sábado, 24 de novembro de 2012

ELA É O QUE É. E ISSO É RUIM...

    
Parem tudo. Preta Gil tem clipe novo da praça e eu não sabia:“Sou o que sou”. Como tudo que Preta Gil faz me interessa, eu fui logo conferir. Parem o que estiverem fazendo e assistam:



Digamos que cada país um tem a imitação de Beyoncé que merece. Por aqui temos uma versão “Beyoncé depois da dieta de carboidratos”. Deviam avisar a "cantora": não basta ligar o ventilador para balançar as madeixas. Para ser a Beyoncé dos trópicos é preciso saber cantar. Preta não sabe. Não sabe dançar, também. Não tem suingue. Não tem nada.
O que Preta Gil tem? Um pai famoso. Eu gostaria de saber quem foi o imbecil que convenceu Preta Gil a cantar. Espero que não tenha sido Gilberto Gil, pois isso o deixaria mais perto do inferno (isso e "Punk da periferia").
Preta pode até ter um público cativo. Grande merda: até bandidos têm fãs. O que eu gostaria mesmo era que as pessoas dessem mais atenção às músicas do que aos seus discursos. Ouçam um trecho do vídeo. 10 segundos e vocês vão notar: é ruim. De doer. É sem sal. É como ouvir um coroinha contando piada pornô. Ou Cid Moreira cantando James Brown. Não “orna”.
E neste clipe Preta mostra uma característica curiosa. Geralmente, as cantoras buscam imitar quem tem mais talento. Preta conseguiu achar alguém pior do que ela (foi difícil, imagino) para se espelhar: Stefhany (lembram dela?). Toda essa estética erótico-sadomaô de baile gay de 5 ª categoria parece ter sido copiada deste vídeo. Preta ainda imita direitinho as caras e bocas estilo “atriz de peça do grêmio infantil” da Stefhany, com o mesmo resultado bisonho. É isso aí: as barangas estão descontroladas!
Mas o pior é o clima de “lição de moral”. A música pretende ser um manifesto a favor da "tolerância", algo assim. Lindo: Preta, que já é um desastre como cantora, agora quer bancar a socióloga. E parece que o truque funciona. Nos comentários do vídeo, tem um monte de paspalho elogiando a "defesa das minorias" que a cantora faz. Crianças, ela está tão preocupada com as minorias quanto eu com as formigas do Tibet.
Muita gente também elogia Preta por ela ser gordinha e não ter vergonha disso. Perfeito. Como manifestação comportamental eu acho corretíssimo. Mas isso não a transforma em artista, vamos combinar? Eu gostava da Dercy Gonçalves, que assumia que era uma velha desbocada. Mas nem por isso eu iria comprar um disco dela.
Por isso, Preta, nem pense em emagrecer. Ou falar menos bobagens. Você perderia a única coisa que chama atenção em sua carreira.
 
24 de novembro de 2012
walter carrilho

PESSOAS SENSÍVEIS

 
Nenhum de nós pode escolher as coisas que nos acontecem, algumas boas, outras más. Mas todos nós podemos escolher nossa resposta às coisas que nos acontecem. Você não é prisioneiro das reações.
Algumas pessoas dizem que são muito “sensíveis”, que se magoam facilmente, que se decepcionam com amigos, colegas e família e com aquilo que outros dizem ou fazem. Tais pessoas, que se dizem “muito sensíveis”, na verdade não têm muita sensibilidade.
 
Pessoas sensíveis (por definição) são capazes de obter uma gama maior de informações sensoriais e emocionais vindas de outros e, portanto, geralmente são muito mais compreensivas, calmas e raramente se desapontam com os comportamentos alheios, exatamente porque sua sensibilidade aguçada mostra mais do que as aparências, evitando que se desapontem. Além disso, pessoas sensíveis jamais dizem que são sensíveis.
 
Então, o que são aquelas pessoas que a todo momento se definem como sensíveis, que ficam deprimidas por razões aparentemente pequenas e cujos dias são destruídos por uma advertência do chefe, por uma crítica dos colegas, por uma frase mal construída de um membro da família? Elas não são sensíveis?
Não.
 
Tais pessoas são reativas – o contrário de sensíveis. Pessoas reativas não pensam. Ou melhor, pensam que pensam, quando somente reagem emocionalmente a qualquer coisa, sem refletir, sem controlar, sem observar o todo, como crianças.
 
Todos nós somos reativos, vez ou outra, mas conforme amadurecemos nos tornamos menos reativos e mais sensíveis, já que escolhemos nossas respostas.
Quando somos crianças, simplesmente reagimos (o que é natural), por isso adultos reativos são, normalmente, acusados de um comportamento infantil e birrento.
 
Uma pessoa sensível (por obter mais informações que estão à sua volta) raramente perde o controle, mesmo quando atacada porque, sendo sensível, ela observa e escolhe a melhor resposta. Raramente reage, como um animal faminto faria.
 
Você não tem o poder de escolher aquilo que te acontecerá hoje, amanhã ou depois. Mas você tem o poder de escolher a melhor resposta que dará a tudo o que vai te acontecer. Resposta não é reação. Reação é sinônimo de programa automático. Resposta é sinônimo de escolha.
 
Seja mais sensível a partir de agora, evitando dizer a primeira coisa que lhe venha à mente, mesmo que seja algo que você diz pra você mesmo.
Escolha as palavras, escolha os pensamentos, escolha as respostas, fugindo da armadilha que torna a vida das pessoas reativas sempre dependente de cada problema que acontece.
 
E observe aqueles que dizem que são “sensíveis”. Olhe o comportamento dessas pessoas. Você verá que elas são completamente dependentes dos humores dos outros e dos acontecimentos externos.
Elas simplesmente reagem, por mais que racionalizem e se enganem, afirmando que suas reações são causadas por sua suposta sensibilidade. Sempre apresentarão razões para suas dores e tristezas, mas ainda assim estarão somente reagindo.
 
Você tem o poder de escolher aquilo que é melhor. Você pode! Porque, como afirma Stephen Covey: “Entre o que acontece comigo e minha reação ao que acontece comigo, há um espaço.
Neste espaço está minha capacidade em escolher minhas respostas e definir meu destino”.
 
24 de novembro de 2012
Desconheço a autoria.

ABUNDANS CAUTELA NON NOCET *


Isto é uma alerta, breve missiva ao bispo:

Greve de fome não é brinquedo de menino. Em Cabrobó, PE, menos ainda. Terra da melhor maconha destas plagas, portanto terra da mais genuína e oca das laricas.

Mesmo para quem não traga, o fastio vai pro beleléu, simbora.

Digo isso ao imaginar esse pobre bispo, que resolveu fazer abstinência logo nas beiradas daquele maconhal do velho Chico.

Mesmo para quem não fuma, o apetite dispara, na hora. Lá, quem respira já embute a larica.

Periga é o bispo virar comida, como o velho Sardinha, lembra-se?, lindamente devorado pelos índios, de batina e tudo, epa!,deixa dilço!

[Se bem que os jesuítas a-do-ra-vam esse tipo de sacrifício, nera?,esqueciam até a lavagem cerebral das suas cartilhas.]

*O excesso de cautela não prejudica.

24 de novembro de 2012
xico sá

INDIRETAS, UMA ÓTIMA FORMA DE NÃO FALAR NADA


Eu sou muuuito sincero, já viu minhas Indiretas?
Estamos em meio a uma consquista do mundo, por meio de indiretas, de todos os tipos!

Todo mundo reclama de indiretas nas redes sociais, mas observe bem que isso é uma dinâmica da vida: quem não fala na lata na real, nunca falará no virtual.
"Eu sou sincero, falo mesmo... #prontofalei"

Eu tenho uns conceitos que entendo serem complexos pra galera entender, são coisas que invento pra mim, mas, que até agora tem dado certo, rsrs. Tipo, fidelidade não é algo que temos para o outro e sim para nós e a mesma coisa é a tal da sinceridade.

Todo mundo cobra sinceridade e tem probleminhas com mentiras, sei lá, fico muito cabreira com gente que se incomoda demais com isso e tem neurose de ser enganada. É que nem o malandro-safado que pega todas e se torna obsessivo-compulsivo-possessivo em ser traído, tremendo espelho! Como ele faz, acha que todo mundo é igual.

Detesto mentiras, mas a gente mente. Seja uma desculpinha esfarrapada aqui, um não quero me aborrecer ali ou um não vou magoar acolá, a gente mente. Sempre temos uma mentirinha branca na manga pra lançar mão e ninguém se faz de rogado pra isso, é praxe.

Mas a pior mentira é aquela que inventamos para nós mesmos, tipo, "sou super sincero", porra nenhuma! Não acredito que jogar indiretas seja o mesmo que ser sincero, já falei isso em algum post por aí. Entendo que jogar indiretas é:

- Quando não temos capacidade, nem coragem de mandar a real - diretamente - a quem tem questões pendentes conosco;
- Uma baita de uma dificuldade no ato de se comunicar, que vêm da pura ausência de clareza interna;
- Quando jogamos a responsa nos ombros do outros e queremos que eles tenham atitudes das tais não fazem a menor idéia que deveriam ter (e esse item volta ao segundo no quesito "dificuldade de comunicação");
- Uma auto-ilusão no sentido de ser "sincero";
- Outra auto-ilusão na construção de uma identidade que tem "atitude"... #porranenhuma



Existe uma linguagem não verbal que poucos dão valor, mas que em suma é o que dita a regra da vida. Se comunicar bem é uma arte, e quem manda indireta, definitivamente, não a domina.

Indireta é a arte direta do "vou mandar verde pra colher maduro". Péssima forma no cultivo de relações. Se a semente é incerta, dela pode crescer qualquer coisa, concorda?

Uma pessoa com clareza interna, que entende e respeita seus limites, dificuldades e que sabe o que quer, consegue se colocar de forma clara e DIRETA, a quem quer que seja sem ser rude, vil ou vingativa em suas palavras, mesmo que o que tenha a expor sejam as suas incertezas. Ela não pecisa se defender com verbos.
A sinceridade tem sido confundida com agressividade verbal.

Indiretas só chamam mais indiretas, pois não alimentam a necessidade interna-humana de ser entendido e atendido pelo outro. Já um papo direto, sim.

Uma indireta é como fazer uma cesta: para que ela acerte a pessoa que se deseja atingir, é necessário que a mesma esteja com sua carapuça aberta. E para infelicidade e indignação de quem manda, na maioria das vezes, ela não está, em contrapartida, existem milhares de pessoas que se sentem vitimadas pelo mundo e vivem encarapuçadas, de forma que agarram qualquer indireta como se fosse um presente de grego para a sua baixa auto-estima. Logo, indireta = desserviço para a humanidade.

E essa tem sido a dinâmica da vida em sociedade: indiretas, telefones sem fio, conversas de sudo e mudo, linguagem de sinais para cegos emocionais e tantos outros modos que só refletem a dificuldade interna de todos nós em ter um papo direto com quem realmente somos.

24 de novembro de 2012
Monik Ornellas

O PECADO MORA AO LADO

mocinha


O cara começa dizendo que sempre se masturba pensando na mulher dele. Eu me assusto, arregalo os olhos. Penso: ‘Estou diante de um milagre ou de um maluco’. Mas, na frase seguinte, ele me ‘tranquiliza’, mostra-se um sujeito ‘normal’ e diz que, na verdade, se imagina chegando em casa mais cedo, do trabalho, e flagrando a esposa aos beijos com a filha da vizinha, que tem dezoito anos.

“Não sou de abusar de crianças, mas transaria com essa ninfeta se tivesse a oportunidade. Ela é fogosa e, sempre que a dispo com meus olhos, fico imaginando como devem ser seus lábios vaginais e seus mamilos. Ela tem uma boca carnuda. É o tipo de menina que sabe que é gostosa e abusa disso.

Imagino minha mulher com a boca naqueles seios de ninfeta e fico muito, muito excitado. Minha mulher me vê e me chama para participar. Enfio meu pau direto na boca da jovem e ela começa a se divertir. Depois, a sento na mesa de jantar, abro suas pernas e começo a chupá-la como um louco.
Às vezes, sonho que ela esta sentada no meu rosto, me lambuzando com seu gosto ‘de coisa fresca’.

Sim, essa fantasia tem me deixado louco. Depois de chupá-la, a penetro com força, e, pelas reações, percebo que não é inexperiente. Por dentro, ela é tão quente e molhada que começo a diminuir a intensidade dos movimentos para retardar o orgasmo. Mordo aqueles seios que me deixam louco.

Passo a mão pela macia que me tira o fôlego. Beijo seus lábios, seu pescoço, aperto aquele quadril magrinho e meto com força, fazendo-a gemer. Já explodindo de prazer, gozo na barriga dela.
O jato é tão forte que respinga em seu rosto. Enquanto isso, minha mulher nos assiste e se masturba.”

Ele termina seu relato dizendo que sua mulher é muito conservadora e jamais permitiria que ele transasse com a filha da vizinha. Também faz questão de contar que tem uma filha jovem e que sabe o quanto os pais podem ser protetores.

No entanto, acha essa fantasia fantástica e sabe que a maioria dos homens se masturba pensando em ninfetas. Portanto, não se culpa. Só mete a mulher no meio pra não se sentir tão mal e para imaginá-la mais ‘liberal’.

24 de novembro de 2012
Silvia Pilz

domingo, 21 de outubro de 2012

ACABAR COM O PROBLEMA

 

Uma empresa criou um dispositivo chamado “Desodorizador de Peidos”, que funciona como um filtro que elimina o cheiro quando a pessoa peida..
 
O produto vem com dez “filtros” e é vendido por vários sites na internet. O filtro é descartável e extremamente fino e é só colocá-lo sobre a calcinha ou cueca que ele adere.
 
Já outra empresa criou outro dispositivo, com um filtro “anti-peido” acoplado; a peça íntima chamada Cobre Peido não é lá das mais bonitas, mas promete ser eficiente no combate aos gases malestrosos.
 
A peça intima também pode ser adquirida através da internet. Já a peça unissex, tamanho GG, também está disponível na rede.
Para quem não gostou do modelo e está cansado de fazer os amigos(as) sofrerem, a alternativa é adquirir apenas o filtro anti-peidos.
 
Um pacote com duas unidades permite ao comprador peidar à vontade, pois o filtro absorve até 60 peidos.Com uma tecnologia multi-camadas, o filtro é composto de feltro de lã, polipropileno, fibra de vidro e uma película de carbono ativado que promete eliminar todo o fedor da peidação.
 
Algumas outras opções com essências, estão em desenvolvimento; nesses casos o carvão ativado será trocado por um composto químico semelhante a uma farinha, com vários perfumes: os principais em teste são: eucalipto citriodora, cravo da India, canela, cereja, rosas e pizza.

Segundo a fabricante do Cobre Peido, as roupas íntimas têm durabilidade de um ano, mas o filtro precisa ser trocado em algumas semanas ou meses dependendo do uso (e da quantidade e composição quimica do flato ).
A garantia é de 30 dias. Se não funcionar, a empresa promete devolver o dinheiro. É ver para crer, ou melhor, peidar para saber

21 de outubro de 2012
Helio Garcia

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

DRUMMOND

SOBRE O OCASO


Não tenho ilusões sobre uma possível velhice minha. Sei que meus filhos podem me achar um estorvo. Posso estar enganado, é possível que esteja, mas a velhice pode ser um transtorno - é uma volta a um estado de dependência terrível.
Muitos acham que é obrigação dos filhos cuidar dos pais e eu digo que não é. Não quero que ninguém cuide de mim porque é obrigado. Se quiser cuidar, beleza. Se não quiser, ok.
-Você cuidou dos seus filhos! – podem dizer.
 
Sim, porque eu quis. Porque eu podia. Porque tinha tempo. Porque eles não tinham como se defender.
Não posso pedir pros meus filhos, no auge da luta pela vida que façam o mesmo por mim porque estou velho. Não terei nenhuma frustração por causa disso.
 
Só peço que gostem de mim - e quanto a isso, faço o que posso e um pouco mais. Mas obrigar? Forçar a barra? Isso não é amor. Se fizerem isso porque estão querendo fazer ótimo. Mas jogar na cara deles o amor que eu quis dar, ah, não. Golpe baixo.
Passo a jogada. Pretendo não dar trabalho a ninguém. Só tomem decisões se eu não puder falar por mim. Se eu puder, tendo um livro e podendo ouvir uma música, estou no lucro. A vida é assim. O amor é assim. O fim é assim.
 
19 de outubro de 2012
Felipe Flexa
 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

VINHO TINTO PODE CONTROLAR DIABETES TIPO 2

Uma taça da bebida ao dia poderia substituir medicação, mas especialistas alertam que o hábito de beber traria outros riscos

vinho tinto
(Martin Bernetti / AFP)
 
A Universidade de Recursos Naturais e Ciências da Vida, em Viena, na Áustria, acaba de descobrir mais um dos benefícios que o vinho tinto pode trazer à saúde. Segundo Alois Jungbauer e sua equipe, uma taça ao dia da bebida pode manter a diabetes tipo 2 sob controle.

Isso acontece porque, conforme revelou o estudo da equipe, uma pequena taça de vinho contém a mesma quantidade de PPAR-gamma (substância ativa no controle dos níveis de açúcar no sangue) presente em uma dose de medicamento usado no tratamento da doença.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores compararam as quantidades da substância em doze tipos de vinho e concluíram que os tintos tinham mais PPAR-gamma que os demais.
Então, eles analisaram os efeitos dessa substância nas células e determinaram que ela existia em proporções suficientes para competir com a droga Avandia.

Apesar da boa notícia, alguns aspectos devem ser considerados antes de uma adesão imediata à dose diária da bebida. A organização Diabetes UK, da Grã-Bretanha, por exemplo, reagiu ao estudo argumentando que vinho é muito calórico, o que pode levar ao aumento do peso e a conseguinte perda de todos os benefícios advindos das propriedades da bebida.

Os pesquisadores do estudo austríaco replicaram, dizendo que, ingerido com moderação e acompanhado de uma dieta de calorias, o vinho seria uma ótima alternativa à medicação. “'Moderação' quer dizer uma taça ao dia para mulheres e duas para os homens”, explicou Jungbauer. “Nosso grande problema é pregar um estilo de vida saudável, porque vinho em excesso causa diabetes e obesidade”, acrescenta.

Diabetes - A doença ocorre quando o pâncreas é incapaz de produzir insulina suficiente – hormônio que controla a quantidade de açúcar no corpo. Há também casos em que a insulina é produzida, mas não funciona adequadamente. Grandes quantidades de açúcar no sangue, por sua vez, podem levar a problemas cardíacos, cansaço, cegueira, danos nervosos, problemas nos rins e apoplexia.

07 de setembro de 2012

O ESCÂNDALO DAS VAGINAS

Não entendi a comoção em torno da plástica íntima

 

IVAN MARTINS IVAN MARTINS É editor-executivo de ÉPOCA (Foto: ÉPOCA)
 
 
Fomos informados pela imprensa, alguns dias atrás, que cresce exponencialmente no Brasil o número de cirurgias estéticas de vagina. As mulheres que têm lábios vaginais muito grandes estão pagando cerca de três mil reais para reduzi-los às proporções da moda, que são modestas e delicadas. Se eu entendi direito, em vez de um botão de rosa aberto ou semiaberto, elas querem um botão cerrado. Acham mais bonitinho.




A notícia provocou o barulho de sempre. As moças engajadas foram às redes sociais dizer que esse tipo de operação representa uma violência social inaceitável. Os homens que amam as mulheres declararam seu amor incondicional a qualquer forma sagrada de vagina. Em dois minutos, apareceram dezenas de médicos explicando como a operação – embora simples e rápida – exige uma recuperação cuidadosa (um mês sem sexo!) e acarreta dois riscos sérios: infecção e perda de sensibilidade vaginal, por dano ao tecido nervoso.
Confesso que, neste tipo de assunto, estou me tornando um pessimista.

As pessoas farão coisas cada vez mais malucas com seus corpos, não importa o que a gente ache ou diga. Acredito que isso exterioriza o enorme mal estar interior com elas mesmas, que precisa ganhar forma de algum jeito. Se puderem redesenhar seus corpos – da forma como não conseguem alterar seus sentimentos – farão isso cada vez mais agressivamente, sob qualquer desculpa, inclusive a de se tornar mais atraentes. Temo que no futuro vivamos num livro de ficção científica de Willian Gibson, em que os personagens têm olhos cor de rubis, vaginas artificiais nas coxas e carregam clitóris embaixo dos braços. Eu chamaria isso de inferno, mas muitos acharão que é o paraíso.
Dito isso, e talvez por ser um pessimista, eu não fiquei escandalizado com as cirurgias estéticas de vagina. Não entendo em que elas são eticamente diferentes de uma plástica de nariz. Ou de barriga. Ou de seios. Se a gente já se acostumou com peitos que balançam como bolas de borracha, por que fazer caso de minúsculas lacerações do tecido vaginal? Pergunto aos meus botões ignorantes se uma lipoaspiração é menos nojenta, agressiva, perigosa ou de qualquer maneira menos fútil que uma plástica corretiva na vagina – e não recebo deles resposta satisfatória.

Sendo homem, tampouco faço ideia de como seja estar insatisfeito com a própria vagina, achá-la desengonçada, pelancuda, feia. Já ouvi mulheres com esse sentimento e elas me pareceram tristes. Minha primeira impressão é que o amor e o desejo dos parceiros deveriam ajudar a colocar isso de lado, mas talvez em alguns casos essas atenções faltem, ou sejam insuficientes. Deve haver situações em que a modificação do corpo seja mais que mera estupidez ou frivolidade, e talvez um psicólogo seja a pessoa adequada para ajudar a determiná-las.
Embora eu não saiba nada sobre os sentimentos da vagina, sei como os homens se sentem em relação ao pênis.

Milhões vivem profundamente insatisfeitos com a forma e, sobretudo, com as dimensões que receberam da natureza. Se houvesse a certeza de mudar essa situação com uma cirurgia de três mil reais, de curta duração e baixo risco, tenho certeza de que muito se atirariam a ela como loucos - desesperados e famintos. Quem, sendo homem, sabendo como cada um de nós se sente em relação ao próprio pênis, diria a outro homem que não fizesse por si mesmo essa graça? Mas não existe uma cirurgia segura que ofereça a prodigalidade peniana. Portanto, estamos livres para rir, julgar e invejar as mulheres.


Não quero com isso endossar de forma nenhuma as plásticas vaginais. Já disse que acho esse modismo uma expressão da nossa coletiva (e inexorável) maluquice. Mas tampouco fico confortável vendo as pessoas que fazem esse tipo de procedimentos sendo estigmatizadas. Acho patético que uma sociedade que foi tão longe em incentivar o flagelo corporal das mulheres em nome da beleza se volte coletivamente contra a mais recente manifestação da sua própria loucura – apenas outro sintoma, sutil e delicado, de que coisas muito mais importantes estão erradas.

07 de setembro de 2012
ivan martins

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

AS CONTRADIÇÕES


Tenho observado durante todo esse tempo muitas pessoas que se mostram radicalmente contraditórias em suas atitudes.

Até eu me enquadro nessa mercurialidade.

Notei, por exemplo, que há pessoas que não arredam de serem vingativas, no entanto se mostram comoventemente amorosas no fulcro de sua emotividade.

São capazes de ódios repentinos e passageiros, mas no cerne de sua personalidade revelam-se generosas, dadivosas, românticas e se entregam em atitudes de amor e paixão de modo devotado.

Já, não por outra razão, o estudo psiquiátrico colheu nesse campo da inclinação humana o fenômeno que denominou de bipolaridade.

O bipolar, muito frequente nas relações humanas, se caracteriza por uma variação permanente: ora está deprimido, arrasado, no mais completo baixo-astral, ora está em euforia, num êxtase mental que beira o delírio deleitoso.

A euforia é muito rica – e pobre – em suas reações.

A pior reação da euforia é a irritabilidade. Por ela, uma pessoa tanto pode indignar-se com raiva de outra como até se atirar à destruição de seu semelhante.

Não queira ser alvo da irritação de quem está em euforia.

No entanto, a euforia se alterna periodicamente com a depressão, esta um estado mórbido de prostração que derruba o indivíduo a ponto de, na maioria das vezes, querer encerrar-se em seu quarto e não encontrar-se com ninguém, nem com seus próprios familiares, dentro de sua casa.

O deprimido estende os limites de sua solidão e se priva de todas as relações humanas que não forem essenciais, eliminando as triviais.

Chega a ser fenomenal que uma mesma pessoa pareça ser duas, uma aberta e estuante para a relação com os outros, a outra taciturna e avessa aos contatos humanos, embora o primeiro tipo se muna por vezes de agressividade.

A psiquiatria tem atacado com relativo sucesso a bipolaridade, através de medicamentos químicos.

O estado normal e saudável da pessoa humana é um ponto equilibrado, distante claramente da euforia e da depressão.

Este ponto é mais suscetível de felicidade.

 
Paulo Sant`Ana
ZERO HORA
03/09/2012

EM BUSCA DA VAGINA PERFEITA

Cirurgia plástica íntima é mania mundial que preocupa ginecologistas

Lábios vaginais recauchutados e outros retoques na genitália feminina não podem ser facilmente exibidos como peitões de silicone ou barriguinhas lipoaspiradas. Mesmo assim, são o último fenômeno no cardápio moderno das intervenções plásticas.

Nos EUA, são feitas mais de 1,5 milhão de cirurgias íntimas. No Reino Unido, 1,2 milhão. No Brasil, médicos apontam um crescimento de 50% nos últimos dois anos.


Jamie McCartney/Divulgação
Um dos painéis que compõem o "Grande Mural da Vagin", do artista plástico inglês Jamie McCartney
Um dos painéis que compõem o "Grande Mural da Vagin", do artista plástico inglês Jamie McCartney

O ginecologista Paulo Guimarães é expert em "design vaginal". Dá cursos de formação em cosmetoginecologia para médicos. Nos treinamentos, diz, 900 mulheres são operadas por ano, a preços menores. No consultório, "com atendimento personalizado e sigilo", afirma fazer 15 cirurgias íntimas por mês.

O cirurgião plástico Marcelo Wulkan, que atende em São Paulo e tem trabalhos sobre redução de lábios vaginais em publicações internacionais, diz fazer cem desses procedimentos por ano.
Mesmo médicos mais conhecidos por outros tipos de cirurgia, como implantes mamários e plástica de nariz, estão vendo a procura crescer.

"Nos últimos dois anos, passei de uma cirurgia íntima para três por mês", conta Eduardo Lintz, chefe de cirurgia plástica do hospital HCor, de São Paulo, e professor do Instituto Ivo Pitangui, no Rio. No total, Lintz faz cerca de 40 cirurgias plásticas mensais.

TAMANHO-PADRÃO

Como não há evidências de que os lábios vaginais cresceram nos últimos anos, especula-se que o aumento de cirurgias redutoras esteja ligado à uma nova busca de medidas genitais "padrão".
E o que é uma vagina normal? Assim como as estatísticas brasileiras sobre cirurgia íntima, as medidas são imprecisas. "Isso é um pouco subjetivo. Quando o lábio menor não ultrapassa 2 cm de largura pode ser considerado normal", diz Wulkan.

Está longe de ser consenso. Segundo estudo no "British Journal of Obstetrics and Gynaecology", a diversidade de tamanhos observada nos lábios vaginais da população é imensa, o que amplia o espectro de normalidade.

O mesmo estudo aponta que trabalhos anteriores definiram como acima do normal lábios com mais de 4 cm de largura, mas essa medida deve ser revista e ampliada.

Quando os lábios menores ultrapassam os maiores, a tendência é serem considerados candidatos à cirurgia. Mas não se trata de uma imperfeição física.

"É constitucional, a mulher nasce com essa característica, como nasce com um nariz grande", diz Lintz.

No entanto, o que é natural já não é o normal.

Imagens de nus femininos, reportagens e material didático criam o modelo de normalidade, diz a antropóloga Thais Machado-Borges, do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Estocolmo, Suécia.

No estudo "Um olhar antropológico sobre a mídia, cirurgia íntima e normalidade", ela diz que as mulheres consideram atrativas as formas que correspondam a esse modelo, criadas por técnicas cirúrgicas. "Será que essas cirurgias podem transformar zonas erógenas em 'paisagens' onde reina o prazer?", questiona.

Como em relação a narizes, peitos e bundas, o padrão estético muda conforme a época e o país. "Nos EUA, as mulheres querem vagina pequena, cor-de-rosa. As brasileiras querem no mesmo tom de pele do das mãos, com lábios de 1 cm a 1,5 cm", diz o ginecologista Paulo Guimarães.
"É o modelo imaginário do órgão de menininha, o formato 'sou virgem'", interpreta a psicóloga Rachel Moreno.

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia alerta seus membros sobre riscos dessa onda.

"É preciso muito cuidado para mexer em locais com tantas terminações nervosas. As cirurgias íntimas são vendidas como soluções para dificuldades sexuais, mas, se você mexer onde não era para mexer, você piora o que era para melhorar", diz Gerson Lopes, presidente da comissão de sexologia da entidade.
 
03 de setembro de 2012
IARA BIDERMAN, DE SÃO PAULO