sexta-feira, 19 de outubro de 2012

DRUMMOND

SOBRE O OCASO


Não tenho ilusões sobre uma possível velhice minha. Sei que meus filhos podem me achar um estorvo. Posso estar enganado, é possível que esteja, mas a velhice pode ser um transtorno - é uma volta a um estado de dependência terrível.
Muitos acham que é obrigação dos filhos cuidar dos pais e eu digo que não é. Não quero que ninguém cuide de mim porque é obrigado. Se quiser cuidar, beleza. Se não quiser, ok.
-Você cuidou dos seus filhos! – podem dizer.
 
Sim, porque eu quis. Porque eu podia. Porque tinha tempo. Porque eles não tinham como se defender.
Não posso pedir pros meus filhos, no auge da luta pela vida que façam o mesmo por mim porque estou velho. Não terei nenhuma frustração por causa disso.
 
Só peço que gostem de mim - e quanto a isso, faço o que posso e um pouco mais. Mas obrigar? Forçar a barra? Isso não é amor. Se fizerem isso porque estão querendo fazer ótimo. Mas jogar na cara deles o amor que eu quis dar, ah, não. Golpe baixo.
Passo a jogada. Pretendo não dar trabalho a ninguém. Só tomem decisões se eu não puder falar por mim. Se eu puder, tendo um livro e podendo ouvir uma música, estou no lucro. A vida é assim. O amor é assim. O fim é assim.
 
19 de outubro de 2012
Felipe Flexa
 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

VINHO TINTO PODE CONTROLAR DIABETES TIPO 2

Uma taça da bebida ao dia poderia substituir medicação, mas especialistas alertam que o hábito de beber traria outros riscos

vinho tinto
(Martin Bernetti / AFP)
 
A Universidade de Recursos Naturais e Ciências da Vida, em Viena, na Áustria, acaba de descobrir mais um dos benefícios que o vinho tinto pode trazer à saúde. Segundo Alois Jungbauer e sua equipe, uma taça ao dia da bebida pode manter a diabetes tipo 2 sob controle.

Isso acontece porque, conforme revelou o estudo da equipe, uma pequena taça de vinho contém a mesma quantidade de PPAR-gamma (substância ativa no controle dos níveis de açúcar no sangue) presente em uma dose de medicamento usado no tratamento da doença.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores compararam as quantidades da substância em doze tipos de vinho e concluíram que os tintos tinham mais PPAR-gamma que os demais.
Então, eles analisaram os efeitos dessa substância nas células e determinaram que ela existia em proporções suficientes para competir com a droga Avandia.

Apesar da boa notícia, alguns aspectos devem ser considerados antes de uma adesão imediata à dose diária da bebida. A organização Diabetes UK, da Grã-Bretanha, por exemplo, reagiu ao estudo argumentando que vinho é muito calórico, o que pode levar ao aumento do peso e a conseguinte perda de todos os benefícios advindos das propriedades da bebida.

Os pesquisadores do estudo austríaco replicaram, dizendo que, ingerido com moderação e acompanhado de uma dieta de calorias, o vinho seria uma ótima alternativa à medicação. “'Moderação' quer dizer uma taça ao dia para mulheres e duas para os homens”, explicou Jungbauer. “Nosso grande problema é pregar um estilo de vida saudável, porque vinho em excesso causa diabetes e obesidade”, acrescenta.

Diabetes - A doença ocorre quando o pâncreas é incapaz de produzir insulina suficiente – hormônio que controla a quantidade de açúcar no corpo. Há também casos em que a insulina é produzida, mas não funciona adequadamente. Grandes quantidades de açúcar no sangue, por sua vez, podem levar a problemas cardíacos, cansaço, cegueira, danos nervosos, problemas nos rins e apoplexia.

07 de setembro de 2012

O ESCÂNDALO DAS VAGINAS

Não entendi a comoção em torno da plástica íntima

 

IVAN MARTINS IVAN MARTINS É editor-executivo de ÉPOCA (Foto: ÉPOCA)
 
 
Fomos informados pela imprensa, alguns dias atrás, que cresce exponencialmente no Brasil o número de cirurgias estéticas de vagina. As mulheres que têm lábios vaginais muito grandes estão pagando cerca de três mil reais para reduzi-los às proporções da moda, que são modestas e delicadas. Se eu entendi direito, em vez de um botão de rosa aberto ou semiaberto, elas querem um botão cerrado. Acham mais bonitinho.




A notícia provocou o barulho de sempre. As moças engajadas foram às redes sociais dizer que esse tipo de operação representa uma violência social inaceitável. Os homens que amam as mulheres declararam seu amor incondicional a qualquer forma sagrada de vagina. Em dois minutos, apareceram dezenas de médicos explicando como a operação – embora simples e rápida – exige uma recuperação cuidadosa (um mês sem sexo!) e acarreta dois riscos sérios: infecção e perda de sensibilidade vaginal, por dano ao tecido nervoso.
Confesso que, neste tipo de assunto, estou me tornando um pessimista.

As pessoas farão coisas cada vez mais malucas com seus corpos, não importa o que a gente ache ou diga. Acredito que isso exterioriza o enorme mal estar interior com elas mesmas, que precisa ganhar forma de algum jeito. Se puderem redesenhar seus corpos – da forma como não conseguem alterar seus sentimentos – farão isso cada vez mais agressivamente, sob qualquer desculpa, inclusive a de se tornar mais atraentes. Temo que no futuro vivamos num livro de ficção científica de Willian Gibson, em que os personagens têm olhos cor de rubis, vaginas artificiais nas coxas e carregam clitóris embaixo dos braços. Eu chamaria isso de inferno, mas muitos acharão que é o paraíso.
Dito isso, e talvez por ser um pessimista, eu não fiquei escandalizado com as cirurgias estéticas de vagina. Não entendo em que elas são eticamente diferentes de uma plástica de nariz. Ou de barriga. Ou de seios. Se a gente já se acostumou com peitos que balançam como bolas de borracha, por que fazer caso de minúsculas lacerações do tecido vaginal? Pergunto aos meus botões ignorantes se uma lipoaspiração é menos nojenta, agressiva, perigosa ou de qualquer maneira menos fútil que uma plástica corretiva na vagina – e não recebo deles resposta satisfatória.

Sendo homem, tampouco faço ideia de como seja estar insatisfeito com a própria vagina, achá-la desengonçada, pelancuda, feia. Já ouvi mulheres com esse sentimento e elas me pareceram tristes. Minha primeira impressão é que o amor e o desejo dos parceiros deveriam ajudar a colocar isso de lado, mas talvez em alguns casos essas atenções faltem, ou sejam insuficientes. Deve haver situações em que a modificação do corpo seja mais que mera estupidez ou frivolidade, e talvez um psicólogo seja a pessoa adequada para ajudar a determiná-las.
Embora eu não saiba nada sobre os sentimentos da vagina, sei como os homens se sentem em relação ao pênis.

Milhões vivem profundamente insatisfeitos com a forma e, sobretudo, com as dimensões que receberam da natureza. Se houvesse a certeza de mudar essa situação com uma cirurgia de três mil reais, de curta duração e baixo risco, tenho certeza de que muito se atirariam a ela como loucos - desesperados e famintos. Quem, sendo homem, sabendo como cada um de nós se sente em relação ao próprio pênis, diria a outro homem que não fizesse por si mesmo essa graça? Mas não existe uma cirurgia segura que ofereça a prodigalidade peniana. Portanto, estamos livres para rir, julgar e invejar as mulheres.


Não quero com isso endossar de forma nenhuma as plásticas vaginais. Já disse que acho esse modismo uma expressão da nossa coletiva (e inexorável) maluquice. Mas tampouco fico confortável vendo as pessoas que fazem esse tipo de procedimentos sendo estigmatizadas. Acho patético que uma sociedade que foi tão longe em incentivar o flagelo corporal das mulheres em nome da beleza se volte coletivamente contra a mais recente manifestação da sua própria loucura – apenas outro sintoma, sutil e delicado, de que coisas muito mais importantes estão erradas.

07 de setembro de 2012
ivan martins

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

AS CONTRADIÇÕES


Tenho observado durante todo esse tempo muitas pessoas que se mostram radicalmente contraditórias em suas atitudes.

Até eu me enquadro nessa mercurialidade.

Notei, por exemplo, que há pessoas que não arredam de serem vingativas, no entanto se mostram comoventemente amorosas no fulcro de sua emotividade.

São capazes de ódios repentinos e passageiros, mas no cerne de sua personalidade revelam-se generosas, dadivosas, românticas e se entregam em atitudes de amor e paixão de modo devotado.

Já, não por outra razão, o estudo psiquiátrico colheu nesse campo da inclinação humana o fenômeno que denominou de bipolaridade.

O bipolar, muito frequente nas relações humanas, se caracteriza por uma variação permanente: ora está deprimido, arrasado, no mais completo baixo-astral, ora está em euforia, num êxtase mental que beira o delírio deleitoso.

A euforia é muito rica – e pobre – em suas reações.

A pior reação da euforia é a irritabilidade. Por ela, uma pessoa tanto pode indignar-se com raiva de outra como até se atirar à destruição de seu semelhante.

Não queira ser alvo da irritação de quem está em euforia.

No entanto, a euforia se alterna periodicamente com a depressão, esta um estado mórbido de prostração que derruba o indivíduo a ponto de, na maioria das vezes, querer encerrar-se em seu quarto e não encontrar-se com ninguém, nem com seus próprios familiares, dentro de sua casa.

O deprimido estende os limites de sua solidão e se priva de todas as relações humanas que não forem essenciais, eliminando as triviais.

Chega a ser fenomenal que uma mesma pessoa pareça ser duas, uma aberta e estuante para a relação com os outros, a outra taciturna e avessa aos contatos humanos, embora o primeiro tipo se muna por vezes de agressividade.

A psiquiatria tem atacado com relativo sucesso a bipolaridade, através de medicamentos químicos.

O estado normal e saudável da pessoa humana é um ponto equilibrado, distante claramente da euforia e da depressão.

Este ponto é mais suscetível de felicidade.

 
Paulo Sant`Ana
ZERO HORA
03/09/2012

EM BUSCA DA VAGINA PERFEITA

Cirurgia plástica íntima é mania mundial que preocupa ginecologistas

Lábios vaginais recauchutados e outros retoques na genitália feminina não podem ser facilmente exibidos como peitões de silicone ou barriguinhas lipoaspiradas. Mesmo assim, são o último fenômeno no cardápio moderno das intervenções plásticas.

Nos EUA, são feitas mais de 1,5 milhão de cirurgias íntimas. No Reino Unido, 1,2 milhão. No Brasil, médicos apontam um crescimento de 50% nos últimos dois anos.


Jamie McCartney/Divulgação
Um dos painéis que compõem o "Grande Mural da Vagin", do artista plástico inglês Jamie McCartney
Um dos painéis que compõem o "Grande Mural da Vagin", do artista plástico inglês Jamie McCartney

O ginecologista Paulo Guimarães é expert em "design vaginal". Dá cursos de formação em cosmetoginecologia para médicos. Nos treinamentos, diz, 900 mulheres são operadas por ano, a preços menores. No consultório, "com atendimento personalizado e sigilo", afirma fazer 15 cirurgias íntimas por mês.

O cirurgião plástico Marcelo Wulkan, que atende em São Paulo e tem trabalhos sobre redução de lábios vaginais em publicações internacionais, diz fazer cem desses procedimentos por ano.
Mesmo médicos mais conhecidos por outros tipos de cirurgia, como implantes mamários e plástica de nariz, estão vendo a procura crescer.

"Nos últimos dois anos, passei de uma cirurgia íntima para três por mês", conta Eduardo Lintz, chefe de cirurgia plástica do hospital HCor, de São Paulo, e professor do Instituto Ivo Pitangui, no Rio. No total, Lintz faz cerca de 40 cirurgias plásticas mensais.

TAMANHO-PADRÃO

Como não há evidências de que os lábios vaginais cresceram nos últimos anos, especula-se que o aumento de cirurgias redutoras esteja ligado à uma nova busca de medidas genitais "padrão".
E o que é uma vagina normal? Assim como as estatísticas brasileiras sobre cirurgia íntima, as medidas são imprecisas. "Isso é um pouco subjetivo. Quando o lábio menor não ultrapassa 2 cm de largura pode ser considerado normal", diz Wulkan.

Está longe de ser consenso. Segundo estudo no "British Journal of Obstetrics and Gynaecology", a diversidade de tamanhos observada nos lábios vaginais da população é imensa, o que amplia o espectro de normalidade.

O mesmo estudo aponta que trabalhos anteriores definiram como acima do normal lábios com mais de 4 cm de largura, mas essa medida deve ser revista e ampliada.

Quando os lábios menores ultrapassam os maiores, a tendência é serem considerados candidatos à cirurgia. Mas não se trata de uma imperfeição física.

"É constitucional, a mulher nasce com essa característica, como nasce com um nariz grande", diz Lintz.

No entanto, o que é natural já não é o normal.

Imagens de nus femininos, reportagens e material didático criam o modelo de normalidade, diz a antropóloga Thais Machado-Borges, do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Estocolmo, Suécia.

No estudo "Um olhar antropológico sobre a mídia, cirurgia íntima e normalidade", ela diz que as mulheres consideram atrativas as formas que correspondam a esse modelo, criadas por técnicas cirúrgicas. "Será que essas cirurgias podem transformar zonas erógenas em 'paisagens' onde reina o prazer?", questiona.

Como em relação a narizes, peitos e bundas, o padrão estético muda conforme a época e o país. "Nos EUA, as mulheres querem vagina pequena, cor-de-rosa. As brasileiras querem no mesmo tom de pele do das mãos, com lábios de 1 cm a 1,5 cm", diz o ginecologista Paulo Guimarães.
"É o modelo imaginário do órgão de menininha, o formato 'sou virgem'", interpreta a psicóloga Rachel Moreno.

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia alerta seus membros sobre riscos dessa onda.

"É preciso muito cuidado para mexer em locais com tantas terminações nervosas. As cirurgias íntimas são vendidas como soluções para dificuldades sexuais, mas, se você mexer onde não era para mexer, você piora o que era para melhorar", diz Gerson Lopes, presidente da comissão de sexologia da entidade.
 
03 de setembro de 2012
IARA BIDERMAN, DE SÃO PAULO

quarta-feira, 6 de junho de 2012

QUEM TEM GATO É MAIS MAIS?

Donos de gatos têm escolaridade maior que de cães, aponta estudo

Universitários têm gatos

A escolha por comprar um cão ou um gato pode indicar seu grau de instrução. É o que afirma um estudo da Universidade de Bristol, na Grã-Bretanha. As pessoas que possuem gatos têm maior probabilidade de ter feito curso universitário do que as que têm cachorros como bichos de estimação.
Foram pesquisadas 2.524 residências. Delas, 47,2% das que abrigavam gatos tinham como morador ao menos uma pessoa com nível universitário, em comparação a 38,4% das casas onde havia cachorro.
O estudo concluiu que os longos turnos, provavelmente associados a empregos que exigem maior qualificação, podem tornar pouco prático ter cachorro.
Entre as pessoas que participaram do estudo, verificou-se que há maior probabilidade de que os donos de cães sejam homens, vivam na área rural e tenham menos de 55 anos de idade. E é mais provável que o dono de um gato seja mulher e viva em residências menores, de uma só pessoa.
A idade das crianças em uma família também parece fazer diferença na hora de se escolher o bicho de estimação – é mais comum encontrar gatos do que cachorros em casas onde moram menores de dez anos.

06 de junho de 2012
http://blogs.estadao.com.br/aponta-estudo/2012/06/05/universitarios-tem-gatos/

quarta-feira, 11 de abril de 2012

UEBA OBAMA É BRASILEIRO!

E este provérbio no meu Twitter: "Demóstre-me com quem andas, e a Polícia Federal te dirá quem és!"


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Oba Oba Obama!
Dilma nos States! E sabe o que a Michelle falou pro Obama quando a Dilma chegou? "Não, Obama, essa

NÃO é a Mônica." E o que a Dilma foi fazer nos Estados Unidos? Chutar o pau do Barack! Rarará!
E o Obama é brasileiro. Bota uma bermuda e umas havaianas nele pra você ver. O Obama tem perfil de moeda, mas é a cara do primo do Romário. O Obama é filho do Bezerra da Silva!

E o Obama tem que puxar o saco dos brasileiros: "Brasileiros gastam R$ 3 bi no exterior em fevereiro": R$ 1 bi na Gap, R$ 1 bi na Disney e R$ 1 bi na Nike. Tem brasileiro que vai fazer supermercado em Miami. Rarará! E se, em Miami, você encontrar um monte de areia com uma sacola em cima, pode cavucar que é um brasileiro!

Ah, e os atores da Globo gastaram R$ 1 bi na Broadway. Pra assistir a "O Fantasma da Ópera". Pela enésima vez!

E manda a Dilma perguntar pro Obama quando vai diminuir a fila do visto. Isso é o que os brasileiros querem saber!

E adorei a charge do Pelicano com o Obama falando: "O Brasil é um país abençoado! Não tem ciclones nem tornados". E a Dilma: "É... mas tem Cachoeira". Rarará!

E atenção! Acaba de sair um novo apelido pro Desmóstenes: Debóchenes! Debóchenes Torres!
E olha o provérbio que um cara deixou no meu Twitter: "Demóstre-me com quem andas, e a Polícia Federal te dirá quem és!" Rarará!

E aqui na minha rua tem um buraco em homenagem ao Obama: Buraco Obama. Do tamanho dos Estados Unidos! Rarará!

É mole? É mole, mas sobe!

Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
O Brasil é Lúdico! Esta é direto da Bahia: "Oba Oba Music Hall. NOITE DA APERTADINHA! Open Bar Para Elas. Até a primeira ir ao banheiro". Rarará!

E esta placa no portão: "Seu ladranzinho puga de bunda! Um dia eu te pego, seu cuzão". Rarará!
E este cartaz no estacionamento do supermercado: "Cuidado, Ladrão de Moto". O dono rouba no preço e o ladrão ainda te leva a moto!

E aqui em casa todo mundo canta, todo mundo dança, todo mundo Obama. Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza.

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
11 de abril de 2012
josé simão

segunda-feira, 9 de abril de 2012

TÔ VELHO !!! QUE COISA BOA !

Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa.
Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítico de mim mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo...
Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou pela compra de algo bobo que eu não precisava, como uma escultura de cimento, mas que parece tão? avant garde? no meu pátio. Eu tenho direito de ser desarrumado, de ser extravagante.
Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento.
Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até às quatro horas e dormir até meio-dia? Eu Dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 & 70, e se eu, ao mesmo tempo, sentir desejo de chorar por um amor perdido... Eu vou.
Vou andar na praia em um short excessivamente esticado sobre um corpo decadente, e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros.
Eles, também, vão envelhecer.
Eu sei que eu sou às vezes esquecido. Mas há mais, algumas coisas na vida que devem ser esquecidas. Eu me recordo das coisas importantes.
Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado. Como não quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.
Eu sou tão abençoado por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto.
Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata.
Conforme você envelhece, é mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais.
Eu ganhei o direito de estar errado.
Assim, para responder sua pergunta, eu gosto de ser velho. Ele me libertou. Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupar com o que será. E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).
Que nossa amizade nunca acabe porque vem direto do coração!
09 de abril de 2012 
(desconheço a autoria)

sábado, 7 de abril de 2012

O ESCRITOR E A LOUCURA

Para quem só conhece Rubem Fonseca no Brasil, é difícil imaginar a cena ocorrida na semana passada em Póvoa de Varzim, cidade de Eça de Queirós, ao Norte de Portugal, quando o escritor que não dá entrevistas, não se deixa fotografar e não faz palestra, a nossa Greta Garbo, de microfone em punho, rodando em volta da mesa onde deveria estar sentado ao lado de meia dúzia de importantes colegas portugueses, iniciou sua fala: "Aqui nessa mesa todos somos loucos." Dizia e punha a mão no ombro de cada um, inclusive do quase nonagenário filósofo Eduardo Lourenço. "A literatura é uma forma socialmente aceita de loucura", justificava. Na plateia, mais de 200 pessoas assistiam meio incrédulas, misturando espanto e muitos risos, à palestra-show do autor de "Bufo & Spallanzani", que foi premiado no 13 Correntes d'Escrita, o encontro anual que reúne escritores de expressão ibérica.

Citando em dez minutos doze autores de variadas nacionalidades (é o único a fazer isso com naturalidade, sem ser pedante), Rubem apontava as condições necessárias para alguém se dedicar ao ofício da escrita. A primeira, indispensável, seria então a loucura. Recorrendo a um exemplo do inglês W. H. Auden, ele garantiu que a maneira de formar um poeta é torná-lo, quando criança, bem neurótico. Basta isso? Perguntou, para responder que não, que o candidato devia ser alfabetizado, "mas não muito". E não precisa ser inteligente? Nem sempre. Segundo ele, Somerset Maughan confessou ter conhecido centenas de colegas, mas poucos, inteligentes. "Concordo com isso", acrescentou Rubem, para delírio da plateia.

As outras condições seriam ser motivado ("sem motivação você não descasca nem uma banana"), imaginativo (e, virando-se para os que compunham a respeitável mesa, disse: "O escritor tem que ter imaginação, ouviram, meninos") e, finalmente, ser paciente. Para ilustrar, citou o caso do romancista francês Gustave Flaubert, que levou cinco anos para escrever "aquele livrequinho de 200 páginas, 'Madame Bovary', porque ficou à procura da palavra certa, o 'mot juste'". "Não existe sinônimo, estão ouvindo? Cada palavra tem um significado diferente", ensinou, provocando mais risos: "Essa coisa de sinônimo é conversa mole para boi dormir dos gramáticos."

No final, sobrou também para o público: "Vocês aí, não pensem que, por não serem escritores, não são loucos também." Foi aplaudido de pé.

Em 1995, assisti a um show parecido em Havana, onde ele e eu fomos jurados do Prêmio Casa das Américas. Quando descrevi na volta o que tinha visto, um Rubem Fonseca solto, desinibido, fazendo graça e arrancando gargalhadas ao ler dois contos, um violentíssimo e outro quase obsceno, muitos aqui duvidaram.

Agora tem o YouTube para comprovar. Podem conferir:http://youtu.be/QqjLOOs8h5k
 
07 de abril de 2012
zuenir ventura

ACASO E NECESSIDADE

Sintomas, como problemas, não se resolvem, mas se dissolvem: na marra


Se houvesse uma eleição da melhor abertura de romance de todos os tempos, eu votaria nessa, de “O amanuense Belmiro”, de Cyro dos Anjos: “Ali pelo oitavo chope chegamos à conclusão de que todos os problemas eram insolúveis. Florêncio propôs, então, um nono, argumentando que outro copo talvez trouxesse uma solução geral.” Com efeito, se não todos os problemas, o problema do todo certamente não pode ser resolvido. O que fazer, então? Esquecê-lo, agir como se ele não existisse. Os problemas que não podem ser solucionados podem contudo deixar de existir. Essa é a função do nono chope na filosófica abertura transcrita acima: não resolver, mas dissolver o problema. Chamo essa abertura de filosófica porque a questão do acaso e da necessidade, à qual ela remete, é uma das mais tradicionais da filosofia. É ela que quero abordar aqui, por meio de um grande filme.

Refiro-me a “Um conto chinês”, do diretor argentino Sebastian Borensztein. É um desses filmes que conseguem tratar de enormes questões filosóficas sem qualquer grandiloquência. “Um conto chinês” tem como prólogo uma situação absurda. Dois jovens chineses estão num barquinho, num cenário idílico da China rural. Ritualizam ali seu noivado. O jovem vai buscar as alianças para colocar no dedo de sua plácida amada — quando, de repente, uma vaca cai do céu, destroça o barco e mata a noiva.

Corta para Buenos Aires. Um homem de meia-idade, Roberto (o sempre brilhante Ricardo Darín), trabalha numa pequena loja de ferragens, herdada de seu pai. Roberto é rabugento, metódico e obstinadamente solitário. No ano anterior conhecera Ana, irmã de seu único amigo (ou o mais próximo disso que ele consegue se permitir). Eles transaram numa noite, ela desde então quis se juntar a ele, que por sua vez mantevese aferrado a sua solidão. Um dia, Roberto vê um chinês ser assaltado na rua. O chinês é pobre, não fala espanhol e veio de seu país procurar um tio. Roberto o ajuda, mas o tio vendeu sua loja e não deixou rastro. Roberto se vê então obrigado a abrigar o chinês em sua casa. Para a exasperação de seus sintomas, os diaspassam e nada de o tio do chinês ser localizado.

Em meio a essa narrativa, conhecemos melhor Roberto. Ele é honesto e corajoso. Revolta-se com a fábrica de parafusos, que lhe vende caixas com menos peças do que o indicado na embalagem. Revolta-se também com fregueses que duvidam de sua honestidade. Revolta-se com um policial que abusa de seu poder.
Roberto tem por hábito colecionar notícias absurdas, golpes quase inverossímeis do acaso, que colhe de jornais de diversas proveniências. Enquanto isso, Ana continua a procurá-lo e tentar demovê-lo de sua solidão fechada, opaca para o amor ou qualquer relação com o outro.

Após inúmeros atritos com o pobre chinês, que apenas por estar ali atingia em cheio o sintoma de Roberto, finalmente a embaixada chinesa localiza o tal tio. Nessa noite, por estar aliviado pela iminente partida de seu hóspede indesejado, Roberto se permite conversar com ele pela primeira vez. Tendo como tradutor um entregador de comida chinesa, fazem perguntas um ao outro. O chinês quer saber o que são aqueles recortes de jornal que ele coleciona. Roberto conta que seu pai era um italiano que imigrou fugindo da guerra. Mas, ao chegar na Argentina, acabou por ter que ceder seu filho como combatente à guerra das Malvinas. O pai de Roberto morre por desgosto com esse acaso. O filho passa então a colecionar notícias absurdas, como o pai que foge de uma guerra e cai em outra.

Pausa para interpretar. Roberto é paralisado pelo acaso, que é a causa mortis filosófica de seu pai. Sua vida se mantém atrelada a isso, condenando-o a uma posição melancólica, de inação. Ora, a melancolia tem uma forte relação com o acaso: se a vida é gratuita, se existir não faz sentido, para que agir? A honestidade rigorosa de Roberto parece ser uma tentativa de dar algum sentido às coisas; e sua revolta volta-se contra os que não colaboram com os pactos, com a ordem, instaurando um caos que remete ao acaso que o melancoliza.

Roberto está narrando algumas das notícias absurdas dos jornais para o chinês, quando lhe
conta aquela , mais absurda entre todas, de um chinês que tinha sido atingido por uma vaca que veio do céu. Os olhos do chinês se enchem de lágrimas, e o tradutor traduz: “Era ele quem estava naquele barco.” No dia seguinte, após ter deixado o chinês no aeroporto, Roberto retorna à sua casa e encontra uma imensa vaca pintada, pelo chinês, na sua parede. Ele pega o carro e parte para a província onde mora Ana. Liberou-se, e o filme acaba.

O acaso de o chinês da notícia ter vindo parar, por uma trama improvável, em sua vida, não precisa ser compreendido como um “sinal” (de uma lei oculta, metafísica) de que há necessidade “por trás” dos eventos aleatórios. Mas sim que o acaso podeformar acontecimentos cheios de sentido, com estrutura de sentido. Um chinês perde a noiva num golpe infeliz do acaso, e acaba, por outra volta do acaso, cumprindo o papel de enfrentar o sintoma — uma doença da gratuidade — de um melancólico solitário. Sintomas, como problemas, não se resolvem, mas se dissolvem: na marra, por meio de um encontro inesperado. O mesmo acaso que originou a melancolia de Roberto também lhe impôs um término. Não há necessidade, há finalidades sem fim. Não há necessidade, mas é preciso agir como se houvesse. Antes que uma vaca caia do céu e cumpra o único evento necessário.

 
07 de abril de 2012
francisco bosco

O CÁRCERE DE BLAU

A vida “natural”, que Blau persegue, não precisa de expressão. Ela apenas é


Entre os aforismos de Elias Canetti, existe um, que se refere ao escritor austríaco Robert Musil (1880-1942), que me interessa em particular. Anota Canetti: “Musil me fascina por um tipo de uniforme. Teria que defini-lo como o uniforme da claridade?” Autor do monumental “O homem sem qualidades”, romance em que o pensamento — a claridade — se sobrepõe à ficção, Musil, evocado por Canetti — vejam que caminho tortuoso! — me ajuda a ler “A vida obscena de Anton Blau”, o dilacerante romance de Maria Cecília Gomes dos Reis (Editora 34). Por que Canetti? Por que Musil?

Por que os dois me levam aos nervos de Blau? Tento explicar. Nunca lemos só o que um livro nos diz. As palavras são faróis: elas iluminam também nossos próprios pensamentos, reverberam e se deformam em nossa mente. Vamos a Anton Blau. Ele vive retido no eterno presente. A condenação reflete — ou é efeito? — da escrita de Maria Cecília, que trabalha seu romance sem se apegar às ilusões dos vínculos e da perspectiva. Ilusões? É talvez isso, um tanto de sonho, o que falta a Blau. O que o aprisiona.

Romance estranho — aviso logo. Que se lê com dificuldades. Ou, se não são dificuldades, são incômodos, como se algo muito fino nos espetasse. Na aparência, Anton Blau é um homem dominado pelo desleixo, pela preguiça, pela autoindulgência. Um homem comum; um homem sem qualidades, exatamente como o célebre personagem de Robert Musil. Mas insisto: tudo na aparência. Na verdade, Maria Cecília nos oferece uma visão fatiada de Blau. Ela o pega em momentos distintos de sua vida, na perspectiva de observadores e encarnações diferentes. Se não é isso o que faz, simula isso. Falta-lhe aquilo que define, por excelência, a claridade de que fala Canetti: o foco. Já na abertura do livro, o leitor recebe a seguinte advertência: “A verdadeira experiência consiste em restringir o contato com a realidade e aumentar a análise desse contato”. Em outras palavras: quanto mais limitamos nosso olhar, mais a claridade aumenta. Ao contrário: quanto mais o alargamos, como a autora faz, mais opaca se torna a existência.

Blau, contudo, é um homem das miudezas. Procura “as impressões que ninguém está interessado em descrever”. Procura o desprezível. As sobras, dejetos: o lixo. É na direção dos restos que Blau se vira. Quando se tira tudo de um homem, quando nada mais lhe resta, o que ainda assim lhe resta: ele está aqui. Ele “é” o presente. Clarice Lispector viajou na mesma direção: arrastou seus personagens rumo à Coisa — aquilo que ela, às vezes, chamou de “it”. Claro: o instante. A claridade do instante, tão breve, tão frágil, que logo no instante seguinte já não é mais. Blau busca o que está aqui e mais nada. Não se interessa por antecedentes, tampouco por consequências. Não quer saber da história, ou do futuro. Ele é. Ele é a Coisa de que nos fala Clarice.

Todos nós somos, só que nos agasalhamos na ilusão — lonas protetoras do passado, coletes
imaginários do futuro. Blau está emparedado. O romance fala de sua imobilidade. Ele nem chega a ser um personagem: ele é o amigo imaginário da menina Marta. Prisioneiro do disperso, resta-lhe atuar. Não precisa do pensamento — que um escritor como Musil desdobrou em centenas e centenas de páginas. Nele, a claridade está em não pensar, em não ver, em não refletir. Deseja livrar a vida dos invólucros que a adornam. “A vida prejudica a expressão da vida”. Dizendo de outra maneira: a vida “natural”, que Blau persegue, não precisa de expressão (literatura). Ela apenas é.

Cruel traição: tudo isso se passa, contudo, em um romance, que de natural nada tem. Sim, a vida precisa de expressão, ainda que seja para falhar no inexpressivo. A cada manhã, Anton Blau desperta para sua vida comum, que se caracteriza não pela dor, ou pelo terror, mas pelo “desconforto difuso”. Viveu a infância “entre a neblina e cumes de recordação”. A adolescência, entre “sombras e pequenas dissimulações”. Teatro fracassado, a vida humana é só um disfarce. O presente não se interessa por encenações. Tampouco se importa com o disfarce. O presente grita. Clarice dizia que o presente era um grito.

Mas logo não se trata de Anton, e sim de Jamil, o terceiro filho de uma mulher chamada Lia. As presenças se desdobram, mas ainda é sempre o presente. O meu presente, o seu presente, o presente alheio: todos comprimidos no mesmo instante e, ainda assim, tão distantes uns dos outros. Também não se trata, agora é Jamil quem nos adverte, da aposta no “mundo interior”. Observa o mundo e conclui: “Sou algo ínfimo diante disto tudo, um indivíduo qualquer plantado no planeta, um móvel em trajetórias grudado à superfície do globo”. Maria Cecília, a autora, usa sua imaginação para destruir qualquer possibilidade de imaginação. Ao escolher o presente perpétuo, é como se ela dissesse a seu leitor: “Suporta, aguenta firme, isso basta”.

Não basta, e o próprio livro é um desmentido das teses que Anton Blau encarna. De repente ele é Klaus, e sua única esperança é não ser processado por uma ofensa. Ou seja: é permanecer (preso) onde já está. É Klaus quem nos diz: “O homem experimenta uma forma complexa de ser: ‘estar’ e ‘não estar’ ao mesmo tempo”. Uma forma contrária, portanto, ao princípio de não contradição. Somos contradição pura, Klaus e seu séquito de nomes nos mostram. Vivemos estagnados no que somos, mas é exatamente essa estagnação que nos fornece um ponto de partida e que nos permite enfim nos desdobrar. Prossegue Klaus (ou será Blau?): “A identidade de cada pessoa é dada por seu veio circunstancial — único e mesmo”. Ao mesmo tempo, afirma: “A pessoa é variação sob variação. E também variação (sujeito) ante variação (objeto)”. Chega-se aqui ao horror: até a variação é um efeito da repetição.

Maria Cecília nos oferece um romance que se parece com um charco. Sob as águas mórbidas, contudo, alguma coisa se mexe. Esse mexer-se — amar, gerar filhos, escrever livros — pode ser repetição pura. Ainda assim, e seu livro nos mostra isso, só ele é capaz de produzir as coisas que em nós mesmos nos espantam.
07 de abril de 2012
josé castello