ele defendia para conquistá-la e preservá-la. Depois disso você entenderia em parte o terror jacobino e a loucura que o levou a autocoroar-se o Ser Supremo. Robespierre foi engolido pela revolução e teve o mesmo fim de tantos outros revolucionários, mas não lamentou seus atos e ideias nem mesmo diante da guilhotina. Morreu com a certeza de ter sido o grande libertador da França.

Baby Doc, assim como Robespierre, não tem dúvida sobre a legitimidade de suas ações.

Bruno Garschagen

PUC, ANTRO DE MACONHA, PROÍBE FESTIVAL DE CULTURA CANÁBICA

As drogas, como o rock, nos chegaram via Estados Unidos. Não que fossem produzidas lá, mas o consumo da juventude norte-americana exportava a moda para os símios ao sul do Trópico de Câncer. Uma edição da revista O Cruzeiro publicou, nos anos 50, uma reportagem significativa sobre a "erva do diabo", como era então chamada a Cannabis sativa. Para aproximar-se da droga, que circulava então nas favelas e no presídio, um repórter deixou crescer a barba, como camuflagem junto aos traficantes e consumidores. Maconha era então coisa de submundo, e barba logotipo de marginal. Mas tarde, virou logotipo de corrupto petista, mas isto já é outra história.

Bastou os universitários norte-americanos adotarem a marijuana - voz mexicana que indicava a origem do produto - a erva virou moda no Brasil, particularmente nos campi. Como jamais suportei modas, e particularmente as vindas do Norte, meu repúdio à maconha era antes de tudo teórico, político. Por outro lado, o consumo da maconha era vício gregário, e sempre me afastei de cerimoniais coletivos. Os curtidores da cannabis eram em geral pessoas de pouca ou nenhuma leitura, e nada me impelia a confraternizar com eles.

Verdade que havia gente consumindo alfafa por maconha sem se dar conta. Afinal, pouca é a diferença entre Cannabis sativa e Medicago sativa. Em meus dias de Porto Alegre, quando escrevia na finada Folha da Manhã, caiu-me em mãos a notícia de um traficante que operava numa favela chamada Vila do Cai n’Água. Preso pela polícia, alegou que nada estava vendendo de ilegal. Vendia alfafa batizada com esterco de cavalo. E o pessoal não reclama? – perguntou o policial. “Eles acham que o cheiro é muito forte. Digo que é maconha do Nordeste, da boa”.

Os grandes difusores da maconha e outras drogas foram os roqueiros e a universidade. Não se concebe show de rock ou rave sem drogas. Muito menos universidade. Consumida anteriormente por marginais, a maconha foi elevada à dignidade universitária. Com esta bendita mania que temos de importar do Primeiro Mundo o que de pior o Primeiro Mundo produz, logo foi adotada pela universidade brasileira.

O leitor deverá ter conhecido ou ouvido falar de pequenas comunidades do interior do país, onde a droga inexistia. Basta criar um curso ou extensão universitária nalguma dessas comunidades, e no dia seguinte a droga e o tráfico lá se instalam. Em meus dias de Dom Pedrito, maconha era fenômeno distante, que só ocorria nas metrópoles do centro. Bastou um campus na cidade e a droga passou a ser vendida em plena Barão de Upacaraí.

Quando a maconha era proibida no Brasil – início dos anos 90 – os campi eram os locais mais seguros para quem queria drogar-se sem ser perturbado pela polícia. Um dos mais reputados fumódromos de São Paulo era o campus da PUC. Desde há muito se sabe que os campi abrigam aprazíveis fumódromos, protegidos pela asa cúmplice dos reitores.

Mas ai de quem disser que o rei está nu. Foi o que aconteceu com o psiquiatra Içami Tiba. Ao analisar o caso de Suzane von Richthofen, estudante de direito da PUC de São Paulo que matou os pais em 2002, afirmou: 'A PUC é um antro de maconha'. Que a maconha tinha livre curso na PUC, isto era público e sabido, e nenhum universitário negará este fato. A PUC, melindrada, entrou com dois processos contra o psiquiatra: um de indenização por danos morais e uma queixa-crime por difamação. O crime foi dizer em público, com todas as letras, o que era público mas jamais admitido.

Foram precisos seis anos para que um reitor admitisse publicamente, em 2009, o uso de drogas no campus de Perdizes. O reitor Dirceu de Mello decidiu defender o “franco enfrentamento do problema” e coibir o consumo nas dependências universitárias. “A PUC não quer ser marcada como um território livre para o uso de drogas. O que é ilegal não pode e pronto. Aqui não é lugar para ficar fumando maconha” – disse na época o pró-reitor de Cultura e Relações Comunitárias, Hélio Roberto Deliberador.

120 seguranças da Graber, uma prestadora de serviço, receberam treinamento para abordar quem for visto consumindo drogas na unidade. Mas a abordagem seria leve. Nada de encaminhar à justiça que fosse flagrado cometendo um ilícito. Em média, dez usuários por dia seriam abordados. E por que apenas dez usuários? Deliberador não explica. É de supor-se que para não espalhar a inquietação entre estes bravos jovens – o futuro da nação – que finalmente encontraram um eruv tranqüilo onde transgredir a lei sem temer as conseqüências da transgressão à lei.

Se o leitor imagina que o transgressor seria encaminhado às autoridades para a devida punição, em muito se engana o leitor. Os funcionários da Graber teriam de pedir gentilmente que o cigarro fosse apagado, e alertariam que o uso é ilegal e que a universidade não é o espaço adequado para o consumo. Pelo que me consta, nenhum aluno foi punido e a erva continuou correndo solta na PUC.

Assim sendo, me surpreende notícia que li nos jornais de ontem. O mesmo reitor Dirceu Mello, cuja orientação aos seguranças da Graber era a de pedir gentilmente aos acadêmicos maconheiros que o baseado fosse apagado, decidiu suspender ontem as atividades administrativas e acadêmicas no campus Monte Alegre. A medida foi tomada pelo reitor após estudantes divulgarem a realização do 1º Festival de Cultura Canábica. O festival, que teria a participação de bandas adeptas da legalização do uso da maconha, deveria atrair, segundo a reitoria, de 4000 a 6000 pessoas.

Escândalo nas hostes universitárias. "Não somos baderneiros. Só queremos discutir a legalização da maconha. Afinal, não existiria produção cultural e acadêmica nesse País se não existisse a maconha", gritava ontem, em um microfone improvisado, Marcel Segal, de 23 anos, aluno do curso de Comunicação e Multimeios da PUC-SP.

Essa agora! A produção cultural e acadêmica do País depende da cannabis. Confesso que não me havia dado conta deste fundamental instrumento de ensino e conhecimento. Mas vai ver que é assim mesmo, já que não há universidade no Brasil onde não se consuma maconha. Quanto ao reitor Dirceu Mello, este senhor insensível às necessidades culturais da comunidade que administra, sua política é a mesma das ditas Unidades de Polícia Pacificadora nas favelas do Rio: tráfico e consumo, tudo bem.

Desde que discretos. Festival de Cultura Canábica é dar muita bandeira. Fume à vontade. Mas não espalhe.

janer cristaldo