quinta-feira, 19 de maio de 2016

NA BÍBLIA, OS FENÔMENOS MEDIÚNICOS SÃO CONHECIDOS COMO PROFÉTICOS


Em grego, “demônios” são espíritos bons e maus

















Entre os primeiros cristãos, os fenômenos mediúnicos eles eram considerados proféticos e chamados também de pneumáticos, adjetivo esse derivado do substantivo grego “pneuma” (espírito). Hoje, os fenômenos com espíritos, além de serem denominados mediúnicos, são também assim chamados. Porém, o que importa mais são os fenômenos em si, e, principalmente os bíblicos, de que procuraremos demonstrar alguns exemplos.
A Bíblia, de Gêneses até o Apocalipse, está cheia de fenômenos pneumáticos ou mediúnicos. “A lei foi anunciada pelos anjos” (Atos 7: 53). Ora, anjos são espíritos enviados ao nosso mundo. Todo anjo é espírito (“pneuma”), mas nem todo espírito é anjo.
ANJOS E “DEMÔNIOS”
Se Moisés proíbe o contato com os espíritos (Deuteronômio cap. 18), é porque esse contato existe de fato. E ele fala de espíritos dos mortos, e não dos tais “diabos”. E aqui cabe um esclarecimento. Os anjos e demônios são os mesmos espíritos humanos, os já bem evoluídos que são os bons (anjos) e os ainda atrasados que são os maus.
Mas o grego é a língua em que foi escrito o Novo Testamento. Nessa língua, “daimones” são espíritos humanos bons e maus. No singular é “daimon”. Porém, como só se retiram “daimones” maus das pessoas, pois “daimones” bons não nos atormentam, passou-se a entender erradamente que todo “daimon” é mau! Assim, com o decorrer dos séculos, convencionou-se chamar os espíritos maus de demônios.
ANJO BOM E ANJO MAU
Há até uma tradição popular que nos demonstra que, na Bíblia, os espíritos são da mesma natureza dos “daimones”, ou seja, a que fala em anjo bom e anjo mau. E eis outro exemplo desse fato: por analogia com o corpinho morto de uma criança, é comum as pessoas denominam-na de anjinho.
“Restitui-me a alegria da tua salvação, e sustenta-me com um espírito voluntário” (Salmo 51: 12). Não se trata do Espírito do próprio Deus nem do Espírito Santo dogmático da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, mas de um espírito, bom, voluntário (um “daimon” bom).
E lembramos aqui que o Espírito Santo bíblico é uma espécie de coletivo designando todos os espíritos. E, nesse caso bíblico, poderíamos dizer que o Espírito Santo de Daniel é um dos espíritos humanos representados pelo Espírito Santo bíblico, mas não o do dogma (Daniel 13: 45 da Bíblia Católica).
UM ESPÍRITO BOM
Um espírito de um homem macedônio apareceu a Paulo dando-lhe orientação sobre uma viagem (Atos 16: 9). É um espírito manifestante bom, não o do próprio Deus.
“Eis que meterei nele um espírito e ele, ao ouvir certo rumor, voltará para a sua terra; e nela eu o farei cair morto à espada” (2 Reis 19: 7). O espírito não é o de Deus.
“…O espírito de Elias repousa sobre Eliseu” (2 Reis 2: 15). Não se trata também do Espírito do próprio Deus que é recebido pelo grande médium Eliseu.
“Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele” (Efésios 1: 17). Igualmente, aqui, o espírito enviado e recebido não é o do próprio Deus.
MAQUIAGEM DA BÍBLIA
Os exemplos dados escapam da maquiagem que fizeram na Bíblia para esconder os fenômenos mediúnicos ou pneumáticos, grandemente divulgados, hoje, pela doutrina espírita.
E, na sua Vulgata Latina, São Jerônimo (princípio do século 5º) preferiu corretamente a tradução de “spiritus bonus” (“espírito bom”) à de Espírito Santo!

19 de maio de 2016
José Reis Chaves
O Tempo

quarta-feira, 18 de maio de 2016

MIREM-SE NO EXEMPLO DO EMPRESÁRIO E DEFENSOR DA ECOLOGIA VITTÓRIO MEDIOLI


Medioli faz um impressionante desabafo






















Nosso país, por seu gigantismo, tem hoje um número enorme de jornais diários. Há alguns anos, incentivado pelo engenheiro Carlo Germani, que me enviava textos de “O Tempo”, de Belo Horizonte, passei a acessar seu site diariamente e a republicar artigos e reportagens aqui na Tribuna da Internet.  Neste domingo, fiquei impressionado com o desabafo autobiográfico de Vittorio Medioli, que só recentemente descobri ser o dono de “O Tempo” e cuja atuação demonstra se tratar de um empresário que honra Minas Gerais e o Brasil, por investir em setores de baixo retorno financeiro, como esporte, jornalismo e ecologia.
A meu ver, vale a pena ler o artigo que Medioli publicou hoje, respondendo a uma grave crítica, totalmente absurda, que lhe foi feita por um leitor do jornal, cujo nome nem é mencionado pelo articulista.

###

BIODIVERSIDADE, SEGUNDO VITTORIO

Vittorio Medioli
O Tempo
“Enquanto portador de um método de análise sistêmico da complexidade, observa-se em Medioli sua indiferença e completo distanciamento, quando não hostilidade, sobre a fundamental questão da sobrevivência dos ecossistemas integrados como base da vida na Terra, da economia e da política. O escritor, pela sua capacidade e posição, poderia ajudar a construir essa ponte tão necessária à superação dos desequilíbrios socioecológicos atuais, que nada têm a ver com a recente conferência de Paris baseada no comércio de créditos de carbono e monoculturas com exportação de commodities”.
O estímulo para entrar no assunto de hoje está aí acima.
O ambientalismo no Brasil vem sendo monopolizado por fariseus na porta do templo. Ecologia e preservação são uma religião que pratico em silêncio, com gestos e exemplos práticos, atendendo o chamado da minha consciência e do ensinamento que recebi por mestres que me educaram.
PRESENTE DE DEUS
A natureza é o encantador presente de Deus, Sua Manifestação. Assim a sinto e a respeito. Ensinei as minhas filhas, já com quatro anos de idade, a considerar os passeios na praia e os mergulhos ao fundo do mar como um dever de recolher resíduos que os incultos despejam na natureza e nas águas.
Passamos férias inteiramente dedicadas a catar lixo. Minhas filhas tiveram a alegria de devolver prazer aos olhos de pessoas sensíveis e vida melhor aos animais. Sentimos juntos um prazer suficiente a si mesmo, importante como qualquer dever cumprido. Em silêncio, em comunhão com a natureza, tão rica de forças incalculáveis.
Aos domingos, quando caminho à beira da lagoa da Pampulha com minhas cadelas, recolho descartes que as pessoas deixam cair, os coloco nas lixeiras com muita alegria. Sou um gari por prazer, sem me sentir bobo.
LIMPANDO A PAMPULHA
Em 1993, quando a lagoa, por omissão da prefeitura, foi tomada de aguapés, coloquei, pagando do meu bolso, máquinas e barcos para a retirada de 24 mil caminhões dessa manta verde desafiadora, degradante e geradora de pernilongos. O exemplo levou os prefeitos de BH a tomar vergonha, e a cuidar da lagoa. Mais que lamúrias e denúncias, o exemplo gerou soluções duradouras.
Eu sinto na alma a obrigação de deixar o lugar que frequento melhor de quanto o encontrei, mesmo sem fiscais ameaçadores. Se toda a humanidade deixasse o local que frequenta mais agradável, não haveria muitas preocupações ou necessidade de defensores da natureza.
Eu guardo o lixo no bolso ou no carro e o deposito em recolhedores seletivos. Descartes orgânicos, como cascas de banana e de frutas, uso nos canteiros do meu jardim de adubação. Colho sementes nas minhas viagens e tenho em meu jardim árvores frutíferas e jacarandás que trouxe no bolso da Ásia e da Itália, onde nasci.
REFLORESTAMENTO
Já plantei 12 mil hectares de terras degradadas, 22 milhões de árvores, quase uma árvore por habitante de Minas. Ainda, as empresas que administro plantam cana e produzem 100 milhões de litros de bioetanol por ano de fonte renovável. Um litro para cada litro de diesel que os caminhões que usamos na empresa consomem. Produzimos ainda energia de biomassa para atender o consumo inteiro de nossas atividades produtivas e para o uso doméstico de mais de 400 mil pessoas.
Essas compensações, entre emissões e sequestros de CO², se dão não por imposição ou por lei. Decisão espontânea, ditada pela consciência.
O Estado, entretanto, apenas atrapalha, não orienta, cobra injustamente e velhacamente a pretexto da natureza. Cria dificuldades que atrasam o progresso, usa hipocrisia desavergonhada para cobrar o que não pode e não deve.
PROVEITO HUMANO
Cada árvore na natureza é sagrada, mas mais sagrado ainda é o ser humano. O uso das árvores deve ser feito para um fim nobre, para proveito humano. Pessoalmente me dedico com prazer ao repovoamento das margens de lagoas, de curso de água, de beiras de rios. Sinto as forças que me chegam dessas atitudes na natureza.
Como o Mestre, que não tinha apreço dos fariseus (falsos e interesseiros), não consigo ter dos modernos fariseus ambientalistas. Não há amor e nem interesse outro que seja o dinheiro.
Já participei de um partido eminentemente ambientalista, achando que nesse encontraria um ambiente limpo e voltado à sustentabilidade, mas encontrei a aridez do deserto.
APROVEITADORES
O ambientalismo brasileiro é desqualificado e mal-intencionado. A delinquência anda solta, apenas aqui em Minas, nos últimos anos, a PF flagrou um presidente da Feam e um secretário de Estado em grave desvio de conduta. Aqui ruiu a barragem de Mariana, licenciada a toque de caixa, e denunciada como obra criminosa antes mesmo de ruir.
Devo confessar que tentei entrar nos círculos do ambientalismo para somar, só que encontrei a ganância ditando insolentemente discursos. Nem todos são assim, desprovidos de genuíno interesse. Tem caçadores de bruxas, fabricantes de dificuldades para, assim, parentes e laranjas cobrar caras facilidades. É um ambiente que produz desastres e deixou Minas uma colcha de retalhos.
O que se enxerga sem lupa é a existência de esquemas que olham o proveito exclusivamente próprio. Raposas em galinheiro, como a PF flagrou.
EXPLORADORES
Autorização de um replantio de floresta de eucalipto no Jequitinhonha pode ficar oito anos (sem um santo forte) para ser liberado. No Norte de Minas, para poder utilizar a lenha de um desmate, se paga uma taxa ambiental três vezes superior ao valor da lenha que já pagou compensação ambiental. Absurdos e anacronismos emparedando quem trabalha.
Nas entrevistas em off, corrupção e máfia são os problemas mais lembrados, o caso de Mariana dá uma confirmação.
Dormem nas gavetas do ambientalismo de Estado mais de 80 mil empreendimentos ou 1,5 milhão de empregos. Aguardam render ganhos aos esquemas, enquanto o próprio Estado se priva de uma arrecadação de alguns bilhões a cada ano e o povo amarga o desemprego. Esses são os produtos de um ambientalismo perverso e que impera. A mortalidade de empresas e o desânimo para montar outras são a realidade.
“FAÇO O QUE POSSO”
Para responder ao leitor, confesso que minha vida já foi vivida, faço o que posso. Mantenho minha consciência ligada e tento expandi-la, já que, depois de acesa, não mais se apagará.
Procuro nos exemplos, distribuindo mudas nativas a cada ano, replantando florestas que atendem a humanidade em suas necessidades. Compenso o que emito. Tenho, contudo, pena dos jovens que deverão erguer um novo sistema depois de demolir o atual.
O resto a Deus pertence e dEle aguardo o prêmio e o castigo por minhas ações. Peço apenas e sempre misericórdia.

18 de maio de 2016
Carlos Newton

GERAÇÃO MILÊNIO É BELA, SOLTEIRA E MORANDO COM OS PAIS


A geração milênio não gosta de assumir responsabilidades



















Atenção os nascidos entre 1978 e 1999: Podem até não ter sido avisados, mas, entre vocês, existem os líderes que nos guiarão num futuro próximo. Favor se apresentarem com urgência, pois, como um bom mineiro, direi que o “trem tá feio”! Infelizmente, estudos comportamentais insistem em caracterizar esse período como a “geração perdida”.
A Unesco chegou a dizer que é a primeira geração em 200 anos que corre o risco de ser pior que a dos pais. A razão seria o descaso em se comunicar e receber a herança das sabedorias e conhecimentos dos mais velhos; o deslumbramento em crescer em meio às incontáveis e inesgotáveis inovações tecnológicas, que não só os viciaram em telas e smartphones, mas substituíram a curiosidade, a admiração aos mais velhos e sábios, como fonte de conhecimento – sejam familiares, professores, referências no entorno –, bem como interferiram no diálogo intergeracional.
TERMOS TECNOLÓGICOS
Enquanto os jovens usam e abusam de termos tecnológicos, geralmente em inglês, os pais e os idosos, desajeitados e lentos na manipulação dos eletrônicos, são negligenciados em suas preciosas experiências existenciais. Mas o mundo será comandado pela geração milênio, isso é claro.
Fico feliz ao ver na República de Curitiba, ou na esquerda combativa, jovens promotores, delegados e professores. Bem-vindos! Para vocês desejo que retidão, honestidade e cidadania sejam algo natural, não só uma virtude. Mas não nego que estudos mostram um lado preocupante: Sobra vaidade, preocupação excessiva com corpo e aparência e crítica feroz às imperfeições físicas. Neuroses em dieta, corpos de academia, plástica, medo de julgamento alheio e necessidade de aprovação. Ênfase exagerada em enriquecer rápido e constante insatisfação com o trabalho (atualmente medo de não tê-lo ou de ser demitido).
SEM CASAMENTO
Chama atenção também o horror ao casamento. Quase dois terços andam adiando ou simplesmente não querendo casar. Filhos? Nem pagando, ou no máximo um, se tiver, lá na frente. Adiar o início profissional justificando o fato de nunca sair da casa dos pais (sugiro assistir a uma série chamada “Master of None”, que mostra a geração milênio no dia a dia), para quê? Para não ter que assumir responsabilidades, IPTU, IPVA, condomínio e compra do mês?
Corre o risco de ser uma geração que morará em casa obtida por herança. Prioridade é lazer, ou poupar para o futuro que já chegou. Vive-se o hoje como se não houvesse o amanhã. E haja novidade, que no ano que vem, já está obsoleta.
TUDO É PASSAGEIRO
Tudo sai rápido de moda. Modinha. Qual o sucesso do YouTube mesmo? Cadê o coreano daquela música? Sei lá. Tudo é rápido, passageiro e deletável. Namorados, ficantes, estágios.
Envelhecemos, e isso é fato. Está na hora de passarmos o poder. Envergonhados, pois assistimos aos nossos heróis e líderes, varridos por escândalos e à modificação do caráter – aliás, uma epidemia de mau-caratismo de doer. Aprendam o que não fazer, mas façam. Chega de preguiça e reclamação. Chega de memes e zoações. O mundo é de vocês! Sejam melhores, e se possível, ouçam mais. Afinal, ainda vale aquela máxima: “Os jovens podem, os velhos sabem”.

18 de maio de 2016
Eduardo Aquino

segunda-feira, 16 de maio de 2016

SUMIÇO DAS ABELHAS

RÁPIDO COLAPSO DA CIVILIZAÇÃO É INEVITÁVEL (AVISA CIENTISTA)

UMA DOR QUE NINGUÉM VÊ - UM TABU A SER ENFRENTADO


Uma dor que ninguém vê
Em 17 anos, foram 19.295 pessoas mortas. É como se a população inteira de um município da serra gaúcha desaparecesse. São Francisco de Paula tem 20.224 habitantes. O DATASUS (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde) confirma: são 10,2 casos de suicídio a cada 100 mil habitantes. Este índice coloca o RS no topo do ranking nacional para mortes deste tipo. Em seguida vem Roraima, com 8,3 e Mato Grosso do Sul, com 8,1.

O estado que tem o menor índice é o Rio de Janeiro, uma média de 2,4 mortes para cada 100 mil habitantes. Os números não são de hoje e vem aumentando. De acordo com Ricardo Nogueira, psiquiatra do Hospital Mãe de Deus que pesquisa ansiedade, depressão e prevenção ao suicídio, os maiores índices de casos suicidas acontecem na região nordeste do estado.

De acordo com o Mapa da Violência, o RS ainda tem 11 das 20 cidades brasileiras que mais tiveram casos. Três Passos (2º), Três de Maio (5º), Nova Prata (6º), Santa Cruz do Sul (11º), Tupanciretã (11º), Santiago (12º), Canguçu (13º), Lajeado (14º), Venâncio Aires (15º), Encruzilhada do Sul (18º) e Osório (19º).

Os municípios com maior incidência de suicídio no estado são de colonização alemã. Por isso, a ascendência é um fator considerado pela Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS). No entanto, o coordenador do departamento de psiquiatria no estado, Marco Antonio Caldieraro, diz que isso não é determinante: “A gente tenta não valorizar muito essa questão porque se você está atendendo um paciente de uma etnia que tem menos incidência em suicídio não quer dizer que é um motivo para não se preocupar.”

Para a Doutora em Ciências Médicas, Rosa Maria Martins Almeida, da UFRGS, que estudou o suicídio em homens e mulheres, o tema deve ser tratado como um problema de saúde pública e o governo deveria criar programas e campanhas de prevenção, assim como as diversas campanhas que existem para prevenção da AIDS, tuberculose, gripe, HPV, entre outros. “É necessária uma discussão mais aberta sobre este problema na sociedade e o estabelecimento de estratégias para a precaução, considerando as particularidades regionais”, concorda a professora da Unisinos Fernanda Barcellos Serralta. A tese de doutorado da psicóloga foi sobre os riscos de suicídio em pacientes deprimidos.


A APRS entende que o suicídio, na maioria das vezes, está relacionado a algum tipo de transtorno psiquiátrico muitas vezes não diagnosticado e não tratado de forma adequada. Os mais comuns são: depressão, bipolaridade, dependência química, transtornos de personalidade e a esquizofrenia.

Marco Antonio Caldieraro salienta que é possível tratar os pacientes com consultas frequentes, sem a necessidade de internação. Contudo, para aqueles que possuem tendências suicidas o melhor é que o tratamento seja realizado onde não exista a possibilidade dele tentar algo contra si mesmo. O suicídio ocupa a 3ª colocação entre as mortes violentas no RS, ficando atrás dos homicídios (1ª) e dos acidentes de trânsito (2ª), segundo o DATASUS.
Aumenta o suicídio entre jovens


Diversos jovens sofrem em silêncio e as famílias só ficam sabendo dos problemas depois que o fato está consumado. De acordo com dados do Mapa da Violência, do Ministério da Saúde, o índice de jovens que tiraram a própria vida aumentou 40% em 10 anos. Para a doutora em psicologia, que defendeu uma tese sobre as motivações para esta violência, Fernanda Serralta, o suicídio na adolescência associa-se a fatores como a depressão, baixa autoestima, disfunção familiar, abuso sexual, maus tratos, negligência e o uso de substâncias psicoativas.

O médico Ricardo Nogueira confirma o aumento de suicídios entre os jovens. Segundo seus estudos, os abusadores de álcool e drogas estão na liderança com 33% seguido dos jovens depressivos com 28%. Esquizofrênicos, jovens com transtorno de personalidade e ansiedade completam a lista. Porém, outro sinal que preocupa é o crescimento do número de mortes entre as mulheres jovens, “principalmente meninas dos 15 aos 19 anos, usuárias de álcool e drogas ou que estão em gestação”, destaca Nogueira.
Como vai você?


Todos os especialistas consultados pela reportagem apontaram o CVV (Centro de Valorização da Vida) como a principal referência na prevenção de suicídio no Brasil. A organização não governamental é, inclusive, citada pelo Google quando busca-se informações sobre o assunto.

O slogan “como vai você” é uma alusão à forma com que eles trabalham. No ano passado, no Brasil, o CVV atendeu um milhão de pessoas que buscavam ajuda, o equivalente a uma ligação a cada 33 segundos. Fundado em 1962, em São Paulo, o CVV atende pelo número 141. 
O coordenador nacional, o gaúcho Anildo Fernandes, explica que o atendimento prioriza o ato de ouvir as pessoas: “Nós procuramos oferecer uma escuta compreensiva. Sabemos que, à medida que a pessoa começa a falar dos seus problemas, ela começa a se sentir aliviada e, assim, encontra forças dentro dela própria para reagir”, explica. Conforme Anildo, a perda é a maior motivação das ligações para o 141. Ela pode estar relacionada ao falecimento de um ente querido, a demissão de um emprego ou até mesmo a morte de animais de estimação.

No Rio Grande do Sul, nos primeiros quatro meses de 2015 foram atendidas 19.350 ligações. Uma média de 4.837 ligações por mês, de acordo com o coordenador. A organização dispõe de atendimento presencial, via internet, pelo telefone e até mesmo por carta. E há também os grupos de apoio aos “sobreviventes”, denominação dada às pessoas que já tentaram tirar a própria vida ou àqueles que são parentes de vítimas.


Mesmo com a ajuda, o Centro de Valorização da Vida não promete terapia a quem procura o serviço. “Não é um trabalho terapêutico. Nós somos pessoas da comunidade, cada um com a sua profissão”, explica Anildo, contador, especializado em controladoria. Ele divide seu tempo entre atividades profissionais e tarefas que possui no CVV.Apesar de reconhecida por lei como entidade de utilidade pública federal, o Centro de Valorização à Vida não recebe verbas do governo. 
Toda a renda que o centro arrecada para a sua manutenção é proveniente dos próprios voluntários, a partir da realização de “vaquinhas” e brechós que a entidade organiza. O coordenador entende que o Centro cumpre uma lacuna deixada pelo Estado, tanto no Brasil quanto no Rio Grande do Sul: “O estado, por mais que tente fazer, não encontra mecanismos para atender a demanda. A gente procura então suprir essa necessidade”, afirma.
Não diga que a canção está perdida


A especialista Rosa Maria Almeida salienta que os familiares que notarem mudanças de comportamento como o desejo de não sair de casa, isolamento, impulsividade, agressividade, vontade de chamar a atenção, falta de controle, níveis de depressão, perda de motivação e falta de convivência com amigos, devem ficar constantemente em alerta porque são indícios que podem levar ao ato de tirar a própria vida.

A Secretaria Estadual de Saúde do RS (SES-RS) reconhece que o suicídio é um grave problema de saúde pública. De acordo com a assistente social da SES –RS, Andreia Volkmer, o estado tem feito campanhas em duas frentes: de valorização da vida, sem citar o termo suicídio, e publicando um guia de bolso com informações para os profissionais da saúde. Conforme a assistente social, está nos planos do governo capacitar os profissionais da saúde no interior do estado. Entretanto, em função da contenção de despesas, as viagens estão suspensas.

O psiquiatra Ricardo Nogueira relembra que em 2007 o estado criou o Programa de Prevenção de Suicídio dentro de uma ação chamada PPV (Programa Prevenção Da Violência) envolvendo várias secretarias. Nas 10 cidades onde este tipo de morte era mais constante foram oferecidos programas de tratamento à depressão e orientação à população. Os números de suicídio se reduziram em 12% durante o programa. No entanto, de 2011 a 2014 não houve continuidade deste projeto: “Vimos que até 2010, das 20 cidades com maior índice suicida no Brasil, metade eram gaúchas, segundo dados do DATASUS. De 2011 para 2014, já são 13 cidades. É um aumento de 30%. Então vamos trabalhar nas cidades onde estão as maiores incidências”, afirma o psiquiatra.


Nogueira revelou que uma parceria conjunta envolvendo a Secretaria Estadual de Saúde, o Centro Estadual de Vigilância de Saúde, o Centro de Informações Toxicológicas, e o Hospital Mãe de Deus foi criada para lançar um novo projeto de prevenção ao suicídio em setembro. “No momento estamos na fase do geoprocessamento, um levantamento do número de suicídios ocorridos e de tentativas mal sucedidas. 
Houve no Rio Grande do Sul, 1500 tentativas de suicídios por intoxicação de medicamentos, de material de limpeza e de venenos, de acordo com o Centro de Informação Toxicológicas. Então estamos fazendo esse geoprocessamento de quais são os tipos de suicídios para combatermos.” A intenção, segundo o médico, é começar por Porto Alegre, por ter o maior número absoluto de mortes e ser a cidade mais populosa.

Mas os maiores percentuais de casos suicidas ocorrem na região nordeste do estado. O atual deputado Federal Osmar Terra integra o grupo que está organizando o novo programa. Ele era o secretário da saúde em 2007, quando foi criado o Programa de Prevenção ao Suicídio. Terra, que também é médico, afirma que para enfrentar o problema é preciso combater o uso de drogas e diagnosticar os transtornos mentais, acompanhando de perto os grupos de maior risco.

Para o deputado, uma solução seria o governo contratar psiquiatras nas regiões onde os índices são maiores, e identificar os grupos de risco, ou seja, aqueles que já tentaram o suicídio ou apresentam depressão grave. “Nós precisamos de uma política de diagnóstico. A pessoa que tem borderline (transtorno de personalidade), por exemplo, precisa ser acompanhada, ela é um suicida em potencial. Nós temos bons psiquiatras, bons profissionais, mas a população não tem acesso a estes especialistas”, explica Osmar Terra.
Um tabu para a imprensa



Apesar dos dados alarmantes de suicídio no Brasil e no Rio Grande do Sul, o assunto é pouco tratado pela imprensa com a justificativa de que a visibilidade do tema pode influenciar quem está predisposto.

O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros ainda não aborda a questão do suicídio diretamente. Conforme o documento, os profissionais da imprensa tem a responsabilidade de preservar o direito à privacidade, a imagem e à honra das fontes. Também é proibido divulgação de informações de caráter pessoal, mórbido e sensacionalista.

O jornalista Carlos Etchichury foi o autor de uma série de reportagens sobre suicídio no jornal Zero Hora, em 2008. Etchichury entende que ao não divulgar o problema, o jornalismo está se omitindo da sua função: “ao não publicar matérias sobre suicídio, o jornal deixa de abordar uma das três principais causas de morte violenta no Estado — um assunto de alto interesse social. E não abordando este assunto, o jornal não cobra do Estado (uma das atribuições da imprensa é fiscalizar o Estado) políticas públicas capazes de combater o suicídio”.

De acordo com o jornalista, que defende mais publicações sobre o assunto, há manuais da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Associação Brasileira de Psiquiatria que auxiliam os profissionais da comunicação na divulgação do suicídio. “Não sei se a publicação de reportagens teria, como consequência imediata, a redução das ocorrências. Mas os veículos poderiam, por exemplo, prestar um serviço público relevante para a população, orientando familiares e amigos de suicidas ou pessoas que tentaram se matar e cobrando políticas públicas do Estado.

Um pedido de ajuda: quando o apresentador vira ouvinte
Apresentador do programa “Pijama Show”, na Rádio Atlântida (Agora na Rádio Farroupilha), em Porto Alegre, Éverton Cunha é conhecido por Mr. Pi. Acostumado a atender ouvintes no ar durante a madrugada, o radialista foi pego de surpresa há quase 15 anos, quando recebeu a ligação vinda de um jovem de Chapecó/SC. O ouvinte não queria pedir música, muito menos comentar algum assunto do programa: ele havia ligado para anunciar que estava prestes a tirar a própria vida.



“Eu atendi e logo de cara ele disse que estava pensando em se matar. Eu fiquei surpreso muito mais pela ligação do que pela ideia. Eu já fui jovem, a maioria do meu público é jovem. Eu sei que muita gente pensa nisso e eu sei que, na madrugada, as pessoas ficam muito mais sensíveis, pensativas. Não tinha como julgar se aquilo era sério ou se era alguma brincadeira, então deixei ele falar”, conta o apresentador.

A ligação durou alguns minutos. Mr. Pi escutou o jovem falar dos problemas e tentou fazê-lo mudar de ideia. “Quando ele falou aquilo eu pensei exatamente o inverso: se ele está me propondo o fim, eu vou tentar propor um recomeço.” No final da conversa, Mr. Pi colocou no ar a canção de Raul Seixas, Tente Outra Vez.

Depois da conversa, o ouvinte manteve contato quase que diariamente com o apresentador, a seu pedido. O jovem catarinense contava como estava a sua vida e Mr. Pi, algumas vezes, lia as mensagens no ar. Meses depois, o rapaz afirmou que tinha desistido da ideia de suicídio. Mais tarde, encontrou o comunicador pessoalmente, em um evento em Chapecó, e lhe agradeceu.

O radialista não quer ser visto como “herói” na história. Ele ressalta que apenas tratou de escutar uma pessoa que estava com problemas: “Não acredito que eu tenha feito algo de extraordinário. Mas a gente nunca sabe, posso ter feito a diferença ou não. Ele precisava falar, eu apenas escutei. Essa história foi marcante, diversos ouvintes lembram até hoje. É um assunto delicado, eu acho que nós temos que ter muito cuidado quando tratamos de suicídio. Temos que fortalecer nas pessoas a ideia da vida”, diz Mr. Pi.

Redação: Caroline Garske, Douglas Demoliner, Guilherme Moscovitch, Laís Albuquerque, Luana Schranck, Maurício Trilha e Stéphany Franco.
Fotografias: Laís Albuquerque
Edição e supervisão: Luciana Kraemer.
Texto produzido pelos alunos de Jornalismo da Unisinos/RS para a disciplina de Jornalismo Investigativo

16 de maio de 2016

A DOENÇA DO AMOR

Existe de fato amor romântico? Esta é uma pergunta que ouço quando, em sala de aula, estamos a discutir questões como literatura romântica dos séculos 18 e 19. Quando o público é composto de pessoas mais maduras, a tendência é um certo ceticismo, muitas vezes elegante, apesar de trazer nele a marca eterna do desencanto.

Quando o público é mais jovem há uma tendência maior de crença no amor romântico. Alguns diriam que essa crença é típica da idade jovem e inexperiente, assim como crianças creem em Papai Noel.

Mas, em matéria de amor romântico, melhor ainda do que ir em busca da literatura dos séculos 18 e 19 é ir à fonte primária: a literatura europeia medieval, verdadeira fonte do amor romântico. A literatura conhecida como amor cortês.

Especialistas no assunto, como o suíço Denis de Rougemont, suspeitavam que a literatura medieval criou uma verdadeira expectativa neurótica no Ocidente sobre o que seria o amor romântico em nossas vidas concretas, fazendo com que sonhássemos com algo que, na verdade, nunca existiu como experiência universal.

Dos castelos da Provence francesa do século 12 ao cinema de Hollywood, teríamos perdido o verdadeiro sentido do amor medieval, que seria uma doença da qual devemos fugir como o diabo da cruz.

Para além dos céticos e crentes, a literatura medieval de amor cortês é marcante pela sua descrição do que seria esse "pathos" amoroso. Uma doença, uma verdadeira desgraça para quem fosse atingindo em seu coração por tamanha tristeza. André Capelão, autor da época ("Tratado do Amor Cortês", ed. Martins Fontes), sintetiza esse amor como sendo uma "doença do pensamento". Doença essa que podemos descrever como uma forma de obsessão em saber o que ela está pensando, o que ela está fazendo nessa exata hora em que penso nela, com o que ela sonha à noite, como é seu corpo por baixo da roupa que a veste, o desejo incontrolável de ouvir sua voz, de sentir seu perfume. Mas a doença avança: sentir o gosto da sua boca, beijá-la por horas a fio.

Mas, quando em público, jamais deixe ninguém saber que se amam. Capelão chega a supor que desmaios femininos poderiam ser indicativos de que a infeliz estaria em presença de seu desgraçado objeto de amor inconfessável. A inveja dos outros pelos amantes, apesar de condenados a tristeza pela interdição sempre presente nas narrativas (casados com outras pessoas, detentores de responsabilidades públicas e privadas), se dá pelo fato que se trata de uma doença encantadora quando correspondida.

Nada é mais forte do que o desejo de estar com alguém a quem você se sente ligado, mesmo que a milhares de quilômetros de distância, sem poder trocar um único olhar ou toque com ela.

O erro dos modernos românticos teria sido a ilusão de que esse medievais imaginariam o amor romântico numa escala universal e capaz de conviver com um apartamento de dois quartos, pago em cem anos.

Não, o amor cortês seria algo que deveríamos temer justamente por seu caráter intempestivo e avassalador. Sempre fora do casamento, teria contra ele a condenação da norma social ou religiosa que, aos poucos, levaria as suas vítimas à destruição, psicológica ou física.

Para os medievais, um homem arrebatado por esse amor tomaria decisões que destruiriam seu patrimônio. A mulher perderia sua reputação. Ambos viriam, necessariamente, a morrer por conta desse amor, fosse ele em batalha, por obrigação de guerreiro, fosse fugindo do horror de trair seu melhor amigo com sua até então fiel esposa. Ela, morreria eventualmente de tristeza, vergonha e solidão num convento, buscando a paz de espírito há muito perdida. A distância física, social ou moral, proibindo a realização plena desse desejo incessante como tortura cotidiana.

O poeta mexicano Octavio Paz, que dedicou alguns textos ao tema, entendia que a literatura medieval descrevia o embate entre virtude e desejo, sendo a desgraça dos apaixonados a maldição de ter que pôr medida nesse desejo (nesse amor fora do lugar), em meio à insuportável culpa de estar doente de amor.



16 de maio de 2016
Luiz Felipe Pondé, Folha de S. Paulo